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Este militante anti-cinzentista adverte que o blogue poderá conter textos ou imagens socialmente chocantes, pelo que a sua execução incomodará algumas mentalidades mais conservadoras ou sensíveis, não pretendendo pactuar com o padronizado, correndo o risco de se tornar de difícil assimilação e aceitação para alguns leitores! Se isso ocorrer, então estará a alcançar os objectivos pretendidos, agitando consciências acomodadas, automatizadas, padronizadas, politicamente correctas, adormecidas... ou espartilhadas por fórmulas e preconceitos. Embora parte dos seus artigos se possam "condimentar" com alguma "gíria", não confundirá "liberdade de expressão" com libertinagem de expressão, considerando que "a nossa liberdade termina onde começa a liberdade dos outros"(K.Marx). Apresentará o conteúdo dos seus posts de modo satírico, irónico, sarcástico, dinâmico, algo corrosivo, ou profundo e reflexivo, pausado, daí o insistente uso de reticências, para que no termo das suas incursões, os ciberleitores olhem o mundo de uma maneira um pouco diferente... e tendam a "deixá-lo um bocadinho melhor do que o encontraram" (B.Powell). Na coluna à esquerda, o ciberleitor encontrará uma lista de interessantes sítios a consultar, abrangendo distintas correntes político-partidárias ou sociais, que não significará a conotação ou a "rotulagem" do Cidadão abt com alguma dessas correntes... mas tão só a abertura e o consequente o enriquecimento resultantes da análise aos diferentes ideais e correntes de opinião, porquanto os mesmos abordam temas pertinentes, actuais, válidos e úteis, dando especial primazia aos "nossos" blogues autóctones... Uma acutilância aqui, uma ironia ali, uma dica do além... Assim se vai construindo este blogue... Ligue o som e... Boas leituras.

sexta-feira, 22 de julho de 2011

O CROCODILO II


O CROCODILO II
Segundo episódio


Aquela ladeira era mais íngreme do que a do Pico Souto. Imprimindo impulsos corporais na traquitana vermelha Ferrari, cá o Cidadão conseguiu sair dali para fora, verificando mais uma vez que o mundo é feito de altos e baixos e que para maioria das pessoas as subidas parecem mais íngremes do que as descidas... tudo isto em busca do crocodilo perdido, cuja crónica foi aberta no episódio anterior. Para o ciberleitor que só agora deu com este blogue marado cá do Cidadão abt, faça o favor de ir até este sítio, caso contrário ficará a apanhar bonés!!!
Chegado ao alto da povoação da Cabeça Gorda, à esquerda da rua este praça reparou numa casa protegida por um muro em alvenaria forrado a lajes de pedra tosca, encimado por gradeamento verde garrafa e dois enormes portões... decerto que com todo aquele aparato, ali não entraria lagarto!  Meditou se valeria a pena atalhar até ao Souto ou se seguir pelo asfalto... Optou pela segunda hipótese uma vez a Coty estava equipada com pneus de rasto cada vez mais slik... e não fosse ele poder baldear por aqueles carreiros abaixo, o bom senso falou-lhe mais alto, voltando à direita em direcção a um edifício a modos que esquisito a espreitar no meio do pinhal, que anteriormente lhe houvera chamado a atenção... 
O que seria aquilo?
Foi freando até conseguir dar meia volta, estacionando a Coty vermelha Ferrari junto aos portões que complementavam uma dupla vedação em rede...
Hummmm...
Ali havia gato...
Lá de dentro não saía ruído algum...
Uns quantos silos perfilavam-se à retaguarda daquelas instalações...
O alçado principal era parcialmente revestido a tijoleira vermelha com postigos pequenos...  protegidos das vistas indiscretas por persianas brancas...
“SMA” era a inscrição ostentada... junto ao telhado...
Hum... “S” de saurus... “M” de mandíbulae... “A” de alligatoridae...
Uma organização secreta... portanto...
E... “Saurus Mandibulae Alligatoridae” seria o lema daquela organização!!!
Ah! Um viveiro dos sáurios... querem lá ver?
Chegando mais perto... aquilo não cumpria as normas legislativas em termos de segurança contra incêndios florestais porquanto a vegetação não se conservava afastada nos tais cinquenta metros...
Só uma explicação seria viável...
Para dissimular a presença dos crocodilos quando os libertassem para apanharem algum sol... sim... porque estes bichos necessitam do aquecimento solar para eliminarem as matérias orgânicas que se lhe vão desenvolvendo nos intervalos das escamas... limbos, algas e assim...
Ali, seria o local exato...
Que nem se avistaria a partir dos satélites espiões nem no Google Map’s...
Os bichanos passariam dissimulados, entre os troncos e a sombra dos pinheiros... 
O ser humano era inteligente...

-O que quer daqui?

-Dããã...ssse!

Cá o Cidadão abt não se tinha apercebido deste homem novo de pele clara e um bocado cenoura, de cabelos alourados ondulantes ao vento...

-Olhe... veja bem que andava à procura do crocodilo!

-Ah! O que foi avistado na barragem do Castelo do Bode? Tem pouca sorte porque aqui é a estação elevatória de tratamento e monitorização da água que posteriormente é enviada para o concelho de Abrantes.

 Não... afinal aquilo não era um viveiro!...
Pois... em casa de ferreiro, espeto de pau...
 Aquilo era do Estado, da Câmara Municipal, da Ambientabrantes, dos Serviços Municipalizados de Abrantes ou uma cena do género, logo prescindiria das normas elementares de segurança... concluindo-se que as leis florestais se restringem às entidades privadas. Se chegasse ali um incêndio florestal... ou aquilo seria auto-suficiente espirrando água por todos os poros ou os fregueses iriam sentir o agravamento da facturação do bem essencial, com os encargos inerentes à recuperação das instalações.
 Ala que se faz tarde e a barriga começava a dar horas... soavam as treze badaladas de um sino... algures!
Dar o impulso ao pedal de arranque... um dois... três... e mais outro...
Prontos! O piston entrou em funcionamento, debitando umas baforadas de fumo, porque os gajos das bombas de combustível têm a mania de fazer a mistura a 6%, passando o motor a cagar óleo por todo o lado até entupir o miolo do escape!
Ora bem... Como o sistema de GPS orientado por uma gaja lá em cima no Po-Sat não se adaptava à Famel por esta estar desprovida de pára-brisas condigno onde se lhe pudesse cravar a ventosa, a navegação foi feita com Bioucas pelas 9 horas e a igreja das Fontes o longe...  
Rumando à Carreirinha do Mato...
Mais uma descida e outra subida...
Finalmente chegado ao Souto!
Hum... pela quantidade de vegetação silvestre que brotava nos quintais de algumas habitações bem se poderia concluir que parte daquelas gentes era devota da Senhora do Tojo... que era a Dama daquelas paragens.
E porquê procurar o crocodilo no Souto?
Fundamentalmente por três razões...
A primeira, porque bem perto dessa aldeia se localizava a tal ermida da Senhora do Tojo com forte cariz espiritual e que daria novo alento para este praça enfrentar as buscas seguintes. A segunda, porque havia a esperança de por lá encontrar um sábio da construção, pessoa que se candidatou às lides camarárias de Abrantes, supondo-se que muito teria para desabafar sobre lagartos... seria a pessoa indicada para encaminhar este desgraçado até ao ninho dos répteis... E a terceira porque a rapa de fome apertava cada vez mais!!!
Era hora de manducar qualquer coisita porque um homem não é de ferro e o ratito instalara-se definitivamente nas entranhas!
Cá o Cidadão foi desaguar num Adro com um Coreto azul e branco e a torre sineira da Igreja de São Silvestre por detrás...
Estacionado o veículo no descanso central junto ao Coreto azul e branco e como aquelas gentes lhe inspiravam confiança, deixou o penico amarelo secar os suores no farol e a mochila cor-de-rosa com o ursinho Pooh  repousando sobre o selim, sem antes ter passado a carteira para o bolso dos calções...
Era perceptível que o meio envolvente se inspirava numa arquitectura mourisca... a torre, o coreto, as casas brancas... e o café!
Tudo aquilo evocava a presença dos mouros bem antes de Dom Afonso Henriques e do Sargento Dupont terem ali dado entrada!
Pensando em entradas, foi precisamente isso que este praça fez naquele café com uma pá de Aljubarrota pendurada à porta, talvez para o caso do crocodilo dali se aproximar...
Aquilo sim... era uma boa idéia... portas reforçadas com duplo vidro e umas pegas enormes em metal cromado... com uma câmara de video-vigilância... e quatro cadeiras para lhe fazerem a espera.
Gente permanentemente de prevenção ao animal...
Ali, o bicharoco não teria grandes hipóteses!
Se o dinossauro aparecesse de bocarra aberta mostrando uma dentição brilhante, qualquer transeunte deitaria unhas ao cabo e malharia cachaporra no animal até chegarem os géninhos!
Dentro do estabelecimento, como este praça tinha o tempo a escassear-lhe nos neurónios, pediu uma dose de Kaviar bem regada a Dom Perignon que consiste num champagne francês da Moet & Chandon...
Não tinham!
Sugeriram o prato de lagostins do rio degustados com Alvarinho verde... bem gelado, optando este rapaz por saborear um pires de caracóis aconchegados a côdeas de pão caseiro e regados por uma loira molhada, fresquinha e bem espumosa...
Ooop’s...
Outra vez aquela horrível fixação mórbida a extravasar-lhe do subconsciente...
Era esta imagem, e não a anterior...
Manjado o acepipe e paga a dolorosa, chegou aquela hora horrorosa em que se vem para o Adro e se dá com uma luminosidade do camandro, ficando-se completamente pisco!
O raio da fotofobia estava a dar-lhe à força toda!
Um destes dias haveria que comprar uns Rayban... só ainda não o ousara concretizar porque as preferências oscilavam entre estas cangalhas e os Gucci!
Adiante, aquelas senhoras de idade praticando o desporto radikal do downloadding, davam ar de populares e sapientes idosas...
Talvez elas fornecessem alguma pista sobre a coisa...
                                     
-Boa tarde... minhas senhoras... se me permitem vou directamente ao assunto...
-O que é que o senhor queri?

-Desculpem... procuro o crocodilo...

-Ai precura um corcodilio? Vá ter com aqueles senhores que eles  lhe vendem um, ou talvez lhe expliquem onde os possa encontrar!

As senhoras foram espontâneas...
Cá o Cidadão abt dirigiu-se até junto de um homem magro com tez morena, de cabelos molhados e escorridos para a nuca, camisa branca, desabotoada, mangas arregaçadas e calças pretas de um clássico bem vincado, calçando sapatos de sola... decerto seria uma pessoa das lides do rio, bastante habituada a apanhar sol, um pescador tradicional... ou coisa assim...

-Boa tarde... aquelas senhoras além adiante indicaram-me que o senhor sabe explicar algo sobre os crocodilos...

-Boa taáardii! Vossemercêi procura um crocudili, éi? Venha cái que eu mostro-lhi! Tenhúú práli tantis! Até tenhu-lus cã bocábertãããn e tuuduuu!!!

Que sotaque mais estranho, o destes pescadores... não conseguindo disfarçar os ímpetos dum entusiasmo efusivo, o homem de tez escura encaminhou-se na direção da igreja...

-Orãn... Sinhõri... chegui àqui à carrinhãn...

Foi assim que este praça deu inicio a mais uma tentativa de deslindar o caso do crocodilo perdido... ou o homem já o teria capturado... ou...

-ÓòÓooo Mariiâããn... Véin aqui mostrári a mecradoriãn ao sinhôri!

Pois bem, agora o homem de tez morena abria as portas posteriores de uma enorme furgoneta branca...de par em par.
Houve necessidade de chegar mais para trás, não fosse o caso do bicharoco sair de lá disparado, vergastando tudo e todos com a cauda... São bichos imprevisíveis... estes lagartos escamados...

-Aiii???  Sinhôôôr! Nã tenha mêêdi... Chegue-si adiããntiii!

Com cautela, este praça foi-se chegando ao estribo do furgão... Coisa impressionante!
Nunca houvera visto nada assim!
Decerto que aquilo seria um viveiro ambulante!

-Ó Mariãããn... puxamããlin d’aquelas caixããns...

Já a dona da cintura larga, cabelo apanhado na nuca, ar exótico e vestes escuras compridas até aos pés cobertas por um avental colorido e debruado a renda, tinha dado um pulo determinado para dentro da caixa fechada daquela furgoneta entranhando-se num corredor entre caixotes de cartão...
Com o cheiro a cebola e o calor que vinha do interior, deveriam estar ali as incubadoras ambulantes dos bicharocos... sujeitos ao respectivo aquecimento permanente...
Provavelmente ovos de crocodilo no chôco... prestes a entrar em ebulição.
De súbito percepcionaram-se gemidos vindos da cabine... era isso... os sáurios recém nascidos seriam levados para frente da viatura afim de se ambientarem aos humanos... que assim os amestrariam... 
Administrando-lhes o cheiro a cebôlo, treinavam-nos a verter lágrimas de crocodilo...
-Orãã  áábri aí essa caixããn... Ó Mariãããn...É aí quelas estãúm?

-Éi,  pois!

Mergulhando as mãos no interior do caixote de cartão e com uma má vontade fenomenal, a senhora vai de tirar uma parga de camisolas de cores diferentes, umas lisas e outras às riscas...
Querem lá ver que os animais vêm embrulhados na roupa para disfarçar... o cheiro... ou seria para se poderem conservar mais aquecidos?
Ovo de crocodilo ou sáurio robusto, algo estaria prestes em sair daquele caixote creme...
Metia uma certa impressão como aquela senhora enfiava as mãos nos fundilhos sem mostrar receio em ficar com os dedos trucidados!!
Há mulheres de coragem... sim senhores!

-Diga cá... a senhora não tem receio... de meter aí as mãos?!

-Aqui têinn, sinhôriii!

-Mas isso... são camisolas! Carais!

-Aiee... nã era o que o sinhori queriãaãn?

-???

-Atão?

-Camisolas?!

-Nãã sinhôriii!! Póóóluuus! Um póóluuzinhu de marcããã!!!

-Não! Eu procuro um crocodilo com cauda dentes e tudo! Um animal ao vivo, vindo de África... ou da Amazónia!... Está a perceber?

-Um póluuzinhuuu da lacosti!!! Ora vêja si gostããã deeesti!! Há-los aqui com o crocodili de bocãã ããbéértaããn e com a boca fichadããn!Veja se esti lhi sérviiin!
  -Mas... não queria comprar camisolas... o que eu procuro é um crocodilo que as pessoas dizem ter avistado nas margens da barragem!!!

-Aiiie...  lagarti, lagarti,  lagaaááártin!! Isto nã são camisolãns... isto são póluus!

-??????

-Mariããn... eli há cá com cada umãããn! Queris lá veri que o home precurãn um crócudili di vérdáádiiin???

-Exquemunga-o, ó hómi! Exquemunga-o que êli nãã éi bôan rêinz!

-Olhãn, vai masséi vêri do garôtu à cabina qui está pra lá a berráári!!

-Ò sinhori... nã leva umãn cuéquinhãn?! Ólhi qui são barátas!

-Vai maséi vêri do garôtu à cabinãn... já todiiissi!!!

-Ó sinhori e ma calcinhãn? E uma calcinhãn... vá lá!

-Olhá criançã, mulhériii, qui na pára de chorárii!

-São umas calcinhãns leviiis!!! É tudu de marcããn!...

-Óh muléri! Agora túú! Vai lá ver da criançãã... maséiii!!

-Aiiiee sinhôres??? Querem lá veri qui o hómi teve este tempu tôdu práqui a zombari cagentii!

-Oiça cá! Vossemecêi vai-se assim emborãn só com os boxer’s vestidús e uma camisolinha dalçãns??? Mas diga lá, afinali o que queriii daqui!!!

-Procuro um crocodilo dos grandes!

Aiii  Mariiãn! Mostra aí essas tishãrtis da caixa piquênãã ao sinhôrii!!

-Não quero comprar nada!

-Vejãã!! Esta pretããn assenta-lhe bêin!!!

Entretanto a esposa do senhor pescador, de dentro da caixa do furgão esticava entre os dedos das mãos uma t-shirt  preta com um boneco verde estampado, exclamando a plenos pulmões:

-Levi estãã!

-Não quero! Se esse tecido fôr à maquina de lavar, encolhe com a temperatura e deixa de me servir!

- Aiii sinhôri... Isto é artigú dú bôum!

-Então... e o que diz aí na etiqueta?...

-Hulk, sinhôrii!...

-!!!
-Ómenes fique lá com uma camisolinhã de malhãn... ólhi que é de pura lãn virjêin!

- Quer dizer que o pastor era cioso com as ovelhas?...

-O quêi !?!

-Óh home, dexá-lo iri, quele nã vai lonji, láissenãúún!!

Ala para o celim da motoreta, pôr a máquina em marcha, que surpreendentemente pegou à primeira tentativa, rumando à Senhora do Tojo para lhe agradecer as sortes deste praça e pedir-lhe que lhe desse uma luz, um sinal, ou um indicio que o auxiliasse na descoberta do crocodilo perdido... talvez por lá encontrasse aquele senhor que sabe tudo e foi vereador dum pelouro de Abrantes...
Atravessada a rotunda à saída do Souto para quem sai ou à entrada para quem chega, este praça seguiu a direcção indicada pela placa...
Aquilo terminava num largo de terra batida, em que de frente havia outro Coreto com a ermidinha plantada à direita...
Humm...
Arcos de volta perfeita embutidos em paredes brancas realçavam um estilo muçulmano de primeira água... uma cornija amarela rematava o telhado, realçando o conjunto... aqueles muretes corridos... que serviriam de bancos para os devotos neles descansarem... vendo mais de perto, no hall interior do alçado principal, destacava-se um par de portadas em madeira ladeadas por duas colunas sem base, em alvenaria simulando o mármore escuro que terminavam em dois capitéis suportando um entablamento com arquitrave, friso e cornija, encimadas por um frontão triangular em simetria bilateral, tudo em madeira... o tom amarelo intenso aplicado nestes últimos elementos evocava o Budismo...e as arquitecturas orientais... aquela côr descontextualizava-se do conjunto da edificação...
Na sua conceção inicial, talvez o entablamento sobreposto ao pórtico se mantivessem ao natural...nos tons de castanho ou creme, consoante a natureza da madeira utilizada.
Concluindo a síntese analítica à arquitectura da ermida, neste templo deparamo-nos com uma fusão entre o Helénico, o Mourisco e o Búdico... um budomouriscismo  ou um mourobudismo helénico... que inté um gajo tinha dificuldade em balbuciar! Faltavam por ali umas amendoeiras, uns ramalhetes de Ikebanas com três pauzinhos... e quiçá, dois balões chineses pintados a vermelho com dragões dourados completassem o ambiente espiritual.
Por ora a crónica vai longa pr’a caraças e este praça está farto de digitar!
Se quiserdes saber mais notícias sobre a busca do crocodilo perdido, demandai o próximo post, aqui!

domingo, 17 de julho de 2011

O CROCODILO I


O CROCODILO I
Primeiro episódio.

Como a vida não está fácil, este praça resolveu trocar duas semanas de férias nas Caraíbas por um dia bem passado nas margens da albufeira do Castelo do Bode...
Subjugando o selim da máquina vermelho Ferrari atestada de véspera e elevando o piston ao red-line, fez-se à estrada na sua Famel Coty de duas velocidades, devorando o alcatrão a uma velocidade de sessenta quilómetros por hora, ressalvando as subidas, claro! O trânsito era escasso à exeção de uma coluna de viaturas militarizadas que o ousaram ultrapassar na rampa entre a Amoreira e Martinchel...
Naquela madrugada em que o astro rei prometia confrontar os seus raios com os raios cromados da Coty, este Cidadão que não pára de ter ideias maradas, de penico amarelo enfiado na mona, vestindo uma camisola negra de alças, de...
...estampados nos peitorais, pois havia-los trocado pela camisola negra com a imagem da Nossa Senhora de Fátima envergada daquela vez que foi em demandas da mamôa...
Ooop’s, não era esta a imagem... mas a que se segue...
Desculpem aí qualquer coisinha...
Pois bem, abaixo da cintura uns calções de banho brancos, sarapintados com corações grená e as havaianas entaladas entre o polegar e o maior completavam o conjunto, não esquecendo a pequena mochila cor-de-rosa desbotada, com o ursinho Pooh, resgatada aos Júniores, dos tempos em que frequentavam o infantário... 
que albergava o toalhão de banho, o chapéu à cowboy e o protector solar... como aquilo era de marca, ia durando.
Devido à velocidade infernal, o vento tentava arrancar os tufos dos sovacos e desbastava a peitoral mata que espreitava sob a cava frontal da camisola.
Deixando de satisfazer o alter-ego e passando àquilo que interessa, nessa celestial manhã o destino eram as águas cálidas da albufeira do Castelo do Bode... e com o motor a ferver, conseguiu ir até ao parque náutico da Aldeia do Mato... afinal àquela hora já o espaço da piscina flutuante se completava com bué da veraneantes, o que motivou este rapazola a estacionar a Coty no parque sem esquecer de a amarrar a roda da frente com uma corrente a um dos postes de madeira e muito menos desconhecendo o que lhe iria acontecer durante este vertiginoso dia.
A pé, deslocou-se mais para diante e besuntando-se com o óleo do protector solar, foi-se estender ali para a margem no sopé da mamôa... sobre a toalha com a gaja boa impressa. Teria o sossego garantido.
Ora voltado de barriga para cima, reparou que a proeminência da dita cuja era evidente, limitando a linha do horizonte, não permitindo visualizar o que acontecia para além do umbigo.
Ná... houve que se virar de barriga para baixo... assim estava melhor...
A Companheira não se quis envolver nesta ociosa aventura pois da última vez, indo à pendura na Coty, deu um tralho do camandro, ficando com umas postelas nos joelhos e nos cotovelos por sarar... estando de momento a ganhar coragem para novas viagens...
Foi mergulhado em tais pensamentos que cá o praça se passou para o mundo onírico... não sabendo muito bem o tempo em que se manteve a ressonar sonoramente... com umas apnéias pelo meio.
Tendo os calcantes virados para o limite da margem, nem se apercebeu do que se estava a desenrolar bem perto dele... pois nunca se sabe exactamente o que acontece por debaixo daquelas águas infestadas de lagostins e achigãs... De quando em vez a actividade onírica era interrompida pelo ruído de um barco a motor e pouco mais...
A certa altura sentiu que algo lhe roçava na barriga duma perna, não se recordando bem de qual... passado outro bocado, novo roçamento... e assim sucessivamente...
Estremunhado, acordou em sobressalto pois veio-lhe á idéia aquela noticia que tinha passado na TV sobre um crocodilo que fora avistado na albufeira!
Qual gato em queda livre, este desgraçado deu um salto rodopiando sobre si, e sentado sobre os calhaus sentiu uma desagradável dôr no cóxis, dando com um lulu branco, bem tufado na zona das patas, orelhas e cabeça, que ganindo desalmadamente, fugiu por aquelas fragas adiante...
Coitado do bicho, se calhar este rapaz tinha-lhe dado um pontapé sem querer... Com a maldita fotofobia entranhada nas córneas, olhou na direcção oposta reparando na presença de um bife de meia idade que por ali deambulava e que pela expressão facial um tanto ou quanto engelhada, mais dava a idéia de ser o dono do bichano... Este praça um pouco embaraçado com a situação, apontou para o monte de pêlo branco, metendo conversa com o mister, no seguinte tom:

-Olá!... Que cãozinho tão querido... o bichano é seu?... Como se chama essa riqueza?

-Fuck it!

Pois... Bem se via que o brithish não sabia falar português... apenas arranhava umas coisitas da língua lusa...
Foquit... foquit... foquit...???!
Ah! “Foca”!
O cãozinho chamava-se “Foca”!
Que nome engraçado para se dar a um bichano tão querido... quando cá o Cidadão abt oferecer um destes animais à Companheira, também lhe vai atribuir o nome... de “Foca”... A ver se não esquece... “Foca”...
Ali há tanto tempo deitado...que grande tédio, meu Deus!
Com um temperamento hiperactivo, como é que este praça se aguentaria tanto tempo parado quieto...
Ná...
Havia que ir fazer qualquer coisa...
Por exemplo... Ir à procura do crocodilo... pois é!
O crocodilo que deu nas notícias!
E se o pensou, melhor o fez... toca de enrolar a garota boa estampada no toalhão, enfiar tudo na mochila cor-de-rosa com o ursinho Pooh, soltar os cavalos à Coty e ala que se faz tarde!
Com a povoação da Aldeia do Mato à esquerda e sem destino traçado, foi parar ao delta da Cabeça Gorda porque daquilo que tinha assistido no National Geografic, os crocodilos gostam de estagiar banhos de Sol nas margens dos deltas...
Vai de estacionar a motoreta vermelha Ferrari debaixo de uns tojos e de calções brancos com corações vermelhos e havaianas nos pés, com as suas parcas dioptrias, toca de sondar as margens... sem imaginar que se estava a meter numa alhada... mas...
Nada de especial...
Só o marulhar calmo das águas lambendo os calhaus...
Ao fundo, um lagostim trepava a encosta...outro mais adiante... de resto... nada... ah... um terceiro arranhando as dedos dos pés deste praça!
Ah! Filho da mãe!!!
“Levaste-me cá com uma sarrafada que fostes parar bem no meio das águas”!
Foi assim que pela primeira vez na vida, um crustáceo atrevido ultrapassou a barreira do som!
Ora, mais acima uns pinheiritos desbastados pelo fogo de há uns anos, uns eucaliptos, umas silvas... uns tojos e assim... mais além... adiante...
"""Mas... o que seria aquilo?!?!?!?!?!?!?!?!?!?!?
"""""Cum caraças!!!
"Um arrepio atravessou todo o corpo deste praça!!!
Era incrível!!!
Chegando umas dezenas de metros mais perto e lá estava o dito cujo animal muito quieto, no meio da vegetação... dissimulado na sombra, debaixo dos tojos!!!
E agora?
O que fazer???
Chamar a guarda?!!!
Não! O bicho entretanto mergulharia nas águas, desaparecendo de vista!...
Correr ao campanário da igreja das Fontes e tocar o sino a rebate??!?!
Assustaria o aligátor!!!
Sim porque aquilo tanto parecia ser um crocodilo... como ser um jacaré!
Um pau!
Era isso!
Sempre houvera dizer que para nos defendermos do ataque de um crocodilo era enfiando-lhe um pau na bocarra aberta, momentos antes do tipo abocanhar!!!
Ora um pau! Um pau... porra...porra...porrinha... Um pau também seria útil para passar ao possível plano “B,” que consistia em assentar umas valentes arrochadas no lombo e na cabeça do réptil de modos a pô-lo atordoado, caso a primeira tática falhasse!!!
Ora... nem a propósito!... 
Aquele troço de pinheiro vinha mesmo a calhar!...
Devagar, muito devagarinho...evitando movimentos bruscos que pudessem chamar a atenção do animal... este rapaz aprochegou-se do madeiro... agarrando-o firmemente com a mão direita...
E agora, faltava a coragem... era preciso ter muita coragem e avançar... o tipo mantinha-se bastante quieto debaixo da folhagem, pensando que cá o Cidadão abt não o teria avistado...
Mas... carais... carais...
Além estava outro!
Ena pá!
E aqui bem perto do Cidadão, mais um!
Quatro!
Quatro ao todo... não...
Ali outro!
Ena, tanto crocodilo!!!
Vendo bem a coisa, este praça estava cercado por eles!
Todos tão quietinhos que não houvera dado conta de um viveiro de crocodilos!
Era o ninho!!!
Estava metido numa grande alhada!!!
E agora, há que dar às de vila diogo... ou desancar à paulada nos bichos??
A loucura é uma virtude e se morresse trucidado pelos bicharocos sempre ficaria para a história como o herói que detectou um viveiro de crocodilos na albufeira do Castelo do Bode, morrendo com glória numa luta desigual!
-À caaaarrgaaaa!!!
Foi desta forma que este praça, de pau em riste se atirou áquele que lhe parecia mais fracote...
Mas... c’um raio!
Os gajos vistos mais de perto pareciam estar camuflados!!!
E os olhinhos luzidios aparentavam ser de rostos humanos!!!
Mas cá o rapaz não tinha tomado nenhum psicotrópico!!!
Crocodilos com rostos humanos!!!
Aquilo decerto seria uma metamorose!!!
De G3?!
Ai... agora os crocodilos usam G3?! Como os tempos mudaram!!!
-Oh! Pá! Pára mas é lá com essa merda e desanda daqui para fora que nos estás a perturbar o exercício!
“?!?!?”
Uma voz feminina!
Um crocodilo fêmea?!
De súbito, à frente do Cidadão saltou uma moçoila militar de faixa dourada na presilha do bolso do dólmen!
Enaaa!
-Éééé... Lááaáá!
Aquilo eram os militares que estavam para ali todos camuflados... no meio daquela vegetação!!!
Que barracada do camandro!

-Desculpe, a menina não viu por aqui... um crocodilo?... 

-Não goze, senão vou ter que o deter!...

Foi tempo de largar a vara, dar meia volta e... volver! Com um sorriso amarelo, claro... foi hora de pegar na Coty, dar o impulso ao pedal e de penico amarelo enfiado na cabeça, a mochila rosa às costas e a camisola negra de manga à cava com os IRON-MAIDEN ao peito, foi de zarpar... quanto antes!
Zarpar dali para fora e desta crónica também, para que o pessoal não se queixe que os post’s são extensos e enfadonhos de se ler...
Como tal, cá o Cidadão abt resolveu dividir esta saga;
...por episódios, tantos quantos as averiguações no terreno, as sugestões, a criatividade, o humor e a imaginação forem ditando...
Para continuar a ler o Crocodilo II clike aqui!

quarta-feira, 13 de julho de 2011

PATA - PATA

PATA - PATA


O fim-de-semana de 8, 9 e 10 de Julho deste ano da graça de 2011 foi bastante duro cá para o Cidadão abt na medida em que ficou com o ventrículo esquerdo dilatado pelas grandiosas Festas dos Tabuleiros em que as de outrora já preenchiam algum espaço das boas memórias e por nada do mundo este praça as atraiçoaria!
Como sabeis, fiéis ciberleitores, a estação televisiva da pimbalhada à portuguesa, uma tal TVI, durante a semana transata anunciou a transmissão em directo do culminar desta maravilhosa festa no domingueiro dia 10 de Julho, a partir da cidade Templária!
É certo e sabido que cá o Cidadão abt deixaria o magnetoscópio programado para gravar este programa com início às 14.30horas e término às 18.00horas...
Como a ressaca foi tão grande quanto a dimensão desta festa e houve que escrutinar e ordenar mais de mil duzentas e cinquenta e três fotos por ruas e temas, o que deu um trabalhão do camandro, este vassalo das coisas belas não teve tempo de visionar a gravação até chegado o dia D.
Ora bem, o tal canal da TVI não deixando os seus méritos por mãos alheias, resolveu montar o estaminé do palco, ocupando um espaço no jardim do Mouchão com a nora dos alcatruzes a servir de fundo e vai de transmitir os diretos... 
Com o desfilar de uma panóplia de músicos pimbas... que nem vale a pena citar os nomes abrindo duas excepções para um Toy visivelmente constrangido com a situação, precisamente porque de todas as nulidades em parada, era o único que nos revelava um bom grau de cultura popular.
Qual não foi o espanto cá do Cidadão abt quando visionou em palco o psico-hermafrodita José Castelo Branco que, com as suas excentricidades e abjecções vem ridicularizando a imagem e dignidade dos homossexuais e transexuais!
“Pata-pata” cantarolava ele em Play-back, sob um ritmo africano de influências tecno!
Assim continuando durante um bom bocado, “pata-pata”  para aqui, “pata-pata” para ali, saracoteando a peidola perante o ar incrédulo de espanto e indignação dos videntes!
Aquela abécula não era para ali chamada, pois estava completamente desenquadrada do ambiente de culto festivo que consiste a Festa do Divino Espírito Santo!!!
E do desfile dos tabuleiros, népias!
Nestes momentos, supõe-se que as gentes com mobilidade reduzia quedadas por casa contando relembrar bons velhos tempos, se sentiu algo lograda...
Enquanto a bela da Cristina Ferreira mostrava as suas limitações culturais em palco, o Nuno Eiró cada vez mais se embrenhava com a sua semi-pêra no seio da multidão que atestava a Corredoura!
Há coisas fantásticas!
Neste entretanto os portões da Mata Nacional dos Sete Montes abriam-se de par em par sob os estampidos dos foguetes de morteiro enquanto o Toy, em directo para todo o país e o mundo em arredores, tentava salvar a honra do convento e a ignorância da cachopa apresentadora, enchendo chouriços com os seus conhecimentos de enólogo credenciado...
Ficámos a saber que o men kurte bué um tintol amadurecido em cascos de carvalho americano, casado com um bom queijo curado!
E o directo da cerimónia... nicles!
Mais um desfile de pimbas em que apenas se aproveitavam as majorettes, geralmente gajas boas... com tudo no sítio, e do monumental desfile da Procissão dos Tabuleiros, apenas eram reportados breves segundos de quando em vez!
Mais ou menos aí pelas 16.50horas quando seria suposto as moçoilas e seus companheiros estarem formados na Praça da República frente à Igreja de São João Baptista, num monumental erguer dos Tabuleiros precedido da meritosa Bênção do Padre-Cura... em vez do canal televisivo mostrar as cenas em directo, não é que do Mouchão para o palco, saltou novamente aquele ser esquisito que deveria estar perdido na tribo algures na Namíbia?
E vai daí, “pata-pata,” “pata-pata,” “pata-pata,” “pata-pata,” “pata-pata,” “pata-pata”...
Porra lá p’ra tanta pata-pata!!!
É que dava a sensação que o “marchant d’art mediátique” estaria a gozar com a Festa do Divino Espírito Santo!
Enfiado em botas mexicanas pontiagudas e de salto alto, foi tanta a “pata-pata,” mesmo muita “pata-pata” libertada por aquele híbrido tigrês em palco que a apresentadora desatinou de todo, resgatando-lhe o microfone das unhas!!! 
Mais tarde cá o Cidadão abt foi informado que haviam muitas cabeças inocentes entre uma caçadeira com “azagalotes” e o extratrrestre!!!
E o Cortejo dos Tabuleiros prosseguiu Corredoura acima, perante o olhar de um Passos Coelho extasiado, depois de ter refrescado a goela com a quarta essência de um prestimoso aguadeiro que disse ser uma combinação de “gasosa com cereja”...
Dos cerejeiros, claro... e mais tarde passou a ser “gasosa com morango”... Vá lá que nunca foi gasosa com cerveja senão estava a caneca entornada!
O patilhas que mais nos fazia lembrar um charrôco do que uma eiró, reportava estes grandiloquentes pormenores a partir da Praça da República, enquanto a colega Cristina se rebolava no chão do palco com o pastor António e uma boazona por detrás ia gemendo a todo o vapor: 
“como é que eu heidi, como é que eu heidi, como é que eu heidir embora”...
Enfim... terminado o direto da TVI, houve um rescaldo de escassos 15 minutos de Cortejo dos Tabuleiros num universo de 3.30horas de transmissão, revelando que durante a semana em que a equipe televisiva assentou arrais em Tomar, irrisória ou nada mais nos enriqueceu sobre o culto da maior festa religiosa que acontece em Portugal, dando a impressão que andaram o tempo todo a gozar com o pagode!
Daqui a quatro anos há mais, fazendo conta que nessa altura será melhor negociado o tempo de transmissão da verdadeira festa em direto, justificando a viabilidade de canais públicos de televisão que não se auto-promovam mas dignifiquem os nossos valores culturais!

sexta-feira, 24 de junho de 2011

ALMAS AVENÇADAS


ALMAS AVENÇADAS


O facto de se manter um blogue ativo, tanto em termos criativos como responder aos comentadores, dar vazão à correspondência electrónica, e amelgaçar os blogues dos outros, requer alguma disponibilidade de tempo e muita dedicação à causa cibernética...
Enquanto na Europa se combate o síndroma do pepino, na região de Abrantes desenvolveu-se a estirpe de O Cidadão abt. Esta afeta os seres humanos, desenvolvendo-se em duas variantes; A e.irritabilis determina-se através de manifestações de irritabilidade com reminiscências de urticária no couro cabeludo do paciente enquanto a variante e.satisfatóris se nos revela por sintomas de boa disposição efusiva e excitação semelhantes aos efeitos da ingestão de psicoativos, acentuada flacidez do diafragma que separa o tórax do abdómen, dando utilidade às hemoglobinas com a consequente oxigenação do sangue!
Bom, bom, vamos mas é ao que nos interessa...  
Desta feita, cá o Cidadão abt debruçou-se sobre as cenas divinais!
Com o eclodir das guerras, o explodir dos bombistas suicidas, o suceder das catástrofes naturais e o flagelo da sinistralidade rodoviária, os humanos vêm exorcizando narcisismos, soberbas, ostentações, opulências, vaidades, egocentrismos, afirmações e competitividades entre semelhantes, deixando de serem uns garbosos Very Important People(VIP) para se reduzirem à universal insignificância do pó, na forma tentada de Rest In Peace(RIP), resultando na inevitável acumulação de pilhas de Processos de Encomendação de Almas junto aos  portões do Céu...  atrasando as acessibilidades e levando os fregueses a aguardarem longos anos pela sua conclusão... dando origem a que muitas das mais puras almas se transformem em almas penadas de regresso à terra, causando danos irreversíveis na psicose dos seres onde entretanto se alojam.
São Pedro não tem dado mãos a medir na tomada das canónicas decisões, ajuizando entre que almas se quedarão pelo Céu...
 ...quais delas serão selecionadas na purificação do
...e quantas seguirão directamente para o cumprimento de pena efectiva no Inferno.
À imagem e semelhança da Babilónia... também Portugal atravessa a maior crise económica dos últimos cem anos e, dada a escassez de santos magistrados, com o nobre intuito de lhes aliviar a sobrecarga horária dispendida com a Celestial Justiça, o bom filho de Jonas resolveu criar uma avença para os novos jubilados que entreguem a toga ao Criador, e vai daí, numa parceria público-celestial préviamente protocolada com o terráquio Ministério da Justiça, o segundo comprometeu-se pagar os respetivos subsídios de compensação às almas jubiladas em troca de que sem mais demandas, a estas seja garantido um confortável cantinho, algures no celestial firmamento!
Dispensando o recibo verde, de momento os honorários ascendem à módica quantia de cento e sessenta e cinco (165) mil €uros revertidos para as almas penadas no exercício das funções auxiliares à santa jurisprudência do velho Simeão. 

quarta-feira, 22 de junho de 2011

A TENDA DOS MILAGRES



 A TENDA DOS MILAGRES!


Ena c'um catano! 
Cá tendes o Cidadão abt em cima do acontecimento!
???€???€?????€€€€€€€€€€??????????$$$$$???????€€€€€€€€€????????€€€€€€€€€€€€€€€€€€€€€€€€€€€!!

Mais cenas maradas...
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Depois das portas e da borrachinha, desta feita, aí vem a...
Tenda dos Milagres!
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Nela podereis praticar o candomblé, lançardes os orixás, e quiçá, levardes cá-poêra nos olhos! Não encontrareis o Pedro Archanjo mas uma Maria que tão bem veio dos Céus!
Mas... nada de macumbas... tá?
Que dela tireis bons proveitos e melhores proventos!