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Este militante anti-cinzentista adverte que o blogue poderá conter textos ou imagens socialmente chocantes, pelo que a sua execução incomodará algumas mentalidades mais conservadoras ou sensíveis, não pretendendo pactuar com o padronizado, correndo o risco de se tornar de difícil assimilação e aceitação para alguns leitores! Se isso ocorrer, então estará a alcançar os objectivos pretendidos, agitando consciências acomodadas, automatizadas, padronizadas, politicamente correctas, adormecidas... ou espartilhadas por fórmulas e preconceitos. Embora parte dos seus artigos se possam "condimentar" com alguma "gíria", não confundirá "liberdade de expressão" com libertinagem de expressão, considerando que "a nossa liberdade termina onde começa a liberdade dos outros"(K.Marx). Apresentará o conteúdo dos seus posts de modo satírico, irónico, sarcástico, dinâmico, algo corrosivo, ou profundo e reflexivo, pausado, daí o insistente uso de reticências, para que no termo das suas incursões, os ciberleitores olhem o mundo de uma maneira um pouco diferente... e tendam a "deixá-lo um bocadinho melhor do que o encontraram" (B.Powell). Na coluna à esquerda, o ciberleitor encontrará uma lista de interessantes sítios a consultar, abrangendo distintas correntes político-partidárias ou sociais, que não significará a conotação ou a "rotulagem" do Cidadão abt com alguma dessas correntes... mas tão só a abertura e o consequente o enriquecimento resultantes da análise aos diferentes ideais e correntes de opinião, porquanto os mesmos abordam temas pertinentes, actuais, válidos e úteis, dando especial primazia aos "nossos" blogues autóctones... Uma acutilância aqui, uma ironia ali, uma dica do além... Assim se vai construindo este blogue... Ligue o som e... Boas leituras.

sábado, 12 de maio de 2012

A CARTA



A CARTA


Tudo se terá degradado de há um ano a esta data...
A correspondência retardou-se mais ou menos desde o dia em que no caminho do Tramagal, agarrado às maletas o mensageiro dos correios espetou um tralho de moto na nacional 118, baldeando ladeira abaixo!
Ao fim de quinze dias privado das cartas da amada, este Cidadão supôs que a coisa incidia sobre o facto do infeliz se ver engessado e os colegas andarem à cata da papelada esvoaçante que escapara dos alforges e tocada ao vento se ocultava nas moitas e travessas do ferrocarril.
Meses palmilhados, ajeitando a alva bigodaça e recolhendo sua digníssima pança, o abalo foi maior quando o carteiro dos Mourões que almejava nesgas devassadas nos receptáculos onde pudesse introduzir a correspondência, enjeitou o seu aspirador grená e batendo de frosques, foi tocar as trompas para montes e vales do Gerês, numa cibernética migração sem retorno.
Seguiu-se-lhe o encerramento de postos dos ctt enquanto outros deram lugar a lojas de conveniência que foram habituando a malta a comprar identificadores, a pagar as portagens, a adquirir descodificadores para televisão digital terrestre e a receber os vales Segurança Social com bastantes dias de atraso como se chegassem por via marítima...
No pino desse verão cá o desgraçado aguardou impacientemente a chegada de crucial correspondência oficial sem a qual não poderia partir em busca do crocodilo perdido, sob pena de se lhe atrofiarem as aptidões profissionais, tendo as vacances sido retardadas numa semana, não se demitindo porém de reclamar junto dos eficientes serviços da Direcção-Geral dos Correios, Telégrafos e Faróis ou Administração-Geral dos Correios Telégrafos e Telefone, definição do anno de 1911, vulgo ctt - Correios de Portugal, que em Abrantes faz jus de conservar o andamento dessa época.
Como devereis calcular, caro ciberleitor, o ambiente influenciou de tal maneira a inspiração do Cidadão abt que se viu impulsionado a escrever tais desabafos... 
Andava enrolado com o quarto dos crocodilos perdidos quando recebeu a resposta da reclamação que aqui se reproduz digitalizada numa multifunções Hewlett-Packard!
Quando lhe perdera o sentido e supondo que o assunto tivesse sarado, consumidos seis meses veio a resposta da ANACOM!
Para melhor ler, clique duas vezes sobre as respostas...
Se o leitor não souber da temática abordada, constatará que são duas respostas universais e acomodas, adaptando-se a quase todo o género de reclamações associadas aos serviços postais.
Basta reproduzir uma cópia de outrem e está a andar!
Nelas pode constatar um blá, blá, blá, uma parga de frases ôcas, subjectivas e sem resolução, delineadas p’ra patego ler, ao cúmulo de até hoje, a eficiência dos ditos cujos serviços se manter exactiqualmente na mesma cum'à lesma!
...Estamos... entregues... à... bicharada!...
O Cidadão abt há muito concluíra que as entidades reguladoras disto, daquilo e daqueloutro, não servem senão para à pala do desafortunado contribuinte, fixarem parâmetros, fazerem registos, estatísticas e apresentarem relatórios dos resultados anuais para o sustento dos tachos chorudos de uns quantos dependentes do Estado Português, não usufruindo de mecanismos legais ou medidas coercivas que corrijam as disfunções das entidades que tutelam!
Dotado de santa paciência e dando o benefício da dúvida, este plebeu habituou-se a receber o correio com substancial atraso ao ponto dos postais de Natal enviados por intermédio dos ctt lhe terem chegado ao receptáculo cá do utente por altura dos Reis no ano seguinte!
Com uma pachorra do camandro, habituou-se de quando em vez a ter que liquidar as facturas da água, luz, telefone e Internet fora de prazo, ou seja, com o consequente cancelamento da acessibilidade ao pagamento por multibanco, arriscando-se a suportar os juros de mora ou em ultimo reduto a que lhe venham cortar o fornecimento dos serviços pelo simples facto dos bichanos dos correios não comerem alfarroba suficiente que lhes atice o trote!
Observará o ciberleitor que há boa solução, permitindo o débito directo na conta bancária ou abrir as pernas à electrónic@ , mas escaldado nas contas, passou a ser como os espanhóis que possuem os olhos na ponta dos dedos e como um tipo tem o direito de receber a correspondência em papel a tempo e horas, e porque nem todos os plebeus têm acesso ou dominam às novas tecnologias de informação e comunicação!
Graças a tal estratégia, este tubuco poupou umas coroas valentes em taxas e tarifas por escalões de consumos na medida em que mês sim, mês não, os prestadores de serviços semi públicos tendem em estimar o valor dos consumos por cima e nunca por baixo!
Se no mês de estimativa o consumidor lhes adiantar uma média de três euros por exemplo na conta da água e atendendo que os Serviços Municipalizados de Abrantes têm 22.590 (vinte e dois mil quinhentos e noventa) contractos, o empréstimo livre de juros rondará uns módicos 67.770 €uros equivalendo a duas vezes e um quarto o valor da incidência sobre a infracção por dumping que o magnata da Sociedade Gestora de Participações Sociais com sede e impostos na Holanda terá de pagar ao Estado Português por instigar a populaça à desordem pública e a fazer tristes figuras!
Se de facto quisermos acautelar a carteira, há que comunicar a leitura dos contadores nos meses de estimativa, tendo em conta que se o munícipe se deixar relaxar na liquidez, será castigado com juros de mora ou taxa semelhante!
Farto de esperar pela prestimosa distribuição postal dos ctt, este munícipe resolveu deitar mãos à obra, monitorizando a eficácia desses serviços com o intuito de apurar se o defeito seria de âmbito regional ou se de nacional.
Vai daí, a melhor altura tratou-se exactamente da convalescença e em sincronização com outros dois munícipes, este Cidadão remeteu três cartas em correio normal, sendo a primeira de si para si, com remetente e destinatário em Abrantes, a segunda para uma aldeola interiorizada no centro do país em troca da congénere enquadrada dos mesmos propósitos e a derradeira, endereçada para Lisboa!
Um dia há-de o caro leitor enveredar por esta interessante experiência...
Não investirá o valor de dois cafés...
A enviada de Abrantes para Abrantes chegou ao Cidadão (em 15) quinze dias conquistados.
A remetida da aldeola interiorizada, chegou ao Cidadão (15) após quinze reflectidos dias.
A emitida em Lisboa chegou ao Cidadão (15) quinze dias depois.
Quanto às que partiram de Abrantes, era vencida uma noite quando a segunda foi recepcionada na aldeola interiorizada enquanto a derradeira entrou no receptáculo alfacinha em dois esquecidos dias!
O segundo teste à eficiência dos ctt foi executado em sintonia com dois estabelecimentos comerciais que assinam uma parga de exemplares da imprensa regional.
 Feito lampeiro, de cara alegre e disfarçando as frescas costuras no dia 25 de Abril este praça entrou numa tabacaria abrantina onde adquiriu o exemplar nº 1382 do semanário O RIBATEJO e o nº312 do quinzenário ABARCA, datados de 26 de Abril de 2012, acabadinhos de sair das impressoras rotativas e prontamente distribuídos pela transportadora...
No dia 26 ainda comprou o exemplar nº1338 do jornal NOVA ALIANÇA, datado de 27 de Abril de 2012.
No dia 2 de Maio este leitor assíduo sacou o exemplar nº1035 do semanário O MIRANTE, datado de 3 de Maio de 2012.
Note-se que houve o cuidado em não adquirir um exemplar do JORNAL DE ALFERRAREDE para este praça não cair em tentação de plágio nem o seu director topar tal compra para posteriormente desatar a escrever suspeições sobre os blogger’s lhe surripiarem as parangonas, tomando-os por individualidades de reduzida mobilidade, sem magicar que alguns podem aceder a voluntariosos passarões que dos diversos territórios lhe vão fornecendo as dicas!
Com a crise que se instalou, os fumos são tão bem aproveitados que nem as beatas escapam!
Repare-se que segundo informações fidedignas, no dia 27 de Abril os clientes dos cafés de Santarém, Alcanena, Torres Novas e Tomar, liam tranquilamente o exemplar nº 1382 de O RIBATEJO...
Daí em diante, este rapaz manteve-se vigilante, tentando não deixar escapar a data em que os proprietários de ambos os estabelecimentos abrantinos receberiam as notícias regionais em suporte orgânico.
Não foi necessário lembrá-los porque ambos acusaram a recepção dos exemplares, precisamente na mesma data!
E sabe o caríssimo ciberleitor de que dia se tratou?
Dois ou três dias depois a publicação?
Ou... Uma semana?
Ná!
Dia 10 de Maio de 2012!
Ou seja, foram vividos exactamente (16) dezasseis dias após a colocação do primeiro periódico nos escaparates!
Regressado a caselas, este contribuinte encontrou a caixa de correio atafulhada com correspondência endereçada, uma carimbada em 23 de Abril!
Uma pouca-vergonha, com hífen e tudo!
Disfarçando a cicatrizante  furibundeza, este munícipe resolveu interceptar o carteiro de giro que se limita a cumprir o predestinado, colhendo no entanto a informação que em Abrantes a contenção de custos se reflecte no recrutamento de mão-de-obra, fazendo uns poucos o serviço de distribuição que equivalerá ao dobro deles!
Alguns vêm desterrados de Castelo Branco apanhar bonés para Abrantes, inserindo-se em território desconhecido, enquanto outros contratados a breve trecho, requerem a constante actualização na identificação da toponímia, socorrendo-se de terceiro elemento ou do GPS que por sinal nos engana redondamente nos arruamentos de todo o concelho, ressalvando a zona histórica!
Em Abrantes deixa de fazer sentido os munícipes assinarem os periódicos pois o seu conteúdo chega aos destinatários fora de validade, a criar bicho, com mais de quinze dias de atraso, bem depois de ultrapassadas as efemérides neles anunciadas e, ou, noticiadas!  
Com esta prática o Centro de Distribuição Postal de Abrantes perde utilidade limitando a eficácia dos serviços ao correio azul, ao registado, à distribuição de correio urgente e a pouco mais.
A não ser que haja a sorte de dar entrada dois dias antes no centro, presume-se que a triagem e a redistribuição da correspondência ao consumidor final se execute de quinze em quinze dias!
A não ser que as missivas se extraviem até à vila de Abrantes no estado brasileiro da Bahia e só então regressem ao destinatário correcto...
Pelos valores selados, façamos fé que não alcancem tais lonjuras...
Outro problema concerne à extensão braçal de determinados funcionários na medida em que, cavalgando seus ruminantes e perante os receptáculos dos munícipes embutidos nos longínquos muretes e paredes das habitações, torna-se impossível aceder-lhes à greta desde a faixa de rodagem, sentindo-se tais jovens no direito de rolar sobre os passeios, testando os reflexos dos transeuntes e dos atordoados que saindo de casa em busca da cafézada mais cedo lhes despertarão os neurónios para melhor rasgarem as ondas dos mares das índias!
Para melhorar a eficácia e a prontidão, sugere-se que o prestimoso e eficaz serviço dos ctt estabeleça protocolos de colaboração com a rapaziada das pizzarias locais!
Era um ver se te avias!
Para mal dos nossos pecados, o problema cinge-se à lastimosa gestão do Centro de Distribuição Postal de Abrantes!
Água mole em pedra dura tanto dá até que fura e o ciber se sentir lesado com esta prática, dirija-se ao posto dos correios mais próximo e entupa o livro vermelho e branco, nunca reclamando nas fichas internas que lhe serão amavelmente sugeridas, mas por favor, não seja indelicado no trato para com os funcionários pois esses não são os responsáveis pela péssima gestão a que estão submetidos.

6 comentários:

Joaquim disse...

Outra situação que o Cidadão aqui não abordou prende-se com a distribuição da correspondência.
Bastas vezes as cartas são deixadas em caixas de correio diferentes do destinatário, na mesma rua ou em ruas diferentes, outras situações há em que a correspondência de endereços diferentes é deixada numa só caixa de correio.
Há que cortar nos recursos humanos para que não faltem os salários chorudos aos gestores.
Das reclamações, eles protegem-se uns aos outros!
Fosse um pequeno empresário e a porta era-lhe fechada!

O Cidadão abt disse...

Olá Joaquim:

Ai abordou, abordou!

O que é que a baiana tem?

Naquela cena em que se coloca a hipótese das cartas irem dar uma curva até à vila de Abrantes, lá para as bandas de Vera Cruz e a dificuldade dos jovens carteiros darem com as moradas correctas, tendo o GPS por guia, cujas coordenadas da maioria dos arruamentos estão trocadas!!!

alcolobre disse...

Ó cidadão, ontem fiz de carteiro. Anbei a distribuir cartas à vizinhança que estavam na minha caixa e não para mim.

Aqui - Ali - Acolá disse...

Bom dia Cidadão abt:

Ora aqui está um post que muito se poderá reflectir sobre ele e muito também se poderá pronunciar em relação a este serviço que tem cenas altamente tristes e não só.

Além de também já ter sido vítima do meu correio ter ido parar a outras portas há porém outras coisas que a mim me metem espécie como tal pode ser possível (aliás, neste país actualmente à deriva já tudo é possível).

Uma coisa que acho deplorável é no posto dos CTT de Abrantes que foi todo remodelado por dentro como se pode ver a quem lá vai, existe apenas um banco onde no máximo podem caber 4 pessoas sentadas.

Ora isto é uma coisa que não cabe na cabeça de ninguém, sendo que, de muitas vezes que já lá fui deparei com muita gente para ser atendida e as pessoas estarem de pé esperando pela sua vez onde lá dentro existe espaço suficiente para se colocarem mais bancos e as pessoas não estarem encostadas as paredes à espera da sua vez.

Isto é inadmissível e até vergonhoso, pois as pessoas fartas de contestar tal situação a tal não se liga porque a desbunda de quem está a frente disto não liga a tal.

O que se pode ver lá dentro é sim uma exposição de vendas de livros, telemóveis etc., etc. a ocuparem tanto espaço, pois o negócio está primeiro do que o bem estar das pessoas que por vezes passam lá muito tempo à espera de sua vez em pé chegando a ser penoso ver os mais idosos a penarem pelo sacrifício que fazem em estar de pé a aguardar a sua vez.

Chamo a isto uma lástima a quem foi o obreiro de tal coisa que não tem olhos nas trombas para colmatar esta situação com tanto espaço lá a ser ocupado com expositores de vendas e o essencial ser apenas um banco para no máximo 4 pessoas lá se sentarem.

Além de toda esta panóplia naquele espaço, assiste-se por vezes ao mau atendimento de uma certa pessoa que lá está ao balcão onde a sua cultura de recepção é mais de uma peixeira do que estar num seviço daqueles, conheço peixeiras que até são mais competentes que tal pessoa.

E tudo isto, nós a pagar e bem por sermos tão mal servidos por este serviço que tem cenas de alta desbunda da parte de quem o cordena.

Isto é o serviço que temos juntando-se a ele outros serviços locais onde o atendimento é uma auntentica frustração.

Teclar mais sobre isto para quê!..

Este post mostra bem a realidade daquilo que é este serviço que nos sai bem caro e muito mal servido.

Está à vista de toda a gente, pois só não vê esta tristza quem não quer porque, a verdade está bem patente aos olhos de todos.

Bom Domingo e que a recuperação esteja em forma e o que mais lhe desejo.

Força na tecla sempreeeeeee.

Artur disse...

Por intermédio de familiares meus já me apercebi que à semelhança doutros concelhos, em Abrantes os CTT concentraram os serviços e melhoraram os equipamentos mas, deixam bastante a desejar em termos de recursos humanos, relções públicas, operacionalidade e meios logisticos.
Tiraram de um lado para porem no outro!
Também me apercebo que a população se resigna com facilidade perante os atropelos do direito ao serviço com alguma qualidade e que no fim de contas se fica pela renovação da alvenaria.

MGHORTA disse...

Só espero que não sobre pata mim, ai aguenta aguenta.