LARGO DO SOBRAL
Os bonicos estão para o Zé Burreco tal como o Largo do
Sobral está para os pegachos.
Finalmente
a regeneração urbana terá chegado à aldeia das casas baixas!
Primeiro
as fitas delimitadoras da obra, depois o contentor de engenheiros e como as
árvores morrem de pé, ao fim de seis noites e sete dias desataram a abater nas
que refrescavam o Largo do Sobral,
vulgo Largo do Cruzeiro... ou vice-versa, alegando os sábios municipais que as raízes
dos plátanos levantavam a calçada, que as malditas árvores causavam alergias,
que o espaço tinha assombração a mais bem podendo ser melhor aproveitado para
eventos comerciais e bolsas de estacionamento automóvel... e como a evolução
tecnológica mudou o conceito de lazer, faz ali falta uma zona wireless para que o pessoal possa computar
à brava!
A
ver vamos se a seguir à requalificação, aqueles que busquem os acepipes pegachos não terão que meter o
petisco no parquímetro ou desfrutar um selinho à moda tubuca...
Pode
ser que não...
De
acordo com as expectativas e as altas influências de Hitoyoshi, foram designadas três espécies arbóreas supostamente
hermafroditas, não produtoras do tal pólen que fecunde os sinos e as amígdalas dos
humanos e tendo as suas raízes quadradas, se encaixam na perfeição entre os
paralelos da calçada sem os arregaçar, facilitando a posterior extracção
através de breve equação.
Serão
nomeadamente castanheiros da índia, magnólias e prunus...
E
porquê, prunus?!
Porque
entre amendoeiras e ameixeiras, o prunus dá para os dois lados e na dúvida para qual o vegetal
se virará, os autarcas aguardarão que o tronco cresça, a flor desabroche, o
fruto ecloda e aí sim...
Será
ameixeira ou amendoeira!
As
palmeiras vão ter que sair dali excepto a da germinação com a Ribeira
Brava, sendo-lhe alargada a caldeira por ter uns palmitos jeitosos!
Metendo botas ao caminho de questionar os
juves locais sobre a identidade das árvores abatidas, se seriam aciprestes,
pinheiros ou caliptos, respondem que não
fazem a mínima!
Indagando-lhes
a opinião sobre das obras de requalificação a desenrolarem-se na sua terra,
entre SMS's, abreviações orais, pastilhas elásticas, ypslowns e kappas, responderam yá :-/ ñ kurtir essas cenas ((:-« e kas políticas não é ;o( a sua praia... :-(
Abordando-os
sobre as festas que decorrerão nos tempos mais chegados e aí sim, mandaram
os ypslowns e os kappas borda fora, dizendo ter bué
da convites no facebook :-) uma
agenda complicada a repartir entre raves,
festivais de música, modinhas ao litro na Tenda do Gaddafi e outros tantos arraiais semeados pelas freguesias ;-D))
A juventude está mais virada para o divertimento... Quer dizer, há alguns que têm consciência ambiental mas na sua generalidade vivem fora do Pego, razão para que se adiantem aqui uma sequência de imagens do antes e após o abate, prevenindo-os de ataque cardíaco no dia que retornem à casinha dos avós!
Não se saindo bem-sucedido da incursão, cá o Cidadão passou a palavra aos
papás dos petizes, concluindo que sabem o nome das árvores abatidas mas quanto
à beneficiações do Largo do Sobral, o
feedback foi concentrado na liga...
Os
clubes que alinham na primeira divisão, o Benfica,
o Sporting, o Futebol Clube do Porto, o Jesus,
o Mourinho o Ronaldo e...
Tremoços!
Sai
mais um pires de tremoços!
C'um catano...
E mais uma rodada de cerveja!
Está certo... O povão necessita distracção.
Indagando
os avós dos moços, de imediato mostraram a sua desolação para com o crime
ambiental porque os plátanos sempre refrescaram a zona e ressalvando alguns alérgicos às árvores mais ninguém se
queixava eles, sendo necessário aparecer uns iluminados de fora para depois de
tantos anos descobrirem que as árvores estavam ali mal!
-Aquilo é para encher os bolsos de
mais alguns! Querem plantar outras árvores que se calhar nem vingam neste sítio
e a natureza e o ambiente são mais importantes que os carros para agora porem
ali uns estacionamentos e se calhar aquilo vai ser mais um largo para dar ganho
ao stand. Falam que a gente assim nã convivia como deve de ser!
-Antes a gente já nã sentava ali nas sombras
das árvres a conversar umas horas, ou quê?Dizem c'as copas tavam a ficar muito juntas. Atão como é que davam fresco e sombra se nã tivessem juntas? Os gajos nã sabem podar as árvres? À torrêra é que nã fica lá
ninguém! E agora, quantos mais anos essas árvres vão demorar a fazer-se?
-São engenhêêros! Êh, pá! O parque dos miúdos não
estava bem assim? Foi arranjado há pouco tempo e agora nã serve?!! Os gajos meteram borracha no chão já para aquilo durar menos tempo. Dizem que
vão pôr candeeiros novos! Estes não bondam? Estão avariados?
-Deve de ser daqueles candeeiros do Sócras! Dizem c’até vão
acabar com os muretes porque são umas barrêras que pr’ali tão mas logo a
seguir espetam com mobílias urbanas?! Nã se entende esta gente!
-Quer-se dizer. Tiram dali os bancos
porque impeçam à gente para depois lá irem prantar umas tralhas mais modernas. Vá-se
lá perceber esta malta! Só para gastar dinheiro! Vêm aí as eleições e é um
fartar vilanage para caçarem os votos ao pessoal!

-A ver se os gajos se esquecem do cruzêro! Às tantas
tambéim o tiram dali para fora! Estes engenhêros que estudaram nos livros a
destruírem assim as prantas estão mas é dando cabo do futuro da terra! Que é por causa das alergias! Alergia tem mas é ela às àrvres! Veio pr'áqui fazer o mesmo que fez no cabeço! Parece que lá no Rossio do Cabeço aquilo nã lhe correu de feição e ela teve de arrepiar caminho. Com a malta a fazer barulho agora diz que vai cortar as árvres por fazis e há uma que está inclinada por cima do quiosqui, como não seja normal as árvres serem torcidas... Depende das podas, do vento a dar-lhes e da luz para se fazerem. Aqui c'as raízis estavam a dar cabo do chão... Quer-se dizer c'as que para aí vêm nã têm raízis ou crescem para baixo. A ver se pero Tramagal, no Ribêro Sêco nã prantaram prátanos há beim pouco tempo! Deviam era pôr-los a todos aléim a beberem água na pia dos burros, que nã se perdia nada, nã sinhôr...!
-O quê?
O futuro desta terra?
-Sim sinhôr! Desta terra e do praneta intêro,
sinhôr...!
Não
faça caso das conversas, ciberleitor...
São apenas as opiniões de dois insignificantes Velhos do Restelo.
A saga prossegue »»»»» em Largo do Sobral