AVENIDA EUROPA
Avenida Europa podia ser nome de programa
radiofónico.
Podia,
mas não é!
Avenida Europa foi designação da
mais novel avenida abrantina.
Foi,
mas não o é!
A Avenida Europa
deu lugar a Avenida Dr. Mário Soares.
Logo
surgiram transtornos diversos para os primeiros colonos que nesta avenida
assentaram arraiais, pois tiveram de alterar as suas moradas nos registos
civis, comerciais e demais documentação pessoal com as consequentes despesas
daí inerentes, sem no entanto mudarem de residência.
Nessa ocasião foi uma mudança virtual com consequências analógicas ao nível das algibeiras.
Porque a anarquia é muita, na Avenida Europa, ora Dr. Mário Soares, os constrangimentos
não se quedaram por aqui...
Na Avenida Europa, cada um larga a viatura a seu belo prazer, sem respeitar as placas separadoras e as viaturas surgem pela direita, no sentido proibido da Ramalho Ortigão, como os tiros no Irão!
Quando
da abertura à circulação, esta avenida tubuca
apresentava-se limpinha, lindinha e bem sinalizadinha.
Contrastando
com o asfalto, do cimo ao fundo aquilo era um fartote de risquinhas branquinhas...
Vista
do terraço do edifício dos CTT
e afins, a avenida mais se assemelhava a asno preto com listras
brancas ou a asno branco com listras negras...
Não comparável ao código de barras porque isso se torna bastante comercial...
Talvez
mais a uma zebra...
Depois houve quem ousasse levar as passadeiras para suas casas, ou talvez sendo a tinta
aplicada na confecção, da plástica mate para paredes e tectos interiores, o certo é que com as primeiras
bátegas de água as benditas sumiram, possivelmente rolando pela avenida abaixo
direitinho à Rotunda do Olival, daí
para a Ribeira de Vale de Rãs e num
truz indo dar novas pigmentações aos peixinhos do Tejo.
Esguias enguias, lampeiras lampreias, bogas, trutas
e fanecas,
todas maquilhadas à maneira!
-Que
neura! Vade retro, Satanás!!!
Não se perca, onde vai!
O
certo é que das passadeiras, nem novas nem mandadas.
Simplesmente sumiram!
Juntando à dupla nomenclatura inicialmente referida neste post, encontramos por'li o
fenómeno da dupla personalidade, ou seja, quais Dr.Jekyll e Mister Hyde, há uns fulanos que como condutores
interpretam as leis de uma maneira e apeados, interpretam-nas segundo o seu invés.
Melhor
explicado, na ausência das passadeiras pintadas no pavimento mas com os sinais
verticais informando a localização destas, há fulanos que levam a
coisa a peito e saindo dos serviços prestados no edifício adjacente, atiram-se
que nem tordos para a frente das viaturas que circulam no sentido descendente, reclamando direitos
tão imaginários quanto as marcas rodoviárias ora ali inexistentes.
Gente corajosa que pretenderá beneficiar da reforma antecipada por invalidez, tentando apanhar
boleia nas seguradoras dos automobilistas!
Depois
de assentarem as nalgas ao volante, interpretam a coisa noutro prisma,
reclamando que ali não há passadeiras, portanto não são obrigados a ceder
passagem aos transeuntes que surgem inopinadamente de entre os automóveis estacionados
em segunda e por vezes parados em terceira fila, outra praga que por’li prolifera em dias úteis, tendo dois parques
de estacionamento nas redondezas, acima e abaixo de um dos edifícios mais
frequentados em Abrantes a seguir ao Hospital Manuel Constâncio... claro está!

Varizes. Dermatites. Hepatites. Lúmbago do pior. Gripes de muitas estirpes. Enxaquecas. Meniscos. Bicos de papagaio. Trocicolo. Pés chatos. Artrozes atrozes. Nervos miúdos. Psicoses diversas. Alergias terríveis. Corações inquietos. Distorcidas visões. Pacientes impacientes. Spam no HTML e padecências várias!
Ali cai toda a bicheza, desde sensatos mensageiros, contribuintes, pensionistas, projectistas e até gente egocentrista, comodista, de relutante locomoção,
cujos lípidos vão tomando conta do perímetro abdominal, quais estevas regurgitando
em baldio!
Bolas, cá temos de novo a barata tonta... Há que chamar os serviços de desinfestação...
Consultando os regulamentos do código da estrada concluiremos que os sinais
rectangulares de fundo azul ali plantados serão bonitos exemplares do...
H7(indicação de localização de uma passagem
para peões)...
...que
servem de complemento à marca rodoviária M11
(indica
o local por onde os peões devem efectuar o atravessamento da faixa de rodagem) e se consultarmos a relação de contraordenações rodoviárias descobriremos que na alínea i) do artº 145º, para o condutor se
considera contraordenação grave a não cedência de passagem aos peões nas passagens
para o efeito assinaladas... perante a marca M11, claro está!
Atenção
que mesmo sobre as zebras, os peões não podem atravessar a faixa de rodagem sem
previamente se certificarem de que, tendo em conta a distância que os separa
dos veículos que nela transitam e a respectiva velocidade, o podem fazer sem
perigo de acidente (artº101).
-Portanto
com a M11 não se brinca!
Só
por si, os sinais H7 não surtem
efeito em termos de cedência de passagem, funcionando com cariz informativo e servindo para localizar as passadeiras que por
sinal... escapuliram!
Sendo a entidade que tutela a avenida, em
caso de sinistro rodoviário caberá aqui uma palavrinha à Câmara Municipal de Abrantes por deficiência de sinalização que leva
a induzir os utentes em erro e mesmo induzindo alguns casmurros a travem-se de razões fúteis
com quem passa, ou com quem se fica!
Uma prostradela por aquelas paragens assistindo a troca de mimos entre os transeuntes mais inflamados, será ideal para enriquecermos a verborreia vernácula que será inversamente proporcional à míngua de valores!