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Este militante anti-cinzentista adverte que o blogue poderá conter textos ou imagens socialmente chocantes, pelo que a sua execução incomodará algumas mentalidades mais conservadoras ou sensíveis, não pretendendo pactuar com o padronizado, correndo o risco de se tornar de difícil assimilação e aceitação para alguns leitores! Se isso ocorrer, então estará a alcançar os objectivos pretendidos, agitando consciências acomodadas, automatizadas, padronizadas, politicamente correctas, adormecidas... ou espartilhadas por fórmulas e preconceitos. Embora parte dos seus artigos se possam "condimentar" com alguma "gíria", não confundirá "liberdade de expressão" com libertinagem de expressão, considerando que "a nossa liberdade termina onde começa a liberdade dos outros"(K.Marx). Apresentará o conteúdo dos seus posts de modo satírico, irónico, sarcástico, dinâmico, algo corrosivo, ou profundo e reflexivo, pausado, daí o insistente uso de reticências, para que no termo das suas incursões, os ciberleitores olhem o mundo de uma maneira um pouco diferente... e tendam a "deixá-lo um bocadinho melhor do que o encontraram" (B.Powell). Na coluna à esquerda, o ciberleitor encontrará uma lista de interessantes sítios a consultar, abrangendo distintas correntes político-partidárias ou sociais, que não significará a conotação ou a "rotulagem" do Cidadão abt com alguma dessas correntes... mas tão só a abertura e o consequente o enriquecimento resultantes da análise aos diferentes ideais e correntes de opinião, porquanto os mesmos abordam temas pertinentes, actuais, válidos e úteis, dando especial primazia aos "nossos" blogues autóctones... Uma acutilância aqui, uma ironia ali, uma dica do além... Assim se vai construindo este blogue... Ligue o som e... Boas leituras.

sábado, 24 de novembro de 2012

AGRURAS


AGRURAS

   Depois de prolongado retiro na residencial sénior de Belém, comunicando esporadicamente com alguns portugueses seus amigos através do facebook e naturalmente por intermédio das tecnologias de informação, recebendo indagações sobre o seu existencialismo e estado de saúde, se bem quando o Exmo. Senhor Presidente da República, Dr. Aníbal Cavaco Silva, num passe de mágica apareceu em Espanha, amparado pelo homem de massa má e pelo sujeito passivo que numa atitude geriátrica lhe terão trocando o pin da bandeirinha portuguesa por uma coisinha redonda, azul e douradinha igual às outras da XXII Cimeira Ibero-Americana, prevenindo a situação para que depois de uma rapidinha ao dãã-bliú-cê de Cádiz, o adereço nacional não se lhe apresentasse subitamente invertido na lapela e como sabereis, um homem prevenido... vale por dois... 
Não fosse igualmente o Senhor Silva entrar em desnorte, perder-se algures em território castelhano e enveredando por errante caminhada, apenas viesse a ser achado meses adiante, entornando bué da litrosas numa desbunda de vacaciones da Páscoa, e em ritmo techno, dançando desenfreadamente a Lambada com as fogosas moçoilas de Lloret de Mar !!...
É um risco acrescido das pessoas com doença de Alzheimer que as torna confusas, passando a apresentar alterações da personalidade, com distúrbios de conduta, acabando por não se reconhecer a si mesmas quando abismadas frente ao espelho...
Para retardar esta patologia degenerativa recomenda-se pois que num acto de cidadania activa, é recomendável que volta e meia o povo se junte frente à residencial sénior de Belém e bata em latas, tachos e panelas vazias, que sopre em vuvuzelas, accione shelltoxes de ar comprimido, liberte um ou outro petardo, grite e escreva frases garrafais em faixas de considerável dimensão e mostre as mamocas ao Senhor Presidente...
...para assim estimular os órgãos sensoriais do guardião da Constituição da República, contribuindo para que o senhor se mantenha o mais consciente e lúcido possível e de quando em vez possa chegar-se à janela acenando solenemente ao povo omnipresente, que nem um Papa do Vaticano em plena bênção do Urbi et Orbi!
O Relvas e o Macedo darão um jeito nas policias para aguentarem duas horas a levar na pinha, aguçando a sua eficácia no ordenamento do território envolvente... e assim exorcizarem o hábito fatela de se unirem ao povo que participa nas manif's!
A exposição ao público foi andando menos mal enquanto o chefe de estado do sítio português foi abrindo e fechando a boca sem algo de concreto balbuciar, até chegado o momento em que resolveu pronunciar-se sobre o que lhe ia nas mágoas...
Os ouvintes não contariam porém que dentro de si, o Senhor Silva guardasse rancores de décadas, talvez a mais plausível razão para o sepulcral silêncio que antecedeu as suas palavras públicas ficando os portugueses sabedores que as agruras do Senhor de Boliqueime se prendem a azedumes com o primeiro-ministro que se manteve empoleirado na República Portuguesa entre os anos de1985 e1995 do século passado!
Azedume é um sentimento que se arrasta e dói sem se ver...
Ferida que dói e não se sente... 
Um contentamento descontente, uma dor que desatina sem doer... Um não querer mais que bem-querer e solitário andar por entre a gente e nunca contentar-se de contente e cuidar que se ganha em se perder... Um querer estar preso por vontade e servir a quem vence e ter quem nos mate a lealdade...
Onde é que cá o Cidadão abt já leu isto?!
Ah! Foi qualquer coisa escrita pelo Luís Vaz de Camões... que via mais só com um ôlho do que muita gente vê com os dois!
Posteriormente à cimeira, falou o Senhor Presidente da República Portuguesa na sessão de abertura do 22ºCongresso das Comunicações, esperançado que os Bavas, os Belmiros e osTónhos lhe oferecessem uns quantos cartões e pen’s com plafond’s de minutos para gastar no gadjet pessoal, assim seleccionando o facebook com os info-íncluídos que ainda detêm uns tostões no fundilhos das algibeiras para aceder a essas tretas da Internet:
 
“Numa altura em que urge criar riqueza no país e gerar novas bases de crescimento económico, é necessário olhar para o que esquecemos nas últimas décadas e ultrapassar os estigmas que nos afastaram do mar, da agricultura e até da indústria, com vista a produzirmos, em maior gama e quantidade, produtos e serviços que possam ser dirigidos aos mercados externos”.

S'tá desta côr porque o discurso foi cinzento e radicalmente implacável para com o seu antecessor ministerial!
À primeira impressão ficamos a saber que o chefe do estado a que isto chegou se esqueceu do que se passou neste rectângulo durante as últimas décadas, confirmando que dia após dia, o seu estado de senilidade se vem acentuado de sobremaneira, ao considerar os estigmas que nos afastaram do mar, da agricultura e da indústria, numa excelente indirecta ao primeiro-ministro que à época governara esta jangada!
Ora toma lá que é para abrires a pestana!
Aí sim, o Senhor Silva tem sobejas razões para malhar forte e feio no visado!
O fulano que a seu tempo possuiu as rédeas da República Portuguesa e cujo nome de momento não vem à idéia, porque pese hiperactivo, também este Cidadão começa cedendo a sérias complicações de saúde, ora bem, em antecipação às leis pseudo-comunitárias, o tal cromo resolveu mandar calibrar os tomates, as laranjas, as maçãs e os kiwis cultivados pelos portuguesitos, mandou alargar as malhas das redes e reduzir as frotas de pesca e, com o dinheiro enviado pelas oligarquias comunitárias de cariz invasor, subsidiar replantações intensivas de umas quantas espécies arbóreas e transgénicas e ainda sob a égide do desenvolvimento de uns quantos banqueiros amigos da usura transcontinental com crédito em paraísos fiscais, incentivar ao consumismo desenfreado e ao fartar vilanagem que levou à iminente capitulação do actual estado critico da nação, suspeitando-se que o tal fulano, para poder escapar a tão acintosas criticas, agora andará escondido algures entre os reposteiros de algum palácio!
É evidentemente a isto que o big-boss da boina se refere e como tal, tenha fortes razões para alimentar ódios figadais pelo seu antecessor que na tal década se iniciou na gloriosa fornicação da soberania nacional, dando azo à conjuntura que coloca o actual Presidente da República na situação periclitante que agora, fulo de todo, o faz andar às aranhas!
Está previsto que com a chegada do final do ano, o idoso mais experiente de Belém desabafe estas agruras remanescentes do passado no prefácio do seu próximo livro de intervenções, Roteiros VII a saltar para as bancas nos primeiros meses do ano de 2013!
No esforço de recuperação da memória a longo prazo, recomendam-se ao senhor Silva tomas diárias de Cerebrum! Aguardemos expectantes por um exemplar!

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

RESPONSÁVEL !



RESPONSÁVEL !

  No Auditório Nacional dos Municípios em Coimbra, a Câmara Municipal de Abrantes recebeu no 24 de Outubro do anno da graça de 2012 pelas 17 horas, a honorável distinção por ser uma das trinta e cinco autarquias mais responsáveis do Pais! Exactamente!... Bué! Bué da responsável! E se de facto isto é assim uma cena tão responsável, logo há que parabenizar a circunstância! Ora vamos a isto, que se faz tarde!
O Observatório das Autarquias Familiarmente Responsáveis, uma das famosas gorduras institucionais que nos minguam o ordenado, galardoou a prática de política familiar incrementada pela autarquia abrantina, talvez por ter sido responsável pelo fiasco do projecto da Clínica Ofélia e pêlos trinta centímetros de apêndices capilares depositados sobre a mesa das reuniões autárquicas... responsável pelo contrato manhoso e posteriores cronogramas (leia-se “tangas”) negociais incondicionalmente propostos pelo promotor da famigerada e prometida fábrica "RPP" de painéis solares no casal algo curtido em marinada de vinagre... responsável pela eutrofização do Àquapólis devido à overdose de nutrientes e coliformes fecais provenientes dos esgotos urbanos e afins... responsável pela cobrança de elevados valores no consumo de água, esgotos e seus derivados... responsável pela transacção da horta do Ponces, na Quinta da Arca D'Água... responsável pela deslocalização forçada das crianças da Escola Primária de São Facundo para o Centro Escolar da Bemposta... responsável pela degradação da Piscina Municipal e subsequente alienação por tuta e meia a um particular... responsável pelo golpe de rins no projecto de construção do Hotel do Barro Vermelho... responsável pelo negócio da china com o Edifício Milho resultando no lucro de milhões de euros para o Grupo LENA... responsável pela desproporção das verbas na contratação de serviços publicitários atribuídos aos órgãos de comunicação social pertencentes ao Grupo LENA... responsável pela paralisação da dispendiosa construção do mercado diário num declive de terreno, energéticamente oneroso e lesivo à conservação do património histórico, havendo por perto extensão sobeja de terreno plano onde o reedificar... responsável pelo projecto do Museu Ibérico de Arqueologia e Arte de Abrantes que abortou por razões óbvias de inviabilidade económica, paisagística e historicamente descontextualizado... responsável pelos parâmetros do sentimento generalizado de insegurança que se disseminou pelo concelho e só é considerado efectivo quando toca à porta dos edis... responsável pela construção de um campo de basebol de utilidade esporádica... responsável pela inoperância face à expectante derrocada de imóveis devolutos do tecido urbano e... responsável pela construção precipitada dos centros escolares sem controlo da qualidade dos materiais aplicados, carecendo de reajustamentos e obras de requalificação ao fim de escassos meses de utilização, deixando os acessos impraticáveis...  Haja galardão!
Serão estes parâmetros indubitavelmente suficientes para que Abrantes mereça lugar de destaque no universo dos municípios considerados “Autarquia + Familiarmente Responsável 2012” sobeja razão das cordiais felicitações pela coisa mais ou menos pr'ó popular, sendo que juntamente à Nacional e à Municipal, a bandeirola verde desfraldada na frontaria dos Paços do Concelho ficará sempre bem como sinónimo de esperança...
-Ou o galardão não teria sido atribuído por tais razões?!

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

INFILTRAÇÕES


INFILTRAÇÕES

Chegou o Outono e com ele vieram as precipitações atmosféricas. E quando chove... chove nos quintais, chove nos campos e nas cidades, chove nas aldeias e nos jardins, chove nas ruas, chove nos caminhos, e chove nos centros escolares!
Muita água correu debaixo das pontes durante as ultimas legislaturas administrativas, outra tanta se continuando a meter no Parque Escolar e tal como outros, o Centro Escolar de Rio de Moinhos inaugurado a 10 de Junho deste ano, não é excepção!
Blocos de arquitectura mameluca característica das regiões secas, concebidos à base de painéis pré-fabricados conjugados em jogos monocromáticos de panos verticais desprovidos de revestimento acústico que reflectem a propagação das ondas sonoras, terraços planos atravessados pelo aquecimento solar e desprovidos de isolamentos e sistemas eficientes de drenagem das águas pluviais que escorrem pelo interior das paredes, gotejando dos tectos sem revestimento, recintos cobertos de areias empapadas em charcos de água onde as pessoas se atolam, pavimentos interiores em PVC e linóleo que encapelam às primeiras humidades, portas disfuncionais providas de maçanetas biodegradávelmente inadequadas às mãos infantis, caldeiras de água quente e terminais de gás a carecerem de reparações e reajustamentos, todas estas deficiências registadas no intervalo de tempo inferior ao parir de um moço!
Entre outras obras monumentais, assim foram construídos os centros escolares que nós contribuintes, pagamos com juros elevados aos agentes financeiros intermediários do Fundo Monetário Internacional e do Banco Central Europeu, cujos materiais orçamentados ficaram aquém das quantidades e qualidade desejadas, mas o seu valor decerto depositado nas contas bancárias de alguns senhores e os projectos confinados a outros!
Como o ciberleitor já deve ter entendido, não só chove no exterior como também no interior dos centros escolares!
-Dentro e fora... Percebeu?
Quer-se dizer... Chover como na rua, não chove, mas que escorre e pinga, lá isso pinga!
Presume-se que entretanto as edis do município abrantino se desloquem ao Japão a fim de encomendarem dezenas de pares de galochas brancas para a invernia e por cá firmem contractos exotéricos com entidades paranormais para que debaixo de tecto, os garotos possam usufruir imunidade no guarda-chuva aberto sem que para tal se exponham a azares maiores!
Blogger que se preze, tenta averiguar as situações assinaladas pelos seus concidadãos e como um azar nunca vem só, ao deslocar-se ao local em apreço, este praça acabou por encharcar as peúgas nas irregularidades empoçadas das ruas do Azinhal e Visconde da Abrançalha que acedem às instalações do Centro Escolar de Rio de Moinhos sem por lá ter achado uma bruxinha como a que esvoaça aqui um pouquito mais acima!
Ou porque o alcatrão está caro ou o orçamento se esgotou no projecto ficando descurada a repavimentação após a instalação das cablagens e canalizações, o certo é que o traçado sem passeios e o estado de conservação daquelas artérias deixa muito a desejar, perigando a circulação de veículos e pessoas, retratando a urgência na concretização do projecto socratino a que dão serventia.
Sugere-se pois que neste tempo de vacas escanzeladas, a edilidade abrantina realoje os petizes nas velhas escolas primárias outrora erigidas pelo Estado Novo e accione a garantia de construção para obras de correcção dos acabamentos nos centros escolares ou, na hipótese da empresa construtora contratada por ajuste directo ter declarado insolvência, que a edilidade invista mais uns milhares de €uros dos contribuintes em alterações e remodelações, havendo que aproveitar enquanto formos cinco milhões e meio de indivíduos no sustento da colossal máquina sugadora de impostos!

domingo, 14 de outubro de 2012

CRITÉRIOS


CRITÉRIOS

  Se a memória não nos atraiçoa, no transacto Agosto deste ano a presidência da Câmara Municipal de Abrantes rejeitou a proposta de um industrial requalificar a Quinta da Viscondessa do Tramagal para fins de turismo rural, sita na Abrançalha, rejeitando o projecto com anos de análise, alegando haver excesso de oferta turística na região abrantina.
Ao fim de dois meses, a mesmíssima presidência da câmara tubuca viabilizaria um projecto privado para requalificação da piscina degradada e demais terrenos adjacentes a ocidente do cabeço do Alto de Santo António, porque subitamente se registou escassez de oferta turística em Abrantes, concluindo-se que ao fim de sessenta dias o custo de vida dos portugueses e demais povos europeus sofreu um desagravamento substancial na medida em que a deliberação por unanimidade de 8 de Outubro de 2012 aprova a alienação do terreno da Piscina Municipal com área de 4685 metros quadrados confinantes ao Hotel Turismo de Abrantes, pelo preço simbólico de 5.856,25€, o que resulta qualquer coisa como 1,25 € por metro quadrado, sob o pressuposto de:
 “não existirem em Abrantes, equipamentos similares suficientes para a procura de alguma exigência de serviços, nem disputa entre os operadores nas ofertas para captação de fluxos turísticos e por se considerar a existência do hotel como fonte de permanência temporária de visitantes, com benefícios diretos no tecido económico local”...Cita-se.
-Bah! Que diferença é que isso faz à minha vida?
Observarão os absortos por outros valores...
É que os espaços adquiridos a peso de ouro e posteriormente vendidos a preços simbólicos pela administração pública custam o emprego e os olhos da cara aos contribuintes, razão mais do que suficiente para que hoje estejamos a pagar os devaneios e as mordomias de uns quantos fregueses da nação, traduzidos em enormes impostos equacionados pelo senhor Valium!!!
-Um peso, duas medidas.    
Suporão os mais atentos...
Para o empresário da Abrançalha, a autarquia entendeu que o negócio não se justificava por escassez de procura enquanto a alienação a preços simbólicos da piscina e terrenos limítrofes para alargamento das infra-estruturas do Hotel de Turismo, a bonda da procura é razão de sobra, assumindo a dualidade de critérios diante de situações idênticas, justificando as medidas de acordo com as conveniências.
Depreende-se que na Piscina Municipal foi aplicada a política da terra queimada que devido ao desmazelo, a autarquia tubuca deixou os equipamentos chegarem a adiantado estado de degradação, ao ponto de atingirem o pseudo “valor simbólico” inferior ao Valor Base atribuído pelos avalistas fiscais do Imposto Municipal sobre Imóveis, mesmo que o dito cujo espaço se sitiasse no Vale de Tábuas!
Consta do contrato que num mínimo de trinta anos, a Piscina Municipal será reactivada e recuperados os espaços verdes envolventes, posteriormente disponibilizados ao público.
Como é fácil de entender a qualquer leigo, a exploração feita por uma empresa privada e auto-sustentada envolve margens de lucro bastante superiores às necessárias para a manutenção dos equipamentos e mão-de-obra, cujo bilhete de ingresso se traduzirá em elevado custo para o banhista, ficando seleccionadas as acessibilidades ao público em geral tal como sucede noutros estabelecimentos hoteleiros de gabarito privado.
Compreende-se que a autarquia pretenda dinamizar o centro histórico consolidando a permanência temporária de numerosos visitantes e nesse âmbito cá este rapaz sugeria que à semelhança do edifício Milho deitado aos pombos...
...a presidência da Câmara de Abrantes adquirisse o moribundo complexo hoteleiro, com piscina incluída, fronteiro à Central Termoeléctrica do Pego...
... e por tuta e meia o alienasse à dona Maria da Conceição, vulgotia Kikas”, empresária sobejamente conhecida do Vale de Santarém, dinamizando ali um espaço hoteleiro de oferta turística, lúdica e multi-funcional onde tranquilamente se introduziriam singelas bolinas nos buraquinhos de golfe...
...e nele caberão magistrados, ex-presidiários, deputados, pescadores, advogados, trolhas, arquitectos, magalas, marinheiros d'àgua doce, polícias, médicos, coronéis, agricultores, estudantes, pastores, engenheiros, idosos, labregos e outros tantos adolescentes bexigosos resgatados à puberdade, que buscarão um peito amigo com quem desabafar, atraindo inúmeras excursões de portugueses, espanhóis, magrebinos, nipónicos e outras ofélias em busca de conforto e aconselhamento psicológico para males de amor, complicações matrimoniais, problemas financeiros, distúrbios hiper-testosteronais e bicos de papagaio, lá disponibilizando moçoilas poliglotas, especializadas na dança do varão vermelho e licenciadas em psicologia, enfermagem, medicinas alternativas, docência, fisioterapia e outras valências distintas...
...todinhas certificadas pelos técnicos do Instituto de Emprego e Formação Profissional, culminando na enorme afluência turística e consequente alavancagem da região, colhendo benefícios directos para o tecido económico local e substancial contributo para introduzir Abrantes na rota das pedras lascadas, polidas, gravadas, esculpidas e talhadas dos visionários ibéricos...
...tornando-se uma mais-valia para as associações de estudantes e consistindo num forte incentivo à concretização do projecto industrial no vizinho Casal Curtido onde do alto da sua virilidade financeira, o esquivo RPP O Cowboy Solar se propõe incrementar a tal fábrica de painéis fotovoltaicos com cento e vinte sanitas e zero emissões de maricas que dariam cabo do ozono, recuperando o epíteto de "capital da energia".
 -O que faz correr Sammy?

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

A IN.VERSÃO


A IN.VERSÃO

Retratando o actual estado de Portugal, o espírito dos nossos governantes e a inversão de valores desta nação... 
? ? ? ...levou a que na varanda dos Paços do Concelho alfacinha, exactamente  pelas 9 horas e 49 minutos da matina de 5 de Outubro de 2012 sua irreverência o Ex.mo Senhor Presidente da República Aníbal Cavaco Silva assinalasse a solenidade do momento ao hastear a bandeira nacional com o escudo invertido, decerto anunciando que o território está ocupado pelas oligarquias internacionais e fazendo-se substituir ao Darth Vader do movimento 31 da Armada.
Dois likes para o povo...
As cerimónias de comemoração da Implantação da República decorreram em ambiente restrito ao Pátio da Galé, apenas perturbadas por duas infiltrações populares que ludibriaram a segurança apertada, uma das quais, Ana Maria Pinto, exímia soprano lírica, intervindo com a cantata "Firmeza," da autoria de Fernando Lopes Graça e letra de João José Cochofel... na tentativa de espantar, afugentar, expulsar os ratos da Galé... 
...e Luísa Trindade dando voz a milhões de portugueses, ao queixar-se que de reforma aufere menos que a vigésima parte da brutal remuneração e demais mordomias dum ministro, enquanto o primaz foi até Bratislava reunir-se aos amigos de coesão... e a Malta, juntar-se claramente ao passivo do coração.
"Sem frases de desânimo, nem complicações de alma, que o teu corpo agora fale, presente e seguro do que vale. Pedra em que a vida se alicerça, argamassa e nervo, pega-lhe como um senhor e nunca como um servo. Não seja o travor das lágrimas capaz de embargar-te a voz, que a boca a sorrir não mate nos lábios o brado de combate. Olha que a vida nos acena para além da luta. Canta os sonhos com que esperas, que o espelho da vida nos escuta."

Firmeza -  João José Cochofel

sábado, 22 de setembro de 2012

A ESPIRAL


A ESPIRAL



Deram-me uma burra que era mansa e que era brava, toda bem-parecida, mas a burra não andava nem prá frente nem pra trás. Muito lhe ralhava mas não era capaz de fazer a burra andar. Passava do meio-dia e eu a desesperar... Falhei-lhe no burrico e a burra até correu...
Não será pelo acaso nem devido aos conflitos internacionais que o preço dos combustíveis tem vindo a descer nestas duas últimas semanas marcadas pela agitação social.
As mega manifestações de cidadania que aconteceram a 15 de Setembro com epicentro na delegação do Fundo Monetário Internacional, no Palácio de São Bento e réplicas em todo o país, representam o despertar do estertor a que os portugueses têm sido induzidos, reagindo adversamente às políticas laboratoriais empreendidas pela actual cátedra de teóricos, não parecendo porém que os meninos de coro tenham tomado o sério da agitação social.
Esta coligação mais troikista que a sugadora troika teve o mérito de conseguir mobilizar o povo em uníssono, cidadãos que sentindo na carteira e na pele a asfixia internacional explorada pela usura das instituições bancárias... 
...se deixaram de futebóis, telenovelas e devoções e no intervalo de dois anos regressaram às ruas em manifestações de âmbito nacional sem precedentes, ao ponto do General Luís Araújo, na qualidade de Chefe do Estado-Maior vir a terreiro anunciar que as Forças Armadas estão serenas mas atentas ao desenrolar dos desígnios de Portugal, considerando que os homens e as mulheres que servem as fileiras são seres humanos... 
...que têm sentimentos, têm família, têm alma, enfim, têm necessidades, carências, angústias e expectativas comuns às do povo... mas não submissos.
Neste contexto incluem-se as forças de segurança pública presentes nos locais das contestações em cumprimento da sua missão, são conscientes que as acções de cidadania também dizem respeito às suas expectativas de futuro, sendo a fronteira do mútuo respeito que pautua as forças em presença e não pelo receio de hipotética carga policial que seria impotente perante o avanço dos milhares de manifestantes presentes, ou vice-versa, se transformaria numa enorme batalha campal sem vencedores nem vencidos, cabendo a responsabilidade dessa desgraça aos ministros obstinados das idéias.
Antes que surja um Governo de Salvação Nacional  já a actual coligação governamental se antecipou ao criar o Conselho de Coordenação da Coligação, organismo destinado a gerir divergências internas com o intuito de evitar o seu desmembramento, confirmando que a quebra de confiança se instalou e a fragilidade é uma constante do Governo determinadamente isolado dos portugueses que insiste na cruzada da privatização e venda das empresas públicas aos amigos dos seus amigos e aos filhos e sobrinhos dos amigos dos outros, sendo o mesmo que vender Portugal aos retalhos, sugerindo-se desde já que os senhores ministros façam venda dos palácios de Belém e de São Bento com as centenas de funcionários, o activo e o passivo incluídos!... 
Enquanto as populações protestam por bastas razões, rejeitando as decisões submissas às oligarquias internacionais, os ditos senhores de quem se fala, tentam cingir a razão dos protestos à insustentabilidade e consequente rejeição da TSU leia-se “Taxa Social Única” (e não as siglas de uma associação desportiva), gota que fez transbordar o copo da pachorra popular.
Assim se esvaiu uma semana sem solução ao fundo do túnel, levando a que por intermédio das redes sociais se convocasse nova manifestação de protesto junto ao Palácio de Belém durante o Conselho de Estado do dia 21 de Setembro, convocado pelo Senhor de Boliqueime que irá a todo o custo escrevinhar o prefácio menos incisivo da sua vida, na próxima obra literária que decerto se designará “Roteiros VII”. 
Desconhecendo se de epidural ou de cesariana, porque de parto normal seria bastante doloroso por dificuldade na dilatação, ao fim de oito extraordinárias horas com um catedrático teórico e o proprietário de uma fundação a desistirem ao primeiro round, lá pariu a criança, concluindo-se que não sendo fêmea como o dinheiro de certos administradores, gestores e banqueiros, havia de se lhe trocar o enxoval e mudar o nome até então previsto!
Deixava de se lhe baptizar TSU e punha-se-lhe... por exemplo... IRS... muito mais IRS e menos décimo terceiro mês! 
 -Que acham?!   Fica bem?! 
Meses antes dos protestos em crescendo, houve quem estranhasse o longo silêncio de Belém, alvitrando-se a hipótese do inquilino ter emigrado para Angola ou perecido na sequela de mais um idoso abandonado por ausência de apoio domiciliário dos míseros organismos públicos sob tutela da Segurança Social mas o fedor de lá provindo dever-se-ia certamente a razões de ordem ética.
Castigando as populações sobrecarregadas de impostos, de precariedade, de crescente número de casais desempregados, de funcionários públicos e de professores excedentários que se vão acotovelando nas mesas dos cafés, enquanto se encerrarem escolas substituídas por novos Centros Escolares deslocalizados, enquanto se fecham hospitais deixando as regiões desprovidas de assistência e valências médicas e enquanto se brindam os jovens estudantes com menor carga horária, sobrando-lhes tempo para evasões, nunca qualquer Governo algum dia se convença que terá o aval do seu povo.
Governo que insista em injectar administradores e directores nos obesos organismos públicos sem qualquer utilidade como o são as 16 entidades reguladoras que nada regulam, grande parte das 800 fundações intituladas de utilidade pública em que umas mais do que outras vão auferindo dos 800 milhões de euros anuais de subsídiodependências, colhendo os seus gestores isenções e benesses fiscais que vão sugando as finanças portuguesas, os 148 observatórios que apenas servem para fazer número e estatísticas, as parecerias público-privadas onde administradores auferem chorudos vencimentos acumulados a outras tantas reformas pagas pelos contribuintes, as centenas de comissões e associações de todos os géneros, propósitos e feitios que subsidiadas, não se lhes vislumbram benefícios em favor das comunidades locais...
...o pagamento de milhões de euros em subvenções públicas para os partidos políticos estourarem em campanhas eleitorais e enquanto um qualquer primeiro-ministro tiver 31 viaturas topo de gama ao dispor, num universo de 208 carros à ordem do Governo, tudo  sustentado pelo erário público, contrastando com o regatear dos escassos 5 helicópteros disponibilizados pelo INEM ao serviço dos dez milhões, setecentos e seis mil, novecentos e treze portugueses residentes no país, e enquanto um qualquer Governo fôr submisso a meia dúzia de senhores, neste país onde cada vez são mais os que têm menos e cada vez menos os que possuem mais, poderá tirar o cavalinho da chuva porque jamais merecerá o crédito da população.
Pecando por tardia, a eliminação concreta, massiva e substancial nas gorduras do Estado, será uma das medidas bem aceites pelos milhões de portugueses contestatários, via eficaz para a rápida redução do déficite público e resignação social.
Com estas práticas jamais nos libertaremos das ditaduras capitalistas que nos são impostas, levando ao descrédito nas políticas incrementadas por uns senhores que à custa de esmiuçar os salários dos poucos que ainda trabalham e mitigar reformas de quem descontou durante décadas, pretendem livrar o país da usura europeia em que se entalou, iludido pela publicidade enganosa do financiamento a “fundo perdido”. 
Hoje os que ainda têm algum poder de compra restringem-se ao consumo do essencial, reflectindo-se na inflexão das transacções comerciais, no consequente decréscimo do valor arrecadado em impostos e na quebra das receitas fiscais do Estado Português, em suma, numa avassaladora contracção económica que contraria as pretensões dos teóricos que se propoêm governar os nossos destinos, mesmo que sejam d'além fronteiras.
Não mudando o rumo da austeridade exigida, qual patologia de cariz epidémico onde clínicos insistem em receitar terapias erradas ao paciente, as manifestações por ora pacificas e contidas darão lugar ao desespero, à radicalização dos protestos, à espiral das contestações, a tumultos massivos e explosão social com elevado grau de violência que há a prevenir antes que a tragédia aconteça.