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Este militante anti-cinzentista adverte que o blogue poderá conter textos ou imagens socialmente chocantes, pelo que a sua execução incomodará algumas mentalidades mais conservadoras ou sensíveis, não pretendendo pactuar com o padronizado, correndo o risco de se tornar de difícil assimilação e aceitação para alguns leitores! Se isso ocorrer, então estará a alcançar os objectivos pretendidos, agitando consciências acomodadas, automatizadas, padronizadas, politicamente correctas, adormecidas... ou espartilhadas por fórmulas e preconceitos. Embora parte dos seus artigos se possam "condimentar" com alguma "gíria", não confundirá "liberdade de expressão" com libertinagem de expressão, considerando que "a nossa liberdade termina onde começa a liberdade dos outros"(K.Marx). Apresentará o conteúdo dos seus posts de modo satírico, irónico, sarcástico, dinâmico, algo corrosivo, ou profundo e reflexivo, pausado, daí o insistente uso de reticências, para que no termo das suas incursões, os ciberleitores olhem o mundo de uma maneira um pouco diferente... e tendam a "deixá-lo um bocadinho melhor do que o encontraram" (B.Powell). Na coluna à esquerda, o ciberleitor encontrará uma lista de interessantes sítios a consultar, abrangendo distintas correntes político-partidárias ou sociais, que não significará a conotação ou a "rotulagem" do Cidadão abt com alguma dessas correntes... mas tão só a abertura e o consequente o enriquecimento resultantes da análise aos diferentes ideais e correntes de opinião, porquanto os mesmos abordam temas pertinentes, actuais, válidos e úteis, dando especial primazia aos "nossos" blogues autóctones... Uma acutilância aqui, uma ironia ali, uma dica do além... Assim se vai construindo este blogue... Ligue o som e... Boas leituras.

domingo, 8 de dezembro de 2013

SETE RÉUS

SETE RÉUS

  Os que tentam descobrir os mistérios da criação concluíram recentemente que a exposição prolongada aos artifícios das novas tecnologias de informação e comunicação desenvolve a frontal e as laterais da massa encefálica, atrofiando as centralinas analógicas localizadas algures entre o tálamo e o hipotálamo, fomentando distúrbios psicomotores no ser humano... 
Dentro de tal âmbito, a passividade dos progenitores vai facultando uma sucessão de "internetos" cujas principais características incidem nos polegares desenvolvidos sem presa relativamente aos indicadores, uso excessivo de "kapas" e omissões alfabéticas na escrita, repulsa a raciocínios lógico-matemáticos bem como distúrbios cinestésicos, caminhado a passos largos para uma geração de nativos digitais que, ressalvando o futebol e alguns desportos menos solicitados e circunscritos a determinados grupos etários, deixam de saber o que é andar de bicicleta, jogar ao berlinde ou à cabra cega, salltar ao eixo, trepar a uma árvore, recrear às escondidas, enfim, brincar em espaços intrínsecos à natureza onde teriam oportunidade de fortalecer livremente as faculdades psicomotoras e desenvolver defesas orgânicas contra as agressões ambientais!
Talvez sejam esses motivos que impelem o Cidadão a contar-vos mais alguns dos seus segredos, ou talvez não...
Fundamentado em tal teoria, este munícipe resolveu afastar-se do software e ausentando-se da santa terrinha, beneficiou duma visão bastante globalizada dos acontecimentos que nela se iam desenrolando, pelo que durante quatro semanas, os órgãos de comunicação social se encarregaram de lhe ir enviando a catadupa de novidades para a estratosfera!
Atendendo a esta paisagem, concluiremos sem margem para dúvidas que Platão teria razão na narrativa do famoso diálogo entre Glauco e Sócrates, sobre a Alegoria da Caverna!
A certa altura foi confuso determinar qual Abrantes era noticiada em cada instante, se a do continente Americano ou a do Europeu, pelo que as dúvidas se dissiparam a partir do momento em que a bela da ministra Assunção Cristas se deslocou às Mouriscas e aí sim, através dos sinais de GPS emitidos pelas viaturas da comitiva tornou-se possível identificar a Abrantes em questão, não fosse a donzela ir parar a um aviário de poedeiras na vez de inaugurar o lagar sem mós da Escola Profissional de Desenvolvimento Rural de Abrantes!!
Também a acompanhou um barbas qualquer coisa do Crato que de momento não vem à ideia...
O veredicto do julgamento da camorra abrantina e a captura dum suspeito no negócio de fármacos monopolizaram a atenção dos populares, suplantado a digressão agro-educacional da ministerial parelha Cristas-Crato conforme se foi detectando através da concentração de pontinhos que lá bem ao fundo luziam sobre a zona da Abrantes tubuca, onde a 5 de Dezembro do corrente ano o EUMETSAT registou maior actividade junto à cabeceira do Largo 1º de Maio...
Depois do aturado trabalho das forças policiais que interpelaram uns quantos aspirantes a guardas-nocturnos, desde o transacto Fevereiro que esses zelosos foram convidados a reunir-se umas vinte vezes com o Senhor Doutor Juiz no sentido de decidirem quanto à legalidade das suas profissões, assunto que no entendimento cá do Cidadão, teria sido mal instruído, na medida em que o processo colectivo deveria ter sido remetido  ao Tribunal de Trabalho... 

Palavra puxa palavra e vai daí, as conclusões resultaram mais que evidentes na medida em que não se encontrando estes sete senhores colectados nas Finanças, não tendo registado a marca na Conservatória do Registo Comercial, não descontando para a Segurança Social, não efectuando o Pagamento Especial por Conta, não declarando IRC ou IRS nem possuindo escrita organizada, consistiria uma enorme injustiça acusá-los de funcionarem como organização não-governamental, sociedade comercial, cooperativa, entidade desportiva, ou outro género de associação benemérita sem fins lucrativos, nem muito menos se lhes reconheceu actividade profissional remunerada ou estável onde fosse possível colher impostos e fundamentasse a fuga ao fisco ou dívidas às finanças públicas por o negócio não dar e só sendo esses factos dados como provados se justificaria que os sete réus fossem severamente punidos por crime de lesa pátria.
Para além destes preceitos, os comerciantes e outros caluniadores da sociedade abrantina deveriam ver os seus estabelecimentos comerciais encerrados bem como grande parte da população que tem recusado dialogar interculturamente merecia ir de cana para assim perceber de uma vez por todas o que custa viver à margem da sociedade ostracizante para com estes injustiçados que se limitavam a viver da esmolinha materializada em géneros alimentícios e uns euritos à mistura pelos serviços prestados, uma vez que os subsídios de reinserção se revelam insuficientes para enfrentar as despesas com bens de primeira necessidade! 
Para poupar na tribuna, o Senhor Doutor Juiz teve a gentileza de abreviar a leitura do acórdão com trezentas páginas onde realmente apenas cem se aproveitaram!
Os constrangimentos sofridos e os incómodos causados aos senhores guardas prisionais por pessoas que se viram acusadas de factos infundados e as despesas que o Estado Português vem suportando com logística, meios humanos, assistentes judiciais, juristas e outros delegados de justiça, sem referirmos o desperdício com o sustento dos arguidos perante este longo processo instruído numa nação mergulhada em profunda crise económica e contendo determinadas matérias sem nexo que foram verificadas  no decorrer das acções judiciais cujo veredicto culminou em apenas três detenções, seriam dignos duma vista d'olhos da troika.
Ingrato porém é o facto destes sete senhores terem sido equiparados a uma “camorra” pela sociedade abrantina que como já aqui foi referido por outras letrinhas, se vai revelando discriminatória e algo hostil para com esta minoria desfavorecida, pelo que lhes será devido o merecido acompanhamento psicológico!!
Em primeiro, porque "camorra" é expressão atribuída a uma organização italiana bem extruturada e pelo que saibamos, isto ainda é território português e em segundo lugar, porque as organizações dessa índole são tuteladas por um padrinho, contrariando o módus operandi deste povo que não se governa nem se deixa governar nem estes senhores detêm os monopólios sobre importação ilegal de carnes ou produção de cimentos, com o reforço jurídico de neste jardim à beira mar plantado as cartelizações se cingirem ao fornecimento de energias petrolíferas, à electricidade, ao controlo das telecomunicações e aos bancos privados e pelo que se vai sabendo, pese serem de grandes famílias e geridas por indivíduos com magnâmicos ordenados pagos pelas nossas finanças publicas, nem a estas organizações foi atribuído o epíteto napolitano quanto mais a um pequeno grupo de beneméritos sociais, daí que o Senhor Doutor Juiz fosse benevolente nas penas atribuídas aos desgraçados injustamente acusados de umas quantas malfeitorias, desagravadas pelo pressuposto de não terem mandado o nosso Presidente da República trabalhar, somente ficando provada a posse duma fuscazinha que se justificaria em ambientes hostis, não fosse o Diabo tecê-las, e confirmadas escassas agressões de menor relevo, depois de alguns baristas e merceeiros da urbe tubuca terem subestimado as voluntariosas almas que pretenderiam parametrizar a segurança de todos abrantinos no intuito de sanarem o sentimento generalizado de vulnerabilidade social que vai grassando na urbe.
Convenhamos que desde a Batalha de Aljubarrota, jamais queremos castelhanos invadindo o território luso e devido ao perigo que estes representam para a soberania nacional, nada melhor que lhes pregarmos uns  amassos à laia da padeira lá do sítio e que se tomem medidas no sentido de impor respeito aos fomentadores de desordens, porquanto, cientes de que a noite será má conselheira, dela quererão fazer dia!
Sugere-se pois que os sete réus, entre os quais se inclui um inimputável, recorram da sentença para o Supremo ou para o Tribunal Europeu dos Direitos Humanos no sentido de lavarem o estigma que sobre eles desabou ao serem apelidados de “camorra abrantina” e aliviarem as penas que sobre si assentaram, sobejamente pesadas para os factos provados, ao passo que algumas testemunhas do processo se redimiram quando lhes meteram a mão na consciência, atentando que este género de iniciativas serão louváveis para o garante de empregos e sedentarismo dos funcionários administrativos e judiciais numa época em que nos é incrementado o encerramento de tribunais por escassez de freguesia, no âmbito da Reforma da Organização Judiciária em curso!!!
Un'altra cosa che tormenta la nostra anima si riferisce all’anno e mezzo de reflectidos estudos culminados num mandato do mandato do Senhor Doutor Juiz para que os senhores agentes encarnassem na figura do carteiro e fossem tocar duas vezes à campainha das residências dum pacato cidadão, esquecendo porém que no romance de James Cain, Frank e a sua heroína Cora acabaram absolvidos do processo em que estiveram envolvidos!
Entendam-se as razões que levaram um magistrado a importunar o sossegado e pacato munícipe durante a hora da sexta, sendo que se acontecesse em Espanha, tal acção seria considerada um atentado ao metabolismo humano!!!
Está-se mesmo a ver que para a próxima será abordada a obra literária de Tennessee Williams sob a égide “Gata em Telhado e Zinco Quente”...
...para não citarmos “Um Violino no Telhado”, de Joseph Stein,  nem vindo a despropósito “O Leiteiro”, de  Shalon Aleichem... (do hebraico “a paz esteja convosco”)...
O que aqui causa espécie foram os aturados estudos e a movimentação logística que culminaram na distribuição de correspondência registada com aviso de recepção a um único munícipe que se viu na contingência de prescindir da sua viatura pessoal com alguma cilindrada, do seu material informático, das suas memórias encartoladas, dos seus gadjet’s e de toda uma panóplia de mercadoria que lhe garantia a subsistência nesta selva urbana!
Segundo consta, o notificado viveria da comercialização de produtos químicos desd´antanho utilizados por Sigmund Freud nas sessões psicanalíticas, que os administraria aos seus pacientes no sarar dos males da altitude, de complicações asmáticas, anestesias locais, restauros afrodisíacos, curas da sífilis, inibição de histerias, regulação de perturbações digestivas e até funcionando como psicótico, reparem bem!
Sendo que nem todos os munícipes comungam do distúrbio psíquico cá do Cidadão que lhe permite viajar, reflectir, estudar, ler, imaginar, criar, escrever, sorrir e fazer gargalhar terceiros com dispensa tais químicos, em tempos de crise serão esses fármacos de venda controlada, a alternativa viável e acessível para algumas gentes que dispensarão a chatice de verter horas a fio no Serviço Nacional de Saúde afim de ouvirem as secas dos médicos e obterem o indispensável receituário para a medicação de idênticos princípios activos, destinados a semelhantes fins...
No entanto parece que a banca de carácter ambulatório pecava por falta de director farmacêutico, de horário de trabalho, careceria de registo nas finanças e de técnico oficial de contas, ao que o Senhor Doutor Juiz ter-se-á redimido da precipitação, devolvendo a correspondência ao remetente na medida em que sendo a justiça dos homens infinitamente falível perante a justiça de Deus, ficaram por apurar quais as vias que levaram os carteiros a alcançarem tais fins sem que para isso tivessem distribuído correspondência por bastantes outos receptáculos da carteira de clientes cujo farmacêutico seria assistente e uma vez que poderia vencer a validade do grandioso stock, este foi recolhido pelas autoridades competentes para posterior análise sobre a pureza do produto e como vai fazendo um frio do catano pouco dado a que se ande na rua, recomendaram ao comerciante para que se resguardasse em casa e se apresentasse periodicamente junto às autoridades locais para que lhe sejam diagnosticados hipotéticos estados gripais por mor de anteriores exposições às intempéries!

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

O TABORDA

O TABORDA

 Tudo remonta ao mês de apanhar a espiga quando daquele empedrado jardim tubuco os cleptobronzes invitaram o busto do Actor Taborda a fazer uma passeata de se lhe tirar o chapéu...
Na altura supôs-se que tal como as rapariguinhas recrutadas em terras de Strogoff ou Vera Cruz, também este abrantino tivesse sido levado ao engano...
Vencidos sessenta noites e outros tantos dias, completamente enlameado, desgrenhado e com a barba por desfazer, o dito busto foi encontrado num terreno baldio algures entre o Norte e o Sul, presumindo-se que os cleptobronzes terão perdido a cabeça ao descreverem curvas mais acentuada ou que devido aos seus bonitos 101 anos de idade, o busto do Taborda terá descurado o rumo devido a complicações de Alzheimer, assim enveredando por caminhos erróneos.
Incrível mesmo é que ao subir a calçada do Mazagão num desses giros armados à Night Runner, cá o Cidadão se deparou com o actor novamente quedo e calado sobre o respectivo pedestal...
O fulano ali tão sossegado, sem tugir nem mugir... Ein?
Como podereis reparar, foi a primeira tentativa gorada de documentar o local em questão, não tendo obtido sucesso devido o emplastro que inesperadamente se atravancou diante da maquineta digital, exactamente no momento em que este munícipe lhe pressionava o botão no intuito de capturar imagens frescas do bem aventurado busto em boa hora reposto...
Presume-se que este inoportuno exemplar decerto não terá escapulido do Colégio Nossa Senhora de Fátima, ou mais ao lado, do Convento Nossa Senhora da Esperança, entretanto Teatro Taborda
Por instantes cá o Cidadão supôs tratar-se dum erro de paralaxe ou processamento de informação ou ainda que algum brincalhão lhe tivesse previamente alojado o conteúdo na maquineta de modo a produzir este efeito... mas era a atentatória e infeliz realidade de Berzebú!
Os contratempos que um fulano arrosta durante o exercício das funções blogueiras são por demais!
Qualquer dia passará a ser exigido aos blogger's um seguro contra danos próprios, senão reparem na capicua deste post... que foi publicado a 13 de Novembro de 2013, pelas 23 horas e 31 minutos!
O certo é que volta e meia dão coisas ruins às estátuas tubucas tendo o caso mais recente sido diagnosticado a D. Francisco de Almeida...
...que como prezável vice-rei das índias, estaria de pantufas e tendo as mãos ocupadas com o bastão e a bainha da espada, se terá atirado do pedestal abaixo ao ser afrontado pelo surto de bexigas loucas que lhe terão causado umas comichões do camandro!
Há quem diga que o local é atreito a alergias devido aos plátanos e aos aloendros e que em dia de denso nevoeiro o D. Francisco de Almeida reaparecerá na praça de acesso Norte ao castelo e bem perto do Alcaide onde poderá butir umas b’jecas alouradas mas que por enquanto estará internado nas oficinas clínicas da câmara, submetendo-se a aturados tratamentos à derme que no futuro lhe beneficiarão o visual!...
Seja como fôr, o Taborda regressou ao poleiro e há quem por aí diga que à semelhança das minas antipessoal, os técnicos do município lhe encastraram um impulsionador invertido no pedestal que enviará o alerta e um dispositivo emissor de sinal de posicionamento global no busto com o intento de avisar atempadamente as entidades de segurança pública e monitorizar as andanças da cabeça do actor caso os dedos de algum delinquente se lhe grudam aos bronzes!
Bom... 
O ciberleitor só acreditará nisto se quiser, porquanto a mais não é obrigado!

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

O ESPECTRO

O ESPECTRO


  Cá o Cidadão levou alguns dias a recuperar da apatia antecedida do estertor em que caiu, após ter assistido a um dos mais rocambolescos episódios da sua vida, concluindo que de facto há pelo menos um fantasma em Abrantes
Oh! Sim! Segundo consta, as catacumbas do Paços do Concelho e do Palácio Falcão estão assombradas por enorme avejão que amofina os edis em todo o lugar!...
A cena foi de tal forma avassaladora que para além de empossados, terá deixado os protagonistas assombrados, possuídos, empoçados, possessos e com o protagonismo em baixo de forma devido à súbita aparição dum espectro de tal forma impactante que nos últimos dias pelo burgo não se tem falado noutro assunto, convidando à redacção de mais esta fantástica crónica num só acto!
Como que anunciando algo de paranormal, pairava um suave aroma a arruda traçada a rosmaninho queimado no ar naquela memorável tarde de Sábado 19 de Outubro...
Respondendo ao convite para a Cerimónia de Instalação dos Órgãos Autárquicos, numerosos transeuntes iam-se acumulando junto à Escola Doutor Manuel Fernandes enquanto o tempo escorria lento sobre a linha avermelhada do horizonte onde os raios de Sol teimavam em rasgar as nebulosas farripas...
Assazes minutos vencidos foram suficientes para que a noite de Lua Cheia se pressagiasse sobre os negros e cinzentos automóveis de gama alta que iam disputando os cada vez mais escassos espaços de estacionamento, à medida que as imensas cadeiras perfiladas no amplo auditório da escola aguardavam os ensurdecedores murmúrios dos convidados que nelas se acomodavam se bem quando a ténue essência da arruda entrecruzada a laivos de rosmaninho foi abafada por caprichoso odor a Denim do vulto do humanóide que ousara retalhar o pertinaz clarão proveniente dos espessos cortinados que dissimulavam as portadas do auditório...
Perante o espanto dos presentes, a sinistra figura que ora se erguia, ora aparentava pairar rente ao soalho, foi-se acomodar numa das poucas cadeiras livres do auditório, cuja mingua dos murmúrios denunciava a apreensão dos convidados perante tal aparição...
Não houveram soado as pancadinhas de Molière e já o espectáculo parecia ter começado...
De um extremo ao outro, a corrida mesa plantada no palco foi sendo preenchida pelas personalidades do fim de tarde, constando do arranque da cerimónia de tomada de posse dos órgãos autárquicos futuramente a vigorar no Concelho de Abrantes durante os quatro seguintes anos...
O público ia partilhando as atenções entre os movimentos do palco e a lúgubre figura, qual estátua de cera que permanecia queda e em soturno silêncio...

-Oh! Pá! Esse gajo não tem vergonha nenhuma...
-E alguns destes que aqui estão, terão alguma vergonha? Se o gajo veio é porque deve ter sido convidado... não?
Ouvia-se na plateia...

-Aquele ali não é o Barão Vermelho?
A indagação de alguém para alguèm...

-Olha! Olha! O patrãozinho veio felicitar o seu padrinho...
Soou noutra direcção...

-Bolas! Que desplante! É preciso ter córágem...
-Não sabe que esse Barão já é um mito urbano? Ele aparece e desaparece quando menos se espera...
-Se calhar  o promotor veio liquidar os 1.1 milhões de euros...
Um singelo fragmento de diálogo...

No auditório, o clima social mais se assemelhava ao ambiente do “Fantasma da Ópera” porquanto lá fora já a noite se instalara e as luzes se acendiam quando o cerimonial passou ao interminável desfilar de assinaturas, abraços, beijinhos, apertos de mão e discursos protocolares, dando-se realce ao cartesiano botado pelo recém-empossado Presidente da Assembleia Municipal que deu largas ao pleonasmo, brindando o público com algumas elipses perante meia plateia embasbacada e a outra meia de ôlho no avejão que encetara em levitar pelo espaço...
Senão leiamos este breve trecho da oração do senhor em questão...
“Pela primeira vez a minha (a nossa) geração olha e vê uma situação em que:
- a economia se afunda “ para baixo”
- a desigualdade “sobe para cima”
- o bem estar “recua para trás”
- a prosperidade vira empobrecimento
- o progresso vira retrocesso
- a democracia europeia arrasta os pés
- o passado nacionalista e xenófobo parece ressuscitar
- os fantasmas dos autoritarismos começam a renascer”

Decerto que a alusão aos fantasmas autoritários, terá consistido numa ode dirigida ao Barão Vermelho...
Se quem compôs este excelente discurso foi o mesmo doutor que redigiu o protocolo da negociata com o Fantasma da Assembleia, perdão, com o Barão Vermelho, terá que rectificar o seu erro gramatical no termo desligitima para um singelo “deslegitima”. Porém, nada de preocupante, mas há por aqui um pormenor que agradou ao Cidadão...
Enquanto a re-presidenta e respectivos órgãos da comunicação social regionalista subsidiados pelo regime se fartam de bradar aos Céus que os sufrágios autárquicos deram uma retumbante vitória aos reinstalados, este seguidor de Descartes terá por ventura mijado um bocadinho fora do penico e sido algo mais certeiro com o seguinte tiro no pequenito e quão singelo pé da presidenta:
“O espaço público da cidadania contrai-se. Os cidadãos eleitores afastam-se: a abstenção, o voto branco e o voto nulo crescem.
Nós, todos nós, acabámos de ser eleitos pelos cidadãos eleitores de concelho de Abrantes.
Primeira nota a registar:
- de modo genérico fomos eleitos com menos votos. Mas com mais votos na abstenção, nos votos brancos, no voto nulo.
Precisamos de ter a humildade de andar com isto na nossa cabeça. Tirar as devidas lições. Agir em conformidade”

Teria naturalmente sido com este excerto que a plateia vibrou, estremeceu e olhou de soslaio para a alma penada... perdão, Barão Vermelho!
“4.2 No País precisamos de cultivar uma cidadania exigente. Exigir reformas sérias e profundas no sistema e nas instituições políticas – e lutar por isso nos nossos partidos e nas instituições onde estamos.
Desde a exclusividade no exercício de funções de representação, nomeadamente de deputado, à alteração da legislação eleitoral e redefinição dos círculos, a realização de primárias abertas aos cidadãos para a escolha de candidatos a cargos de representação social, à abertura a candidaturas independentes também à AR, o combate à corrupção, a criminalização do enriquecimento sem causa lícita, a promoção da ética e da transparência no Estado e na Administração – a exigência de uma justiça que funcione: eis alguns tópicos de devem e temos que colocar no debate político”
No final da cerimónia e face a quão sublime discurso, flutuando frente à assistência estarrecida sem antes ter pairado um bocadinho sobre a mesa da Assembleia, o espectro do Barão Vermelho pousou suavemente rente ao palanque, expectando-se que trazendo consigo o tal cheque de um milhão e cem mil euros do povoléu e que perante tantas testemunhas aproveitaria o momento solene para o entregar à presidenta do município tubuco... dando a boa nova que desta feita arrancaria em força com o mega-projecto do Casal Cortido...
-Mas não!!!
Mais uma vez a montanha parira um rato porquanto o espectro apenas pretenderia saudar os presentes, felicitar os ganhadores e desejar boa sorte ao recém-constituído executivo! 
Concluído o discurso, diga-se de passagem que terá sido um alívio para os presentes que não sabiam muito bem se às páginas tantas o Barão Vermelho se transformaria numa temível hidra de sete cabeças!!!
Dali os expectantes rumaram a jantarada tal, onde o restaurante contratado para servir as orgásticas refeições teve oportunidade de demonstrar bom gosto na decoração e enorme habilidade geométrica!
A barracada toda é se num destes dias o Barão Vermelho aparece por aí, liquida os 1.1 milhões de euros ao município abrantino, constrói as famigeradas fábricas de painéis fotovoltaicos e cria os prometidos dois mil empregos homofóbicos... 
Como estamos perto do Natal...

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

A MANCHETE


A MANCHETE

 Subestimando as boas relações entre as cúpulas de ambos os países e entendendo que a pasta dos Negócios Estrangeiros seria monótona demais, resolveu o Rui Tuga substituir-se aos jornalistas e arriscando-se a ir parar ao olho da rua, fez manchete na coisa diplomática enchendo as medidas dos órgãos de comunicação social de duas nações e demais países interessados na contenda!!
Numa de bilateral foi visitar os magnatas dos diamantes e do petróleo angolano e supondo que o seu antecessor Paulinho das Feiras o desconhecesse, desatou a palrar para os media e homólogos angolanos que em Portugal, para além das duas filhas do Kitumba, haveriam mais onze altas patentes do país anfitrião suspeitas no envolvimento em matérias ilícitas e sob investigação no Departamento Central de Investigação e Acção Penal do País visitante!!!
Como não há fumo sem fogo nem corrupto sem corruptor, a tempo oportuno imiscuiu-se um ex-embaixador angolano, denunciando que no verso da moeda estarão o dobro de gestores portugueses topo de gama ligados à banca, à energia, ao direito, à construção civil e à distribuição, envolvidos na mesma substância penal!
- Ora "porra"! 
(Atenção que isto não é a Adega de Alcanhões)
Ignorará o Rui Tuga que a cooperação luso-angolana é bilateral em todas as frentes e linhas?!
diplomata português menosprezará as regras protocolares de etiqueta e boas maneiras que desaconselham ao hóspede apontar os defeitos do anfitrião sob pena se candidatar a situações constrangedoras como esta?
Abnegará este Ministro do Estado e dos Negócios Estrangeiros que o preço do petróleo, a cor do dinheiro e o valor dos diamantes suplantam as meras questiúnculas judiciais? 
Não lhe terá o antecessor posto ao corrente destas regras de ouro?
O Jurista desconhecerá que o vil metal corrompe e que ganharia mais em estar calado, evitando constrangimentos diplomáticos entre as cúpulas dos dois países?
Não entenderá o ministro em exercício que quanto mais na porcaria se mexe, mais ela cheira?
Por ingenuidade desejaria o diplomata alterar o rumo da maquinação de interesses bilaterais com profundas raízes nas cúpulas económicas e sociais de ambos os países ou quereria o Parente esturricar a imagem das elites angolanas que vêm deixar milhares de dólares nas boutiques da capital Lusa?
A explicação melhor perfilada é que o Rui Tuga terá batido com a língua nos dentes por não aceder atempadamente à tese de doutoramento em Relações Internacionais por Via da Experiência defendida pelo Senhor Cassola, ex Ministro-adjunto e dos Assuntos Parlamentares, onde em determinado parágrafo estará definido que as liberdades de comunicação e de expressão são incompatíveis com a cooperação estratégica entre Portugal Angola...
Ao menos que a seu tempo pusesse os olhos no que sucedeu a Pedro Rosa Mendes por se ter esmerado numa crónica inconveniente vertendo sobre tal temática...
O Soba bem garantiu que os portugueses se encontravam em posição privilegiada perante o mercado angolano que num espírito de amizade e cooperação entre povos por aqui investe à fartazana e as reminiscências de proveniência marginal estavam identificadas e isoladas, sendo coisa remetida para o passado...
-Bolas, Rui! Há cenas que têm de ser tratadas com pinças...
Por um lado as oligarquias dos usurários à boleia da Troika e por outro, o capitalismo angolano asfixiando a nossa soberania nacional!
Já no século XV os discípulos de Diogo Cão recrutavam rapariguinhas provincianas para serem oferendadas aos haréns dos reis africanos confirmando que desde os tempos quinhentistas os negócios luso-angolanos suplantam a soberania e a independência do Poder Judicial...
A alarvice com que o Chancerelle fez manchete arrisca a termos de partilhar este solarengo rectângulo com os duzentos mil patrícios que vão fazendo vida nas áridas terras do N’dongo e do Matamba!
Vale-nos que os dissabores de política externa se cingem às cúpulas bilaterais dos Estados de direito onde se confunde diplomacia com interesses estritamente económicos e de âmbito individual...
É que o Kitumba anunciou o fim unilateral da parceria estratégica com Portugal e segundo o andamento da carroça, não tardará muito em também enviar o Colar da Ordem do Infante D. Henrique pelo esgoto abaixo...
Nem com a crise diplomática do Mantorras nos tempos sócratinos representado interncionalmemnte  pelo ministro mais bem Amado, este fulano a quem foi delegada a representação internacional da aliança Passos-Portas aprendeu a lição de que a República não deverá andar às turras com os magnatas angolanos!
Alguém tem dúvidas que este arrufo diplomático será reconciliado em nome do petróleo, do sangue do Cuangodas pedras das Lundas, do Tchege Malanje?
Até à data em que este post foi publicado, os Kitumbas de lá têm sido mais espertos do que os Kitumbas de cá...

sábado, 5 de outubro de 2013

OBRIGADA!

OBRIGADA!


 Aqui, continuamos juntos. OBRIGADA!” 
A parangona que a seguir às Autárquicas de 2013 poderemos encontrar publicitada em enormes cartazes plantados junto às rotundas deste quão peculiar concelho de Abrantes...
A máquina partidária dos socialistas tubucos enveredou por uma eficaz estratégia de marketing político tendo surgido em força no terreno ao anunciar a novel e promissora Comissão Autárquica para a Cidadania, conseguindo aglutinar cidadãos algo mediáticos e simpatizantes de outros quadrantes ideológicos em torno de uma causa subdividida em reuniões sectoriais, iniciativa que d’ora avante se irá desvanecendo por ordem natural, confirmando a sina de que o tempo tudo cura...
Tal como aconteceu há quatro anos com a Cidadania XXI.
Alguém se lembrará disto?
Foi a rápida recuperação e repintura de vias públicas e muitas outras pequenas obras de fachada associadas a uma catadupa de iniciativas lúdicas, desportivas e culturais que só voltarão a repeti-se daqui a quatro anos, sendo 60 mil euros da comissão política investidos na máquina propagandista, em reapresentações dos candidatos de freguesia em freguesia, na redistribuição de brindes logotipados, na sucessiva remodelação de outdor’s, nas idas aos mercados e outros insistentes contactos com as populações locais, foi a abertura de um gabinete de atendimento personalizado no 18 da Rua Luís de Camões em que o poder autárquico se fundiu com a concelhia do partido aglutinando a imagem de algumas figuras semi-públicas nas áreas do desporto, da cultura, do comércio e da indústria... 
Estações autárquicas de dois em dois anos seria o ideal!
Aqui, funcionaram as teses de Friedrich Hegel em articulação com a emissora de ondas hertzianas subsidiada pelas parcerias municipais.
Parabéns aos gestores publicitários!
É certo e sabido que parte significativa da população de Abrantes assume a sigla do partido no poder como de identidade clubista se tratasse, ao ponto da comitiva durante as arruadas ter envergado camisolas uniformes de inspiração desportiva, propagando a ideia de coesão e em contrapartida os demais candidatos remeteram a sua projecção popular para os últimos quinze dias onde pouco mais fizeram do que afixar alguns cartazes, não se esmerando no trabalho de campo, não se apresentando nem promovendo rotinas de insistentes contactos com as populações, revelando falta de tenacidade e notória passividade que aos olhos das gentes bem poderá ter sido interpretada como comodismo algo nefasto para a hipotética gestão do município.
Sabemos que directa ou indirectamente, a Câmara Municipal de Abrantes é o maior empregador do concelho e que bastantes empresas e comércio local contam com os organismos municipais e estaduais para as tirar do sufoco económico e as relançar no mercado, apostando num elenco sobejamente conhecido que lhes inspire confiança nos objectivos a atingir, em detrimento de outros candidatos menos projectados no território, sendo certo que uma parte informada da população, especialmente das zonas mais densamente habitadas, ciente dos grandes fiascos financeiros da gestão municipal, interpretará tal esbanjamento de erário público com oliveiras centenárias e demais negociatas de imobiliário alienado por um décimo do valor de aquisição ou do valor matricial como sinónimo de abastança económica do município e no subconsciente as clientelas ensaiarão o trampolim municipal para alavancagem à subsidio-dependência em articulação com os organismos estaduais de cariz europeu, enquanto a outra metade da população se abnegará aos sufrágios... 
Entendemos que cada vez mais o ser humano é impelido por interesses e contrapartidas em detrimento das causas e princípios, não sendo por acaso que um dos estandartes durante a campanha eleitoral se sustentava no pedido do voto de confiança, porta a porta, fundamentado nos resquícios familiares, no amigo da câmara, da junta de freguesia ou de outra entidade administrativa que em determinada ocasião despachara um processo mais ou menos emperrado, satisfizera uma necessidade, correspondera a um pedido, mandara limpar o caminho, promovera a recuperação do fontanário ou tenha dado parecer favorável a uma reclamação, como se tais "obséquios" extravasassem as tarefas administrativas dos candidatos e suas arrastadeiras, no âmbito das funções que lhes foram delegadas.
"Em terra de cegos, quem te um olho é rei" será um provérbio inversamente proporcional ao grau de conhecimento e literacia das sociedades. 
Por exemplo... cá, continuamos eternamente agradecidos!
É disso exemplo a população de Oeiras que prefere ser administrada pelo Isaltino Morais “em cadeia de comando,” do que por um Moita Flores à solta!
Registando-se uma afluência às urnas de 51,92% num universo dos 18.210 votantes entre os quais, 887 munícipes votaram em branco por razões de insatisfação aliadas ao receio das consequências pseudo-administrativas inerentes a não anotar a sua participação cívica nas listas, perfazendo 17.323 eleitores.
Questionemos-nos pois, sobre o que é feito dos restantes 16.865 abstencionistas?
Não acreditando em zombies e considerando que o último recenseamento eleitoral remonta ao ano de 2012, teremos que reduzir os abstencionistas em 10% por razão dos óbitos não aventados dos cadernos eleitorais e se lhes  juntarmos os 5% que desistiram de viver neste lindo jardim à beira mar plantado, optando por outras paragens mais hospitaleiras, contabilizaremos 14.420 indivíduos em que um número residual poderá não ter tido oportunidade de se deslocar às mesas de voto, sendo axiomático que a maioria dos netos dos homens que nunca foram meninos não se encontra motivada para as questões sociais nem sensibilizada para as causas de cidadania, subvalorizando os actos cívicos em prol das actividades lúdicas.
Reparemos que na noite do escrutínio, os telespectadores dos canais abertos preferiram satisfazer o voyeurismo na apresentação dos concorrentes em mais um reality-show de cariz pimba, em detrimento dos escrutínios autárquicos!
Se mitigarmos os números da emigração e dos óbitos, concluiremos que no país, aproximadamente 3.848.324 munícipes se abstiveram de votar, significando que pelo menos 34% dos portugueses se estão simplesmente  borrifando para as questões políticas e para os desígnios do país que os acolhe... 
Porquê?  
No íntimo bem sabemos que inserido no universo dos munícipes não votantes e daqueles que votaram em branco, reside um enorme leque de decepcionados, maltratados pelo Estado e amargurados com os políticos que regeram, regem ou se propõem reger o bem público, consistindo exactamente numa fatia de cidadãos auto-suficientes que não acredita em discursos fictícios, sorrisos amarelos, abraços, beijos e promessas ocas, nem deposita a mínima confiança em campanhas de sensibilizações oportunistas e diariamente sofre na pele a pressão dos impostos, contribuições, taxas, sobre-taxas e tarifas que sustentam os investimentos em projectos fúteis, megalómanos e sem viabilidade económica, promovidos por gente que vive no conforto dos chorudos vencimentos públicos e subsídios de reintegração e, ou, de deslocação que lhes permite viajar pelos quatro cantos do mundo sob a égide da divulgação das regiões que representam, ignorando, subvalorizando ou depreciando o custo do dinheiro esgaçado ao suor dos que manjam o pão que o diabo amassou.
Neste universo de abstencionistas é comum ouvirmos o slogan popular: 
"-São todos iguais. O que eles querem, é tacho."
A maioria das abstenções e dos votos em branco são evidentes manifestações de desalento e protesto silencioso. 
Ao caso em apreço, vale para com um sistema político que não tem correspondendo para os 43% da população e cuja percentagem funciona como um barómetro que vai oscilando de concelho para concelho consoante o grau de insatisfação e de descrédito dos munícipes para com o poder local! Em Abrantes ganhou a abstenção!
Os políticos caíram no descrédito das populações só se revendo na fidelidade, no clubismo, no comodismo e no clientelismo e salvaguardando nas convicções daqueles que não desistem de acreditar na mudança cada vez mais travestida de utopia...
Valente nação em que os beneficiados são invariavelmente os habitués e atrás da fachada, Abrantes não sendo excepção, também se inclui na regra...
Enquanto parte daqueles que votaram na candidatura vencedora o fazem para defender a sua estabilidade económica e social, a maioria dos abstencionistas e dos que votaram em branco nada perderão com a sua atitude...
Assim, melhor entendemos a mensagem:
“Aqui, continuamos juntos. OBRIGADA!”

domingo, 22 de setembro de 2013

SUMIU !

SUMIU !


  Qual não foi o espanto deste observador quando ao dar a sua voltinha dos tristes pelas bandas do castelo de Abrantes, se deparou com a ausência do vice-rei das Índias, só por lá restando os aloendros, a rotunda e o pedestal!
Dizem as más-línguas que saudosista como é, se não tentou regressar a Quiloa, D. Francisco de Almeida terá sido vítima de mais uma tentativa de saque pela parte de algum masai animista a quem em 14 de Agosto de 1505 o colonizador abrantino ousara incendiar a casa dos seus antepassados, ou no cumprimento da profecia cá do Cidadão abt, sido alvo do laborioso trabalho noctívago dos Cleptobronzes... numa espécie de trabalhinho extra para colmatar a miserabirilância dos rendimentos mínimos garantidos.
Segundo os puristas, o penúltimo acto de vandalismo remonta ao dia em que o monumento terá sido violentamente plasticinizado por Florentijn Hofman!
Também há quem diga que depois da caloraça que se fez sentir por estas bandas, o vice-rei foi tomar banhos turcos, fazer sauna finlandesa e passar uns tempitos numa estância termal a fim de se livrar das bexigas loucas que decerto não lhe terão afectado o aparelho reprodutor!
Para tranquilizar as minorias esclarecidas, a excelentíssima recandidata a presidente do Município Abrantino veio a terreiro explicar que por medida de precaução, o expansionista se terá recolhido aos aposentos da Câmara Municipal, à semelhança de parte da sua vida armazenada nem versão bronzeada...
De acordo com as teorias da Bola de Cristal, o mais certo será D.Francisco de Almeida reinstalar-se de espada e barrete no espaço do antigo heliporto que feito em parque de estacionamento, agora assumiu a toponímia deste lisboeta de gema e abrantino de geração...
Seja o que for... A ver vamos... Como dirá o cego...