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Este militante anti-cinzentista adverte que o blogue poderá conter textos ou imagens socialmente chocantes, pelo que a sua execução incomodará algumas mentalidades mais conservadoras ou sensíveis, não pretendendo pactuar com o padronizado, correndo o risco de se tornar de difícil assimilação e aceitação para alguns leitores! Se isso ocorrer, então estará a alcançar os objectivos pretendidos, agitando consciências acomodadas, automatizadas, padronizadas, politicamente correctas, adormecidas... ou espartilhadas por fórmulas e preconceitos. Embora parte dos seus artigos se possam "condimentar" com alguma "gíria", não confundirá "liberdade de expressão" com libertinagem de expressão, considerando que "a nossa liberdade termina onde começa a liberdade dos outros"(K.Marx). Apresentará o conteúdo dos seus posts de modo satírico, irónico, sarcástico, dinâmico, algo corrosivo, ou profundo e reflexivo, pausado, daí o insistente uso de reticências, para que no termo das suas incursões, os ciberleitores olhem o mundo de uma maneira um pouco diferente... e tendam a "deixá-lo um bocadinho melhor do que o encontraram" (B.Powell). Na coluna à esquerda, o ciberleitor encontrará uma lista de interessantes sítios a consultar, abrangendo distintas correntes político-partidárias ou sociais, que não significará a conotação ou a "rotulagem" do Cidadão abt com alguma dessas correntes... mas tão só a abertura e o consequente o enriquecimento resultantes da análise aos diferentes ideais e correntes de opinião, porquanto os mesmos abordam temas pertinentes, actuais, válidos e úteis, dando especial primazia aos "nossos" blogues autóctones... Uma acutilância aqui, uma ironia ali, uma dica do além... Assim se vai construindo este blogue... Ligue o som e... Boas leituras.

sábado, 15 de março de 2014

A NOTÍCIA

A NOTÍCIA


   Não se tratando de cobranças oriundas da Autoridade Tributária e demais organismos estatais, por vezes retiramos prazeres infinitos da leitura.
A nossa imaginação viaja para além das narrativas imateriais, o nosso cérebro busca incessantes explicações para o inexplicável.
As crenças, os conceitos e as memórias sensoriais regurgitam-nos fantasias e emoções dando-nos voltas e reviravoltas na teoria dos conhecimentos, franqueando metafísicos mundos de surrealismo, cujas mensagens aparentemente lineares nos convidam à associação de ideias e a outro, e mais outro conceito, qual desmanchar de coloridas matrioskas num metamorfosear dos elementos da natureza...
Por vezes, nessas leituras buscamos o sádico prazer em sabermos das desgraças alheias e demais vicissitudes que o mundo e os humanos tecem. Satisfazemos a libido num conjunto organizado de pigmentações policromáticas impressas nas páginas de papel couchê impregnado em carbonato de cálcio e forjado em nome do grande irmão, damo-nos conta dos últimos desenvolvimentos do voyeurismo social!
Por exemplo, cá o Cidadão foi dar com o kota da casa lendo em voz alta as páginas de necrologia e um tio desflorando as entranhas dos anúncios de convívio desse diário que nos oferece meiguice, fogosidade, fantasia e atrevimento quanto baste...
Se ao dispor da comunidade lhes der ar intelectual, encontramos uns quantos que vão lendo as notícias viradas do avesso e outros tantos sacerdotes repousando a mão direita sobre elas, assim reivindicando usucapiões, quais saciados cães em guarda aos roídos ossos!
Vem isto a propósito do folheto informativo que mensalmente é gratuitamente distribuído pelas bancas, pelos balcões dos templos de consumo, enfim, até quase que porta a porta, pelas caixas de correio de alguns tubucos, maçanicos, vilarregenses, punhetenses e neo-barquinhenses mais eruditos, na medida em que o conteúdo desse folheto consistirá na suposta antítese de tudo quanto até agora aqui foi descrito... talvez tentando relembrar-nos a velhinha noção de que a excepção confirma a regra.
Na edição de Março pareceu cá ao Cidadão estar a ler os passos necessários à execução de um número de ilusionismo...

Finalmente, seria agora que viria a nova ponte para o Tramagal...
O Primeiro-ministro sugeria à linha de montagem dos automóveis dos três diamantes para que construísse uma data de pontes sobre o Tejo, que viessem encurtar a distância entre o Tramagal e a Auto-Estrada 23...
Ponte concessionada e privada, teria de ser portajada...
Mas não!
Aquilo seria um mero apelo ao imaginário dos presentes, na medida em que para nós portuguesitos, estes passos há muito se fizeram em desafios... 
Pá! O que nos safa é que aquelas pontes estão entre aspas!!!
O rio galgou as margens! 
Esta, e a outra!
Pudera!
Com tanta água correndo debaixo das pontes, os rios teriam mesmo que encher!...
Constrói-se em zonas de leito e quando os rios se esticam, é sempre a mesma coisa!
O homem quer sobrepor-se à Natureza e para gáudio dos jornalistas, de quando em vez os elementos regressam ao seu habitat...
Vêm os jornalistas dar notícias que devido à tenra idade, só para si são novidade, formulando ilações algo estranhas como:

“neste inverno faz frio,”
-É natural, estamos no tempo dele.
 
“como é que os senhores se vão desenrascar, isolados neste  reduto de casario cercado pelas águas do Tejo?”
-Do mesmo modo que sempre o fizémos quando o rio galga as margens.

“há quanto tempo não caía neve aqui?”
-Desde o ano passado...

“este vento e esta chuva intensa são normais para a época em que estamos?”
-Sim, é normal. Se isto acontecesse no Verão é que seria algo estranho.

Situações caricatas em que os entrevistados só não se escangalham a rir porque recearão ser alvo de processo judicial por atentado à deontologia do jornalista, sabe-se lá!

Ora, ressalvando a foto do mês e a edição de Fevereiro de 2014, dedicada ao “camião ultramarino”, no demais o Dica de Abrantes é pródigo neste género de notícias vazias de conteúdo ou novidade...
Quem diz ao povo sobre o caos que se faz sentir no Hospital Manuel Constâncio?

Quem informa o povo sobre a expectativa de supressão da linha de autocarros que assegura a deslocação dos utentes da saúde pública no perímetro da tríade hospitalar Tomar-Abrantes-Torres Novas, também conhecida por Centro Hospitalar do Médio Tejo, denotando que a implementação dos autocarros hospitalares não passou de uma estratégia para silenciar o descontentamento popular?

E aquela cena marada de passar a ser o Cidadão a correr atrás da justiça em vez de ser a justiça a vir ter com o Cidadão?

... -Que grande martelada!!!
 
Quem explica ao povo que a implementação dos transportes municipais a pedido servirá para calar a contestação sobre a hipotética supressão dos transportes públicos urbanos?

Quem conta ao povo sobre o que é feito da tal Comissão Autárquica para a Cidadania?
Ter-se-à extinguido com o vencer das eleições ou bule algures nas entranhas de uma qualquer loja maçónica instalada em estabelecimento devoluto do Centro Histórico de Abrantes?

Quem noticía ao povo sobre a rápida degradação da Rua António Aleixo, nóvel artéria asfaltada há seis meses, que acede do Bairro São José Operário, em Rossio ao Sul do Tejo, até à extrema do Fojo?
"Não dês esmola a santinhos,
Se queres ser bom cidadão;
Dá antes aos pobrezinhos
Uma fatia de pão..."
     
Quem conta ao povo sobre as razões da paralisação do restauro dos frescos da Igreja de Santa Maria do Castelo?
Quem revela ao povo sobre as razões da inacabável obra no espaço do parque de campismo do Rossio ao Sul do Tejo, onde está prometido um centro de interpretação do Tejo?
Quem confessa ao povo sobre as razões que induziram a súbita mudança do projecto do centro escolar do Barro Vermelho, para o Convento Nossa Senhora da Esperança?
Quem dá novas ao povo sobre as sucessivas paragens e substituição da  querida BUSA por mini autocarros da empresa Vale do Ave?
Terá esta gente, os olhos maiores do que a barriga?
Diria pois que da última vez que cá o Cidadão abt se deu conta de desfolhar a “Dica de Abrantes” seu processo de informação levou-o ao folheto promocional de um determinado templo de consumo que comercializa produtos tendencialmente germânicos...

Compreende-se.
Registe-se o neologismo superir”  introduzido por alguns jornalistas cá do burgo abrantino...  
Perdeu cá o Cidadão abt o seu precioso tempo em busca desta palavra em todos os dicionários modernos, acordados e até nos de antigamente... acabando também ele por se quedar superido de todo!
Tentando uma explicação plausível através da análise semântica, indo até às flexões nominais e pronominais, passando pelos predicados dos sujeitos, consultando os adjectivos dos substantivos, daí não alcançando superlativas conclusões e no inconseguimento de uma desconjunção perifrástica, este quão singelo palavrão será a fusão entre um “superar” e um “suprimir”, culminando no híbrido em questão...
Sim. 
Também aqui se faz por os compreendermos...
Há que dar primazia da notícia aos órgãos de comunicação social porque cá o Cidadão abt agora vai ouver  televisão...

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

PUTARIA É:

PUTARIA É:

PUTARIA  é comparar a reforma de um deputado com a de uma viúva.
PUTARIA  é os cidadãos terem que descontar 35 anos para receberem a reforma e aos deputados bastarem somente 3 ou 6 anos conforme o caso e que aos membros do governo para cobrar a pensão máxima só precisam de fazer o juramento de posse.
PUTARIA  é que os deputados sejam os únicos trabalhadores (???) deste país que estão isentos de 1/3 do seu salário em sede de IRS.

PUTARIA  é encaixar centenas de assessores (leia-se arrastadeiras) na administração pública, auferindo salários que ultrapassam os de técnicos mais qualificados do país.
PUTARIA  é a enorme quantidade de dinheiro destinado a apoiar os
partidos, aprovada pelos mesmos políticos que vivem deles.

PUTARIA  é que a um político não se exija a mínima prova de capacidade para exercer o cargo a que se candidata.
PUTARIA  é o custo que representa para os contribuintes, a alimentação, os carros oficiais, os motoristas, as viagens (sempre em executivo), os cartões de crédito e os subsídios de deslocação dos políticos.
PUTARIA, é suas excelências gozarem 5 meses de férias por ano distribuídos por 48 dias no Natal, 17 dias na semana santa mesmo os agnósticos, e 82 dias de férias no verão.
PUTARIA  é quando cessam os cargos, suas excelências passarem a auferir de 80% sobre o valor do salário durante 18 meses consecutivos, além dum chorudo subsidio de reintegração.

PUTARIA  é quando ministros, secretários de estado e outros altos cargos da política, depois de cessarem a sua actividade, serem os únicos cidadãos deste país que podem legalmente acumular 2 salários do erário público.
PUTARIA  é que se utilizem os órgãos da comunicação social para
transmitir ao povo que os funcionários públicos só representam encargos acrescidos para o contribuinte.
PUTARIA  é os políticos terem residência no estrangeiro e cobrarem ajudas de custo pela deslocalização, porque declaram estar a viver noutra cidade.

domingo, 2 de fevereiro de 2014

TRETAPRAXIS

TRETAPRAXIS

   Ciberleitor. Um tetraedro afigura-se-nos com quatro faces iguais e seis arestas congruentes a um ponto comum, assumindo o formato piramidal, expoente do misticismo, daí que o título deste post não fosse digitado por engano, representando-nos tudo o que lhe é desconforme e incongruente, ou seja, mais uma vez dissecando o tema das praxes da treta tão só porque houve quem dissesse que o assunto se estaria a cingir às comissões de praxes, havendo no entanto muita gente graúda a querer meter o rabinho de fora deste escândalo que afronta as melhores consciências!
Está na ribalta a tragédia do Meco que passado o estertor inicial, voltou à tona dos fazedores de opinião.
Sobre este tema, muito se tem falado, muito se tem escrito e dele muita água tem corrido debaixo das pontes.
Pensando duas vezes, depois disto, cá o Cidadão ficou com a sensação que à tripa forra, na última década tem vindo a ser praxado todos os santos dias por estes senhores que nos vêm governado, implacáveis no agravamento de impostos mas lascivos em inibir fenómenos de contornos criminais...
Aliás, segundo consta, até já se praxa no secundário, se praxa na primária, se praxa no infantário e ao nascer, desconfia esta praça que terá sido pendurado pelos pés e de cabeça para baixo, praxado com duas nalgadas!!
Antes de olhar para o umbigo, este observador vai aqui estender uma modesta e breve análise sobre o mote das praxes académicas.
A primeira pertinência prende-se com o silêncio artificial dos ministros desta republicana nação representada pelo supremo Cá-Cá de Belém ante a tragédia que tocando a consciência dos portugueses por ter custado a vida de seis jovens na flor da idade, nos seus circunstanciais discursos os referidos governantes não descuram a temática da juventude e dentro das razões cuja razão desconhece há quem incessantemente busque a raiz do cada vez mais marcante fenómeno.
Em meados do ano transacto, ficou célebre a frase do primeiro-ministro em funções, por decerto questionando a tenacidade dos portugueses perante a cada vez mais severa austeridade que se faz anunciar e exortando-os para que não fossem piegas.
Tendo em conta o brilhante passado deste, percebe-se agora que aquela mensagem foi proferida por uma pessoa cuja preparação para a vida assentou na cadeira académica da praxe porque, a praxe induca!
Com o fluir do tempo e juntando os indícios, percebemos que este senhor, o seu sujeito passivo Paulinho das Feiras receberam formação em estabelecimentos privados de ensino superior... ou de algum modo lhes têm afinidade, nomeadamente o primeiro calaceiro formou-se aos 37 anos na Universidade Lusíada, o seu comparsa passivo que nasceu de pés para a frente e com o cordão umbilical enrolado no pescoço, ainda em adolescente já jogava  à bola como “defesa direito, tendo frequentado o Colégio Particular São João de Brito, estudado na Universidade Católica, acabando por se ir estragar na Universidade Moderna, que já deu o que tinha a dar.
Se melhor atentarmos à prática abusiva das praxes, damo-nos conta que é exactamente nos estabelecimentos académicos de âmbito particular que estas apresentam maior afinco como os atrás referidos, à exclusão da Universidade Católica, um dos últimos redutos de prática de boas condutas e respeito pelos valores humanos...
Percebemos também que nesta nação de resistentes existe um escrutínio natural de frequentadores consoante o grau de valorização académica e o poder económico das famílias pois não é difícil de percebermos que a fasquia da média da nota de ingresso nos estabelecimentos públicos de ensino superior se destaca bem acima do exigido nos estabelecimentos de ensino privado, ou seja, aquando do resultado das candidaturas, os que ficam excluídos das pautas de ingresso nos públicos de ensino superior, ou vão inscrever-se no instituto de emprego e formação profissional ou caso tenham papás endinheirados, recorrem aos estabelecimentos privados de ensino superior onde o seu ritmo de estudo se baseia no culto do veteranismo, saltitando de borga em borga, apanhando monumentais bebedeiras carpidas na arruada da noite, e que incomodam quantos pretendem levantar cedo para irem ao trabalho...
Se bem observarmos, apercebemo-nos que os casos de praxes académicas com desfechos trágicos sucedem tendencialmente em estabelecimentos particulares.
Alguns jovens, sentindo-se violentados na sua dignidade e integridade física vão apresentando queixa junto das autoridades públicas, passando palavra aos órgãos de comunicação social e em casos mais graves, jovens que devido a brincadeiras inocentes, comparadas ao jogo do berlinde ou do pau, são pura e simplesmente enviados para cadeiras de rodas ou para os anjinhos como se a prática de rituais iniciáticos de contornos satânicos fosse pura e liminarmente comparável ao exercício de condução automóvel onde funcionam os domínios do cognitivo, do afectivo e do psicomotor, isto se atentarmos às declarações proferidas pelo Presidente do Conselho de Administração de uma universidade privada, concretamente a Lusófona, contrariando o reitor desta, talvez porque a sua responsabilidade seja outra e o seu mote não assente na ganância do capital, que respondendo à Assembleia da República em 2008 afirmou as praxes nada contribuírem para a integração de novos alunos, uma vez que são sempre ofensivas à condição humana dos estudantes...
Ora, ministro de República que se preze, deveria ter demitido imediatamente de funções este senhor presidente de Conselho de Administração da Lusófona, e no mínimo, o Ministério Público indiciá-lo de cumplicidade pela tragédia do Meco, mas entre um e outro trâmite legal, valores mais altos se levantam como por exemplo muitos dos juristas atreitos aos organismos públicos de justiça,  terem frequentado as faculdades privadas onde solidificaram laços de afinidades com outros colegas "praxantes" que foram educados pela gamela comum, sendo que este assunto tem sido mexido e até conduzido a toque da mediatização promovida pelos órgãos de comunicação social, pelos blogues de opinião e pelas redes sociais, caso contrário, e à semelhança dos antecedentes que estão em cadeiras de rodas, seria interpretado como um acidente de percurso cujas estatísticas são infimamente inferiores por exemplo comparadas às da sinistralidade rodoviária mais uma vez se confirmando que para os organismos públicos, os cidadãos não passam de meros números.
Pelo meio temos a promoção feita pelo corpos directivos, o fornecimento de meios logísticos pelas autarquias, os patrocínios das empresas com especial realce para as fornecedoras de bebidas alcoólicas, chegando-se à ironia e ao ridículo dos jovens com as caras borradas e penicos enfiados na tola, serem benzidos pelo prior do local, como se tivéssemos regredido à mentalidade primária.
Que estes mandem o Cá-Cá de Belém ir trabalhar e logo veremos se o resultado será o mesmo!
O certo é que tendo a última ocorrência de praxe custado a vida a seis jovens, esta situação não será pródiga na medida em que no ano de 2004 e em idênticas circunstancias se registou a morte do jovem Diogo Macedo no pólo de Famalicão da Universidade Lusíada ou os casos de dois estudantes que ficaram paraplégicos em 2006, respectivamente em Elvas e Coimbra.
Os exemplos sucedem-se, sendo a face visível de que não se tratam de casos pontuais, mas de uma cultura de violência inerente à prática abusiva da praxe com contornos sinistros, denunciando que algo vai mal no reino de Portugal...
Este acontecimento havendo lugar noutro país considerado desenvolvido, qual efeito borboleta, resultaria em repercussões a nível internacional enquanto por cá se tem verificado uma certa tendência em desvalorizar e branquear uma tragédia cujas responsabilidades transcendem a insanidade mental dos Duxes, também fomentados pelos reality shows ao género do Big Brother  e Casa dos Segredos onde perante o voyeurismo dos telespectadores, os concorrentes se digladiam em provas degradantes e similares às humilhações perpetradas pelas comissões de praxe de certos organismos de ensino superior, assim banalizando os conceitos de dignidade e privacidade, vindo depois essas mesmíssimas estações radiotelevisivas reportar a sua indignação face aos actos praticados pelas vitimas dos seus produtos!
Se olharmos à hierarquia das praxes, apercebemo-nos que efectivamente o ensino superior se complementará em algumas cadeiras de ensino inferior, aquelas que pela humilhação consentida ou não, visam integrar os novatos na sociedade académica, “preparando-os para a vida” através do abuso de poder, dos maus tratos, da boçalidade abjecta, da simulação forçada de actos sexuais e de humilhações perpetradas por cachopos, quais senhores das moscas organizados em hierarquias com pés de barro, no ensejo de conseguirem estatuto social à custa do bullying académico.
Encontramos pois uma cadeia hierárquica das praxes académicas desde o perseguido caloiro até ao altivo Dux Duxorum, passando por pelotões de veteranos, quais desengalgados vampiros em busca de presas fáceis!
De conto em conto saliente-se o caso que se passou numa das universidades em que o franzino caloiro foi-se sujeitando a um progressivo grau de exigência praxativa, sempre avisando os seus perseguidores para que se moderassem pois os rituais bem lhes poderiam correr mal, até chegado o dia em que o caloiro pregou um amasso em quatro dos praxantes, pois este franzino entendia qualquer coisinha de artes marciais... 
O certo é que desse dia em diante, o caloiro ficou dispensado de qualquer género de praxe tendo a respectiva comissão deliberado que o franzino se encontrava integrado no ambiente académico. 
Um exemplo em como no domínio do afectivo, as mentes destes jovens na casa dos vinte anos não acompanharam o avançar do tempo nem a maturidade dos corpos, identificando-se mais com a puberdade e o "jogo do berlinde"!...
Quando uma das justificações para as degradantes práticas rituais se baseia na “preparação dos jovens para a vida” e quem tutela esta Nação convida os seus concidadãos a emigrarem, tudo nos leva a crer que a praxe académica será aquela cadeira que preparará tenaz e psicologicamente os futuros licenciados para assumirem os nossos governos e os cenários de guerra, nomeadamente na área da medicina, da geografia, das relações internacionais, do direito, da informática, da biologia e do jornalismo, profissões bem remuneradas se tivermos em conta a deslocalização e os subsídios de risco daí inerentes...
Um exemplo disso são os pactos de silêncio e de memória selectiva, essenciais caso o individuo se deixe aprisionar pelo inimigo. 
O prisioneiro de guerra não se chiba.
Já referido no post MEGAPRAXIS, sendo a maior parte destes jovens criados na abundância material, da sustentação e da opulência carecem no entanto de valores morais!
Exemplo disso é a constatação de que os intervenientes da tragédia do Meco, para além das elevadas verbas imprescindíveis ao académico sustento, terão investido a suplementar de quatrocentos euros no aluguer de uma vivenda curiosamente situada na “Rua do Sol” partilhando um fim-de-semana secreto, face ao alheamento dos seus progenitores que de útil, apenas terão as contas bancárias e acrescentando o pormenor de que nesta tragédia, entre os casais, apenas um pai deu a cara à comunicação social, os demais delegando essas competências às mães das vítimas...
Sujeitando-se a humilhações desde o rastejar com pedras amarradas aos artelhos, a saltar para piscinas com temperatura ambiente na ordem dos oito graus centígrados, a simular actos sexuais com objectos ou borrar a cara com bosta, após concluídas as faculdades e na eventualidade de não conseguirem emprego ao seu peso e medida, estes jovens optarão por ir pescando os subsídios entre as formações disto e daquilo ou assentando as nalgas no sofá da casinha dos papás em detrimento de se sujeitarem às funções de limpeza, reposição de produtos ou operação de caixa dos templos de consumo, sob a sina de que sendo eles doutores, engenheiros e juristas, não estarão para se subjugar a tais humilhações, esquecendo porém que uns anos antes passavam sucessivamente por vexames bem piores ao almejarem às máximas hierarquias da praxe académica onde julgando conquistar um lugar de estatuto, mais não fizeram do que se especializarem na cobardia da anuência cega e a subjugação perante a empresa, perante o chefe, perante o patrão, perante o regime politico, seguidamente transitando para as praticas ditatoriais próprias de regimes desumanizados e totalitários, onde não há espaço para diálogos e assertividades.
Em troca da integração no grupo académico, o caloiro que aceita a praxe ainda não é um escravo mas aí treina para no futuro o ser, ainda não é um totalitarista primário mas aí treina para no futuro o ser e caríssimos ciberleitores, o pior dos escravos é aquele que jamais se quererá libertar e o pior dos ditadores, aquele que se sente realizado na vilipendiação dos outros.
Regressando ao dia a dia e à imposição da austeridade, estas marionetas que nos governam mais nos fazem lembrar veteranos académicos praxando as suas bestas pastranas seguindo piamente as directrizes dos Honoris-Dux da Troika que por sua vez servem os Dux Duxorum das oligarquias internacionais, no ensejo de treparem na hierarquia da politica e da economia internacionais tal como podemos verificar pelo modus operandi do Cherne ou do Mister Valium e até pela exoneração do superintendente Paulo Valente Gomes, Director Nacional da Policia de Segurança Pública que colocou o seu lugar à disposição em troca da sua nomeação para um alto cargo como oficial de ligação do Ministério da Administração Interna na Embaixada Portuguesa de Paris, tacho este que terá sido criado propositadamente para o infeliz, acedendo ao modesto salário de 12 mil euros mensais, consistindo no triplo do salário que o ex-director nacional da PSP recebia antes da manifestação do seus subordinados nas escadarias da Assembleia da República.

domingo, 12 de janeiro de 2014

O BURACO

O BURACO

Vai para uma semana que o norte do concelho de Abrantes foi assolado por dois fenómenos que mobilizaram alguns órgãos comunicação social bem como accionaram a veia opinativa de certos blogger’s...
Dando-se conta pela informação veiculada que os ditos procuravam a essência da coisa, enquanto decorridas 48 horas após o sucedido, aos microfones da estação emissora de ondas hertzianas parceiras do município e perante as tentativas goradas do locutor-jornalista regressado da ressaca natalina, a responsável pela Protecção Civil do Concelho de Abrantes revelava imprecisões quanto à localização exacta da coisa, que sob idêntico recobro festivo, não se terá lembrando de perguntar ao seu vice-presidente e braço direito, Mister Gomes que certamente conhece razoavelmente aquele território até porque é de muita biolência o facto da mãe natureza fazer das suas imediatamente a seguir às quadras festivas!
Afirmou a senhora multipresidenta que já se tinham para lá deslocado elementos da Protecção Civil afim de se inteirarem e estabilizarem a situação...
Não gostando este Cidadão de escrever em vão nem sem conhecimento de causa e assumindo uma atitude de freelancer blogueiro, pese ultimamente trazer a lança um bocadito romba, resolveu pegar na digital, calçar as botas e meter-se a caminho, rumo ao teatro de operações e às zonas de risco...
Dirigindo-se ao troço de estrada municipal que segundo declarações posteriores da Presidente da Câmara e responsável máxima pelos serviços de Protecção Civil local, une o Souto à Atalaia e percebendo de imediato que tempos antes da nossa Ministra da Agricultura Assunção Cristas por lá andar a apalpar menhires, já por ali tinham passado os zifes rapando o solo de toda a região.
Questionará o ciberleitor sobre quem serão os zifes?
São homenzinhos munidos de motosserras que desbastam toda a floresta no sentido de diminuir a concentração de biomassa combustível que facilitaria a propagação dos incêndios florestais e nesse sentido, o norte do concelho de Abrantes terá servido de experiência piloto para futuras intervenções de âmbito nacional...
Realmente aquilo era um poço que anteriormente estaria cercado de vegetação cuja função natural seria a de sustentar as ameias e impermeabilizar os terrenos envolventes... 
Ora, os zifes fizeram-lhe a depilação nas cercanias e nas bordas, de tal modo que chegada a época diluviana não houve torrão que se contivesse e perante o assédio da humidade daí advinda, o buraco foi crescendo e alargando a pontos de ameaçar o caminho municipal!
De momento, tentam-se colmatar os desaforos da natureza através de dispositivos artificiais...
Ftas de sinalização cercam a evolução do acontecimento!
Perante as notícias veiculadas, não seria este o ponto mais periclitante do norte do concelho e como o buraco do Souto não lhe deu muita pica, chegara a hora deste Cidadão rumar para sudoeste onde existe uma pequena aldeia onde dizem um raio ter ali feito das suas... 
A Medroa
Já tinham ouvido falar?
Duas léguas vencidas e realmente, ao início da Rua da Sobreira foram encontradas as ruínas de uma habitação...
Seria aquilo?!
Não senhores!!! 
"O que quer daqui? Aquilo é dos Môcos!"
Empertigou uma das residentes...
Mais adiante, a meio da barreira, discreto no interior dum quintal vigiado por enorme cão rafeiro e duas caturras, lá estava mais um buraco protegido das intempéries com chapas onduladas de zinco submetidas ao peso de dois blocos de cimento assentes em travessas de eucalipto e junto, a tal menina que falou para os órgãos de comunicação social, Noémia de sua graça e proprietária do espaço por herança...
Diria que àsua  passagem, a Ministra da Agricultura terá deixado por ali um rasto de exoterismo e outras forças magnéticas que se traduziriam no abrir de buracos no solo!
Analisado o orifício e seus rebordos, verificada a ginjeira, examinadas as caturras e espiolhado o pêlo do canideo que dava ideia de ensaiar as presas, de chamuscado não havia qualquer vestígio e durante a conversa informal, olhando em redor foi fácil compreender que também por ali tinham passado os zifes das motosserras, limpando a região...
Mas de facto, o mais importante seria o buraco da Noémia pois foi por ele que este munícipe houvera percorrido tantos quilómetros de uma só assentada!
Espreitando bem lá para o fundo, percebia-se que se alonga numa espécie de túnel, enquanto entusiasmada sobre o terreno altamente escorregadio, a moçoila tentava dar uma explicação algo electrostática para o fenómeno...  
Dizia ela que um raio terá ali caído entre as 8 e as 9 horas de Sábado dia 4 de Janeiro enquanto migava as couves para as galinhas que andam um pouco encolhidas com frio!
A faísca passou-lhe entre as caturras, pelo meio das galhas da ginjeira, rasou o focinho do cão... e tunga
Foi um ver se te avias!
Abriu-se-lhe um buraco mesmo à frente dos lindos olhos!!
A rapariga diz que até ficou com a lâmina da faca deitando faíscas, e só passado umas fracções de segundo é que ouviu o tal trovão...
Ora bem, quando um tipo leva com um raio junto ao toutiço, ou fica completamente paralisado ou então feito num tição, o efeito sonoro é sincronizado com o arco voltaico e nunca percepcionado como um ribombar de tambores mas como um chicotear...
Quer dizer que o fenómeno atmosférico, se o houve, terá sido de baixa intensidade, e ao espetar-se na terra, abriu um buraquinho de pequeno diâmetro que com o aluimento do terreno circundante se tem transformado num extenso buracão!
Pelas pombinhas brancas que esvoaçavam no local, tudo aponta para que se trate de uma mensagem do além ou na pior das hipóteses, conjectura-se que ali se tivesse aberto um portal de acesso à desaparecida civilização da Atlântida ou ainda, o resultado dum crooke de raios catódicos lançados por nave espacial com intenção de abrir a chaminé de passagem para uma base extraterrestre ali existente há longa data, supostamente antes de 17 de Junho de 1977, data em que o furriel da Força Aérea Portuguesa, José Francisco Rodrigues ia perdendo os tomates e o Dornier ao avistar um ovni mesmo à sua frente, pairando sobre a albufeira, pois cá o Cidadão abt sempre acreditou que os Castelos de Abrantes, do Bode e todo o norte do concelho reúnem as condições ideais para se fomentarem encontros imediatos do terceiro grau, pois são zonas de densos relevos que facilitarão a dissimulação dos homenzinhos verdes e contendo enormes massas de água fundamentais para arrefecer os reactores dos ovnis...
Foi necessário chegar um idoso bem avinhado para nos explicar que antigamente havia por ali uma mina que aventava áuga para uma fonte mais adiante onde agora está um contentor do lixo e que o tecto daquilo devia ter aluído com o amolecimento da terra por mor da idade ajuntada à chuva que vem caindo, até porque no verão houve uns homens que andaram por ali a rapar o cabeço da Vergeira, deixando a terra desprotegida... assim reforçando as suspeitas cá do rapaz!...
Fez-se luz graças aos sábios conhecimentos deste ancião analfabeto, percebendo-se que o buraco da Noémia poderia remotamente ter sido acelerado por uma descarga atmosférica atraída ao veio de água, exactamente no ponto onde a cavidade subterrânea conteria menos espessura, antecipando a queda do tecto da mina e quanto ao ruído que fez estremecer a Noémia e os populares sentiram, teria sido causado pelo eco impactante de calhaus e terra desmoronando-se bem lá no fundo da cavidade rematada por um regueiro de água. 
Como perante estímulos idênticos cada um de nós tem percepções diferenciadas conforme os padrões armazenados no nosso córtex cerebral e o nosso estado físico e psíquico, sendo submetida ao princípio de Weber na relação de proporcionalidade entre a energia do estímulo e a intensidade com que este foi interpretado, entendeu a residente que não sendo aquilo uma erupção vulcânica ou fogo de artificio com reluzentes lágrimas descendo do espaço sideral, então só poderia provir dum corisco!!! 
Antes isso que o Cabeço da Vergeira enfiar-se pelo Vale da Medrinha adentro, indo futricar os Tourizes...
Muito folclore e mito rural à mistura são óptimos ingredientes para vender notícia e tirar a aldeola do marasmo.
Segundo o idoso, parece que naquele local quando dois aldeãos se desentendem, costumam exclamar:
“Tás c’um raio no tótiço, nã tarda nada!!!”
Questionada a Noémia se logo a seguir ao sucedido por lá tinham aparecido em primeira mão as equipas da Protecção Civil, respondeu que sim que vieram dois coveiros e um cangalheiro da Aldeia do Mato... 
Os engenheiros geotécnicos é que apareceram passados uns dias e agora, dia sim dia não, até lá vem a presidenta acompanhada de uns senhores...
Foi preciso acontecer um fenómeno daquela envergadura para que a povoação da Medroa regressasse à ribalta das noticias além-fronteiras e se reposicionasse no mapa dos roteiros turísticos de fenómenos paranormais!
Como mais acima se encontra o edifício da escola primária desactivada e em estado de degradação e abandono, era bom que alguém ali abrisse uma loja de conveniência e comercialização de souvenir’s (mamoazinhas, menhirezinhos, picotozinhos, torrezinhas de vigia, artefactos paleolíticos), agúdias fritas, ferraduras de Martinchel, lambrusco palhêto e ginjinha com elas que conjugados ao buraco da Noémia poderiam realmente tornar-se uma mina, quiçá, local propício à instalação duma bomba de extracção de crude que desenvolveria a região, retirando protagonismo aos Herity's de Abrantes!
Portanto caros ciberleitores e jornalistas, não dramatizeis os buracos do norte do Concelho de Abrantes, se fazeis o obséquio...

domingo, 29 de dezembro de 2013

A MENSAGEM DE MALALA


A MENSAGEM de malala

 Malala Yousafzai , ملاله یوسفزۍ  a activista paquistanesa que sobreviveu a um violentíssimo ataque perpetrado por terroristas fundamentalistas que não gostam daquilo que ela escreve nos blogues e aquando aos quinze anos de idade de regresso a casa a menina foi surpreendida no autocarro, sendo baleada na cabeça e no pescoço ao que cá o Cidadão abt  tomou a liberdade de assumir o seu discurso como mensagem de ano novo... sem nos esquecermos que as ditas sociedades ocidentais ou desenvolvidas escondem muitas das situações referidas pela menina paquistanesa.
É aqui transcrito na íntegra o que em 12 de Julho de 2013 a menina proferiu nas Nações Unidas, salientando que nem todos teríamos coragem suficiente para de manter os mesmos princípios e prosseguir no mesmo caminho...
No final é postado um pequeno excerto de vídeo onde a menina profere algumas das frases mais pertinentes.

“Muito obrigada em nome de Deus, o mais benevolente e mais misericordioso de todos.

Honorável Secretário-Geral das Nações Unidas, senhor Ban Ki-Moon, respeitável Presidente da Assembleia-Geral, Vuk Geremic, honorável enviado das Nações Unidas, para a educação global, senhor Gordon Brown, respeitáveis pais e meus queridos irmãos e irmãs, assalamu alalkum, obrigada.

Hoje é para mim uma honra estar novamente a falar depois de um grande intervalo de tempo.

É um grande momento da minha vida poder estar aqui junto a pessoas tão honradas e também é para mim uma enorme honra estar aqui envolta num xaile igual ao da mártir Benazir Bhutto...

Não sei por onde iniciar o meu discurso, e também não sei o que as pessoas esperam que eu vá dizer, mas antes de tudo, graças a Deus, acho que todos somos iguais, e obrigado a todos os que têm orado pela minha recuperação e da oportunidade de poder continuar a viver.

Sinto-me incrédula porque não consigo calcular a quantidade de amor que as pessoas em mim têm mostrado.

Recebi cartas de solidariedade, desejos de boas melhoras e presentes de gente de todo o mundo...

Agradeço a todos vós e agradeço às crianças que me têm dado alento com as suas palavras e obrigado aos meus pais e a todos os anciãos que me tem fortalecido na fé de acreditar num mundo melhor.

Gostaria de agradecer aos enfermeiros, aos médicos e ao pessoal auxiliar dos hospitais do Paquistão e dos Estados Unidos da América e ainda aos Emiratos Árabes Unidos que me ajudaram a recuperar e a acreditar que eu venceria e apoio o Secretário-geral das Nações Unidas pela sua iniciativa em prol de uma educação global e também o trabalho do seu enviado Gordon Brown e do respeitável Presidente da Assembleia Geral, Vuk Jeremic.

Agradeço a sua liderança que nos tem incutido o espirito de iniciativa.

Queridos irmãos e irmãs, não se esqueçam de uma coisa...

O dia da Malala não é o meu dia...

Hoje é o dia de todas as mulheres e de todos os meninos e meninas que tiveram a coragem de erguer a sua voz em defesa dos seus direitos.

Por todo o mundo existem centenas de activistas dos direitos humanos que não reivindicam apenas os seus direitos mas que lutam para que alcancemos as metas da paz, da educação, da igualdade.

Milhares de pessoas foram mortas por terroristas e milhões ficaram feridas, e eu sou apenas uma das pessoas que tem oportunidade de dar a voz pelos silenciados.

Sou uma menina como tantas outras e não falo apenas por mim mas quero dar voz àqueles que não são ou não podem ser ouvidos, dar voz a quantos têm lutado pelos seus direitos, pelo direito de viverem em paz, pelo direito de serem tratados com dignidade, pelo direito de igualdade de oportunidades, pelo direito de receberem educação...

Queridos amigos, em 9 de Outubro de 2012 um talibã disparou à queima-roupa sobre o frontal esquerdo da minha testa e pescoço e também disparam indiscriminadamente sobre as minhas amigas, pensando que assim as suas balas nos silenciariam...

Mas enganaram-se...

E dessa tentativa de silenciamento brotaram milhares de outras vozes.

Os terroristas pensavam que me alterariam os objectivos e me anulariam as minhas ambições, mas nada na minha vida mudou, a não ser isto:

A fraqueza, o medo e o desespero morreram... e a força, o poder e a coragem nasceram nesse dia! Foi isto que o terrorista me fez.

Sou a mesma Malala, exactamente com as mesmas ambições, as mesmas esperanças e os mesmos sonhos!

Queridos irmãos e irmãs... Não sou contra ninguém nem aqui estou para me vingar do talibã ou de qualquer outro grupo terrorista.

Vim aqui para vos falar da educação a que todas as crianças têm direito.

Eu desejo educação para os filhos e as filhas dos talibãs e de todos os outros movimentos terroristas e extremistas.

Nem mesmo o ódio do talibã que sobre mim disparou, nem mesmo que naquele exacto momento eu tivesse uma arma em meu poder, jamais sobre ele dispararia.

Foi esta a compaixão que me ensinaram Maomé, o profeta da misericórdia, Jesus Cristo e Buda!

Foi esse o legado que me deixaram Martin Luther King, Nelson Mandela e Mohhammed Ali Jinah.

Foram estes, os princípios da não-violência que aprendi com Gandhi, Bacha Khan e Madre Teresa de Calcutá e foi este perdão que os anciãos me ensinaram...

Isto é o que a minha alma me diz, que eu seja pacífica e ame a todos.

Queridas irmãs e irmãos... Só quando nos encontramos na escuridão é que percebemos a importância da luz, tal como só quando nos tentam silenciar é que percebemos a importância da nossa voz...

Da mesma maneira que quando estávamos em Swat, no Norte do Paquistão, só percebemos a importância dos lápis e dos livros quando vimos a escrita das armas...

Bem tinha razão o velho sábio quando observou que a caneta é mais importante do que a espada.

Os extremistas tinham e continuam a ter medo dos livros, dos cadernos e dos lápis, porque é o poder da educação que mais os assusta.

Eles têm medo da coragem das mulheres porque o poder da voz das mulheres também os assusta.

Foi por isso que os extremistas mataram 14 alunos inocentes no atentado de Quetta.

Foi por isso que mataram os professores em Khiber Pakhtunkhwa... 

E é por isso que atacam as escolas, porque têm medo da mudança para a igualdade, em que a nossa sociedade caminha.

Lembro-me de uma criança da minha escola que perguntou a um jornalista sobre os motivos de um talibã ser contra a educação e o jornalista, apontando para seu caderno diário apenas me respondeu ; 
“Porque um talibã não calcula o que está escrito nas folhas deste caderno...”

Os fundamentalistas pensam que Deus é um ser pequeno e conservador que aponta o revólver à cabeça daqueles que querem ir à escola...

Os terroristas estão a fazer uso do Islão e da sociedade Pashtun para o seu próprio benefício.

O Paquistão é um país pacífico, amoroso e democrático.

Os paquistaneses querem educação para as suas filhas e filhos e o Islão é uma religião de paz, humanidade e fraternidade.

O Islão ensina que as crianças não só têm direito à educação, como também é de seu dever e responsabilidade.

Honorável Secretário-geral, a paz é necessária para que se fomente a educação e em muitas partes do mundo, como por exemplo no Paquistão e no Afeganistão, o terrorismo e o fundamentalismo privam as crianças de ir às escolas, as guerras e os conflitos privam as crianças de irem às escolas.

Estamos cansados das guerras.

Em todo o mundo, as mulheres e as crianças sofrem de muitas formas e diferentes maneiras...
Por exemplo na Índia as crianças pobres e inocentes são exploradas no trabalho infantil e no comércio do sexo e as mulheres são selvaticamente violadas e na Nigéria as escolas são destruídas...
No Afeganistão as populações são condicionadas pelos extremismos.

Meninas de tenra idade têm que fazer o trabalho doméstico e são forçadas a relações sexuais e a casarem-se cedo.

A pobreza, a ignorância, a injustiça, o racismo e a privação dos direitos e dos bens essenciais são os principais problemas enfrentados por homens e mulheres de todas as idades.

Caros ouvintes, incido sobre a educação para as mulheres e para as meninas, porque são as que na sociedade sofrem mais.

Houve tempos em que os activistas sociais pediam aos homens para defenderem os seus direitos, mas desta vez seremos nós mesmas a fazê-lo.

Com isto não quero dizer que os homens se privem de manifestar pelos direitos das mulheres mas realço que as mulheres devem ser independentes e lutar por elas mesmas, sem dependerem da anuência ou da complacência dos homens.

Então, queridos irmãos e irmãs, chegou a hora de erguermos as vozes!

Hoje pedimos aos líderes mundiais para mudarem as suas estratégias políticas em prol da paz e da prosperidade.

Pedimos aos líderes mundiais que todas as negociações protejam os direitos das mulheres e das crianças, porque é inaceitável qualquer negociação que vá contra os direitos das mulheres e das crianças.

Pedimos a todos os governos para que assegurem a educação gratuita e obrigatória, em todo mundo e para todas as crianças sem excepção.

Pedimos a todos os governos para combaterem o terrorismo e a violência e assim protegerem as crianças da brutalidade e dos danos.

Pedimos aos países desenvolvidos para que apoiem a globalização dos programas e das oportunidades educacionais, incidindo nos países subdesenvolvidos.

Pedimos às comunidades que sejam tolerantes e que rejeitem os preconceitos da raça, da religião, da cor, do credo, da seita, da cor, do sexo, para que promovam a igualdade para as mulheres e os povos possam florescer.

Nunca poderemos triunfar enquanto metade de nós for impedida.

Pedimos às nossas irmãs de todo o mundo para que sejam valentes, corajosas, para aceitarem a força que trazem dentro de si e darem-se conta de todos os seus potenciais!

Queridos irmãos e irmãs, queremos escolas e educação para que no futuro cada criança brilhe e assim construamos um mundo melhor, enveredando pelos trilhos da paz e da educação.

Ninguém pode, nem nos poderá deter!

Vamos erguer as nossas vozes pelos nossos direitos, fazendo a mudança pela diferença!

Nós acreditamos na força e no poder das nossas palavras e as nossas palavras podem modificar o mundo inteiro porque estaremos juntos e unidos pela causa da educação e se quisermos alcançar esta meta então apodere-mo-nos da arma do conhecimento e proteja-mo-nos na união e na fraternidade.

Queridos irmãos e irmãs, nunca nos devemos esquecer que neste momento milhões de pessoas estão a sofrer com os estigmas da pobreza, da injustiça e da ignorância.

Nunca nos devemos esquecer que milhões de crianças não recebem escolaridade nem nunca nos deveremos esquecer que os nossos irmãos e irmãs estão esperançados num futuro brilhante e pacífico.

Só assim... Só assim travaremos uma batalha gloriosa contra o analfabetismo e a iliteracia, a pobreza e o terrorismo.

Connosco levaremos os lápis, os nossos cadernos e os nossos livros, pois são as nossas armas mais poderosas.

Uma criança, um professor, um livro e um lápis podem mudar o mundo.

A educação é a única solução.

A educação em primeiro lugar.
Muito obrigada.”                              ਬਹੁਤ ਹੀ ਬਹੁਤ ਕੁਝ ਧੰਨਵਾਦ