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Este militante anti-cinzentista adverte que o blogue poderá conter textos ou imagens socialmente chocantes, pelo que a sua execução incomodará algumas mentalidades mais conservadoras ou sensíveis, não pretendendo pactuar com o padronizado, correndo o risco de se tornar de difícil assimilação e aceitação para alguns leitores! Se isso ocorrer, então estará a alcançar os objectivos pretendidos, agitando consciências acomodadas, automatizadas, padronizadas, politicamente correctas, adormecidas... ou espartilhadas por fórmulas e preconceitos. Embora parte dos seus artigos se possam "condimentar" com alguma "gíria", não confundirá "liberdade de expressão" com libertinagem de expressão, considerando que "a nossa liberdade termina onde começa a liberdade dos outros"(K.Marx). Apresentará o conteúdo dos seus posts de modo satírico, irónico, sarcástico, dinâmico, algo corrosivo, ou profundo e reflexivo, pausado, daí o insistente uso de reticências, para que no termo das suas incursões, os ciberleitores olhem o mundo de uma maneira um pouco diferente... e tendam a "deixá-lo um bocadinho melhor do que o encontraram" (B.Powell). Na coluna à esquerda, o ciberleitor encontrará uma lista de interessantes sítios a consultar, abrangendo distintas correntes político-partidárias ou sociais, que não significará a conotação ou a "rotulagem" do Cidadão abt com alguma dessas correntes... mas tão só a abertura e o consequente o enriquecimento resultantes da análise aos diferentes ideais e correntes de opinião, porquanto os mesmos abordam temas pertinentes, actuais, válidos e úteis, dando especial primazia aos "nossos" blogues autóctones... Uma acutilância aqui, uma ironia ali, uma dica do além... Assim se vai construindo este blogue... Ligue o som e... Boas leituras.

domingo, 1 de abril de 2012

O TUBUCOSSAURO II


O TUBUCOSSAURO II
Segundo episódio

Gaita! A sucessão de acontecimentos era demais para um Cidadão que não tinha propriamente dezasseis anos!
Convicto de que ali havia sangue, este azarado ergueu-se a muito custo da calhostrante prostração, arrojando por entre os arbustos na firme suposição que aqueles gemidos fossem provenientes de algum aventureiro ferido ou, pela panóplia de descartáveis atreitos à degustação, defumação e cópula humana, espalhados entre a densa vegetação, poderiam advir de algum casal embrenhado algures em sublime inseminação genética veementemente recomendada pela comadre Cavaquêta.
Afinal não se tratava de uma coisa, nem da outra!
Ajoelhado e de mãos erguidas aos Céus, Dacota recitava versículos de Chico Buarque de Holanda...
-Ah!... Pois!... 
Às paginas tantas o ciberleitor estará para aí apanhando bonés simplesmente por não ter consultado o primeiro episódio! 
Se fôr o caso, primeiro faça o favor de viajar até este sítio e só então, seja bem regressado!
Por seu turno, Marley via a salvação da alma no anfíbio semelhante ao Tiranossauro Rex...

-Irmão! Estou na tua onda! Descobrimos um porto de partida para a repatriação! Esta é a escada que no dia do Êxodo final nos encaminhará a Sião!

-Qual quê? Isto é uma plataforma de acesso aos zeppelins mas não tem nada a ver com a repatriação ou o raio que os parta! Com a implementação das sinergias renováveis, no futuro a nafta e o querosene vão ser substituídos pelo biogás e o lowcost transcontinental passará a fazer-se em dirigíveis e balões de ar quente, movidos a hélio e a hidrogénio!
Foi o predestinar do aviador.

-Yá! Quando chegar o Armagedon, enormes zeppelins e bué balões irão atracar lá em cima donde embarcará toda a Babilonia!
-Ó homem, ganhe calma, pôcha!! Qual Armagedon qual quê!!!

Enervava-se a Companheira.

-Yá Sista! Não invadas o meu templo nem a minha itazion! Curte a tua, tá?

-Afinal o que se passa aqui? Sempre acertaram no monstro? Ouvi três tiros ou foi impressão minha?

Reentrou cá do Cidadão que percebera ter recuperado a lexia!
O tralho provocado pelo Djah dera um jeito nisso...
Não era propriamente um bicho...
Aquilo seria o monumento à besta pré-histórica que durante o período Cretáceo, vai para uns setenta milhões de anos, povoou os continentes americano e asiático.

Tão autêntico que a ilusão óptica bem deturpou a realidade!

 -Isto é o monumento a um sauro qualquer coisa... Tubucci... Um Tubossauro... ná...

-Um Saurobuco...

-Não sejas parva... Companheira!

 -Yá! Hailé Selassié é a luz que nos guia!

-Um Bucossauro...

-Yá! É a redenção, meus irmãos!

-E tú a dar-lhe, Companheira!

-Yá! O êxodo da Babilonia está para chegar e este é um porto de partida!

 Marley mostrava-se excitadíssimo com o achado e não se calava por razão alguma!

-Meus senhores... Isto será uma talhada de bancada dos estádios que sobraram do Euro 2004! Recordem-se que os estádios deixaram de servir? Pois Bem! Agora serve de plataforma para as aeronaves do futuro!

O Dacota tinha ideias fantásticas...

-Não está mal pensado não senhor... Já sei! Aquilo é para os pescadores!

-...Companheira. Parece-me mais o monumento a um animal pré-histórico... E, a plataforma maior está orientada para terra! A tua sugestão não tem logica!

-Palerma! É uma plataforma sim, para os pescadores darem banho à minhoca, mas desorientado com a crise que atravessamos e pressionado pela autarquia receosa que o actual ministério abortasse a concretização do projecto, o empreiteiro precipitou-se na obra, acabando por construir o balcão virado ao contrário do idealizado! A parte elevada devia ficar orientada a Sul, precisamente sobre as águas do rio!
-Disparate!  Para mim não passa do monumento ao Tubucossauro Rex!

-Yá! O império da Babilonia está perto de desaparecer! Pode ser um Babilossauro!

Ou o Marley sofria de insolações ou o ganjah seria puro...

-Desculpe-me a indiscrição, senhor Dacota...Porque estava ajoelhado recitando frases do Chico Buarque?

-Tive uma visão! Vi aqui uma excelente oportunidade de negócio!...

-O quê? Gerir uma companhia de aerodirigiveis?

-Não! Abrir uma roulotte para aviar cachorros quentes, minhocas, sandes, preservativos com vários sabores, pregos, kebabs, astiôt's, hambúrguer's, protectores solares, chocolates, bronzeadores, bonés, anzóis, pensos, carretos, pesos, rapalas, linhas, fateixas... engôdos... lubrificantes... e tirar cerveja a copo para o pessoal que embarca nos balões!!!
-O amigo não disse que se queria reformar?

-Pois quero! Pois quero! Mas depois aqui posso vir a ser director executivo de uma empresa público-privada! Por exemplo, não há quem empine negócios com a água dos canos?

-Atire isso para trás das costas, senhor Dacota! E a lengalenga da Geni... o que tem a ver com o assunto?

-Amigo! Não reparou na quantidade de lixo e de camisinhas espalhadas ali no mato?
-Ah! Entendi!

-Para bom entendedor, meia palavra basta...

-A tua liviti é da Babilónia, meu! Curtes os césares, meu! Nunca atingirás boas vibrações do irie, irmão! Só te digo, irmão! Esta cena está aqui para no dia do julgamento final os impios poderem embarcar rumo a Jhah! As águas correrão bué de Sião e a vingança do Nyabinghi virá implacável!
 -Essa explicação esfarrapada não convence, senhor Dacota...Você terminou a récita como de uma oração se tratasse...

-Confesso... Há muitos anos vivi uma paixão com uma rapariga de seu nome, Geni...
A Geni também estava por mim apaixonada mas eu era um pobre diabo sem posses...
Toda agente da vila onde a Geni vivia criticava a nossa relação e até os pais a condenavam!
A Geni era uma rapariga muito feliz, rockeira, extrovertida e alegre.
 Certo dia, na vila apareceu um jovem industrial bem-parecido que foi apresentado à minha Geni.
Individuo de grandes heranças e bastante rico, que se fazia transportar numa negra limousine guiada por condutor privativo...
Como a Geni era muito bela, por ela esse homem se afeiçoou, arrebatando-lhe as atenções...
Instigada pelas pessoas da vila e pressionada pelos pais, Geni trocou o meu amor pela fortuna descomunal desse homem...
Dai em diante a Geni raramente saia do alto da colina, vivendo enclausurada num palácio amuralhado e vigiado por seguranças privados.
Das raras vezes que foi vista em público, o seu semblante era pálido, triste e carregado...
O olhar tornara-se estático, evasivo, vítreo, distante.
Geni vivia triste e isolada do mundo onde crescera, prisioneira daquele homem possessivo, desconfiado e ciumento, que cobiçava toda a riqueza da terra.
Vidrado por sentimentos de posse, esse homem esquizofrénico violentava a Geni em sucessivas sevícias de violência doméstica ao ponto de seus prantos de sofrimento ecoarem pelo vale perante à indiferença dos habitantes que diziam ter a Geni enlouquecido e entre marido e mulher ninguém meta a colher!
Até hoje padeço na certeza que a Geni jamais regressará, não porque esteja prisioneira desse homem mas porque encontrou a sua libertação, resolvendo partir de vez para o outro mundo ao desfechar um tiro fatal na sua própria cabeça...
"Aquerdito" que a minha Geni, mártir da cobiça dos homens, dos interesses e dos preconceitos da sociedade que a rodeava, hoje será mais um lindo anjinho que repousará eternamente, bem junto do Senhor!
Foi maior o desgosto quando a Geni partiu para a eternidade do que aquele que padeci quando a Geni me deixou! Hoje persegue-me a culpa de não ter fugido com a minha Geni e por isso jamais minh’alma se perdeu de amores por outra moça porque a alma da minha Geni se manterá bem viva dentro de mim.
A tragédia aconteceu no ano em que o Chico Buarque lançou a “Ópera do Malandro”...
Por coincidência lá tinha uma Geni com outra história semelhante e que muito me marcou para sempre como de um culto sagrado se tratasse! Fixei-me na imagem do tirano e o Zeppelin! Compreenderá agora a minha oração?

-Compreendo... E peço-lhe perdão pela pertinência... Cada um de nós arrasta as suas memórias e as suas mágoas...

-Desculpem... Posso falar?

-Sim diga...

Coitada da Psiché! No início fora o centro das atenções e agora estava esquecida no seu cantinh...

-Estou tão confusa!...

-Sim...Confusa. E mais?

-Foi construído ao contrário como disse a senhora Companheira mas o tabuleiro de cima devia ser uma prancha para os banhistas se lançarem à água e ainda por cima estou a resfriar...
-Vista a t-shirt, menina... Vai ver que isso passa! Repare...Neste local, mesmo que isto fosse construído ao contrário, o rio tem pouca profundidade e os banhistas ao embater no leito acabariam por partir o pescoço e com o corte dos honorários pagos aos Bombeiros Voluntários não havia ambulância que sobrasse para acudir a tanto traumatismo...

-Prontos, e se fosse um cais de acostagem para naves extraterrestres?
-Hummm... Na acostagem, as naves esturricavam aquilo tudo e a Matri Harka não os queria cá porque os sujeitinhos são horrorosamente verdes e tendo as unhas dos pés muito compridas, rompiam-lhe as biqueiras das sabrinas...

-Sabe? Na verdade tenho fome...

-É isso que tem para nos dizer?

-Só, e o é pouco...

-Quanto à fomeca, já se vai resolver isso, minha linda menina. Se continuar com frio, a minha Companheira traz um corta-vento cor-de-rosa na mochila que terá muito gosto em lho dispensar... Não é assim, Companheira?

-É sim! Minha querida. Fique à vontade!

-Yá, minha Rainha! Ficas bem com a sista! Esses irmãos são ital! Querem ganjahr um cutchie de meca? Dá um Irie de boas vibrações.

-Eh! Pá! Não, obrigado! Somos felizes assim, sem essas vibrações!!!

-Viva, pessoal! Ouvi três disparos! Está tudo bem com vocês?

Sem que o grupo desse côr, um transeunte ousara aproximar-se sorrateiramente pelo estradão de terra batida!

-É verdade! Quem foi que atirou?

-Fui eu!

-Mas... Porquê, se nem vislumbro vestígios dos projécteis cravados no monumento?

-Quando você recuou naquele estado de dislexia, engatilhei imediatamente a canhota para o que desse e viesse!
Entretanto, o cão levantou um coelho ali no meio da vegetação e eu, nervoso, atirei-lhe reflexivamente! Os tiros saíram-me tão altos que, por pouco iam atingindo o Djáh!
-Por isso é que o cão passou disparado a ganir desalmadamente...

Como o Joaquim bem o comentou no primeiro episódio desta confusa crónica, o grupo era verdadeiramente heterogéneo...

-Ninguém se magoou...

-Ná! Tudo nos conformes... O senhor... É daqui?

-Sou sim... Estou além no asmanho da terra para a sesmenteiras...
-Ainda bem que encontramos uma pessoa desta terra... Estamos aqui numa discussão que se calhar até você nos poderá esclarecer! Sabe-nos explicar o que é isto ou para que serve?

-Isto são cento e quinze mil euros que foram aqui enterrados e servem para aproximar a população ao rio!

-Como assim?

-Diz a presidente que as pessoas andam disvorciadas do rio e isto serve para desvolver o Tejo à população!
-Ouça cá... Pelo lixo que eu vi lá atras, a população aproxima-se bastante do rio!... Aliás! Aqui, quando a população não se aproxima do rio, o rio encarrega-se de se aproximar da população.

-Yá! Tá-se bem! No testamento, aquela cena do Maomé e da montanha!
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-Pois acho que os vereadores é que se disvorciaram do rio e agora precisam destas obras para faszerem as paszes... Sem estes bloscos de cismento o pessoal até que já costumava vir à pesca para aqui, faszer chusrrascos e otras malandrisces que não posso contar diante das senhoras. Só cá nos faltavam os senhores vereadores da câmara para nos faszerem companha!
-Quer dizer que estas mesas de betão são para o pessoal patuscar...

-Exastamente!

-A poeirada que se levanta com a brisa canalizada no vale e a passagem desse carro também faz parte da devolução do rio à população ou os trocos não chegaram para pavimentar os acessos? A propósito... Se trata de um parque de merendas, onde está a aprazibilidade deste local?

-Realmente, está aqui uma ensxovia! Desviam era de calscetarem a estrada até além abaixo e pasvimentarem este terreiro para que as pesçôas  posçam fazer os piqueniques em sossego e sem mastisgar a terra toscada pelo vento!

-Está certo... Para que serve este Tubucossauro?

-Tusbuscosxauro? Ah! Ná! Isto é para faszer teatros! As pesçôas sentam-se nos desgraus que há por aí acima e despois assistem às pesças de teatro e à música da banda que toca nesta plasca desbaixo. Diszem que é uma xespécie de ansfistreastro!

-A ver se entendo... O pessoal senta-se nesses degraus por aí acima...

-Xim!

-E quem trava a ventania que se faz sentir nesta zona inóspita? É que isto está construído numa bacia hidrográfica com diferenças térmicas! Certamente que será sempre um lugar ventoso!

-Xim!

-Podiam ter investido os cento e quinze mil euros em infra-estruturas adequadas a um parque de merendas funcional...
Arvoredo de copa larga, grelhadores, pontos de água, lava-loiças e sanitários são fundamentais para tornar aprazível este espaço e mandavam o Tubucossauro às urtigas, que isto só assusta as pessoas evitando evitando que tenham de recorrer a moitas e a oliveiras!
-Qualquer projectista que estudasse a zona perceberia de imediato que esse tipo de construções é que faz falta para aproximar as populações ao rio...

-Na inaugurasção, a senhora preszidente disxe que isto vai um ponto de lisgasção de um casminho junto ao rio, que vem desde Alvesga até Constância e que liga ao casminho dos peresgrinos para Fástima!

-Ouça! Porque fala asxim?! Isso é um sotaque beirão... Por acaso o senhor...

-É por cauxa da placa dos denstes que me esxtá xempre a cair e asxim xeguru-la!

-E se bem pensado, também vai ligar ao Caminho de Santiago, na Corunha...

-Com os transvases, a Sul os Castelhanos cortam-nos o caudal nos estios e manda-nos enxurradas nas invernias. De seguida rumamos à Galiza implorando milagres a Santiago!

-Os caminhos fazem-se caminhando...Não é preciso este tipo de monumento para coisa nenhuma...E a Psiché, continua com friozinho?
-Um bocadinho, minha senhora.

-Tome lá este corta-vento...É cor-de-rosa...assenta-lhe muito bem... Ofereço-lho.

-Tão querida...

-Quem? Eu?

-Pois...Quem havia de ser?

-Eh! Irmãos! Isso são cenas da Babilónia, meus! É politrucaria! A Sista está certa na Itação. Yá! O caminho faz-se caminhando, meus!

-Rio de Moinhos é que prescisa das ruas conscertadas. Essa empreistada deve de fiscar para mais perto das eleisções...

-Senhor. Há por aqui perto algum espaço onde se possa dar ao dente?

-Além asdiante voscês encontram alguns restaurantes!

-Sim senhores... O que acha o pessoal? Está a ser uma e meia da tarde! Vamos petiscar qualquer coisita?

Foi acordo mútuo e espontâneo!

-Senhor Dacota... No final dividimos a despesa pelos dois?

-É um prazer! Correcto e afirmativo!

Deixando o aldeão para trás sem antes ter rejeitado o convite para partilhar do almoço, trezentos metros de passadas furtivas separavam estes intrépidos relativamente a um restaurante localizado à esquerda do caminho, na entrada da aldeia... a”Casa Noémia”...
Entrados pela porta do café, o senhor baixinho que espreitava por detrás do balcão encaminhou simpaticamente este suado grupo para os aposentos, indo encontrar uma sala bastante aconchegada, aprazível e exibindo sóbria decoração, enquanto Djá descansava no pátio adjacente...
A jovem e prestimosa funcionária apresentou o cardápio bem diversificado...

-O que acham de uns secretos?!

-Yá. Isso são cadáver?

Marley era um tipo esquisito no comer...

-Se é carne? Sim...Uma espécie de febras grelhadas...

-Somos vegetarianos! Isso é manjá de babilónios! Nós não matamos os animais para comer. Nós preferimos manjá natural.

-Somos cinco. E se vierem duas doses de secretos e outras duas de migas?

Propôs o Dacota.

-Migas? O que é isso?

-São couves, batatas cozidas, feijão, pão de milho, tudo fervido com farinha!

-Yá! Tá-se bem! Uma boa onda! Minha rainha curte!

-Sai duas de migas e duas de secretos, ó colega! Ah! Dê aí uns restos ao cão e ponha o prejuízo na conta!

-Colega? A rapariga é sua colega?! Como assim? Você não é aviador?

-Sou sim senhor! Trabalho numa cervejaria em Lisboa onde avio os clientes!

-C’um raio! E os seus conhecimentos de aeronáutica?! Ao que se devem, afinal?!

-Sou sócio honorário de um clube de aeromodelismo onde pratico a modalidade com o protótipo de um DC-3!
-Cúm catano!!! Ele há cada uma que um tipo até fica a andar de lado!!!

Pode ter sido do tinto da casa... Um rico morangueiro servido ao jarrinho, de se entornar e pedir por mais!
No final do excelente repasto rematado a tigeladas de Rio de Moinhos, Em pires de barro e juntamente aos cafés foi servida a dolorosa nada padecente ao ser partilhada entre o Cidadão e o Dacota...
Eram quinze e trinta quando estes cinco fotofóbicos regressaram à luz do dia, desta feita com a cobra a enrolar-se-lhe à cintura, reclamaram a Peugeot 505  levando o Dacota, o Marley, a Psiché e o Djá ao encontro do comboio que os transportou do Entroncamento a Lisboa, devolvendo estes dois aventureiros à morança perdida algures no concelho de Abrantes, onde foram lavrados estes dois episódios que vos prendeu a atenção...

quarta-feira, 28 de março de 2012

O SISTEMA


O SISTEMA


A tragédia beijou a vila do Tramagal numa tarde quente e ventosa de Março.
Ao toque de biqueirada, num acto tresloucado com contornos de violência doméstica, no dia 27 do corrente ano, um esquizofrénico de trinta e quatro anos é indiciado de parricídio da mãe!
Dado o curriculum violento e anormal comportamento na via pública, este fulano que não se lhe adivinha actividade profissional, há muito que deveria estar internado num hospício ou no mínimo, ter acompanhamento médico adequado à sua saúde mental, incluindo a toma ininterrupta da imprescindível medicação que por qualquer razão não lhe era tão regular quanto a ingestão de outros psicoactivos.
Numa atitude de desresponsabilização semelhante a Pilatos, o Presidente da Junta de Freguesia declarou à comunicação social que a família do parricida nunca houvera pedido auxílio à Comissão Social da Freguesia no sentido de esta lhe prestar a necessária assistência, comparticipando por exemplo com a medicação imprescindível à estabilidade emocional do suspeito...
Fosse para a arruada eleitoral, fosse para impingir um pacote de canais digitais, fosse para estabelecer novo contrato de banda larga, fosse para liquidar as contribuições ou fosse para fazer um peditório e todos estes ilustres assenhorados ao Sistema depressa dariam com o número da porta desta família, bem a meio da Rua dos Cascalhos...
Neste sentido, apesar de na vila todos serem sabedores e comentarem o drama vivido pela família, em atitude passiva, a Comissão Social da Freguesia esperou sentada que este caso problemático lhe chegasse às mãos...
Concluímos que até aqui o Sistema não se incomodou em ir ao encontro desta gente, como se acomodou à espera que a família lhe fosse bater à porta...
Se for a actuação corrente do Banco Socialnão é difícil concluirmos que a sua área de influência se restringirá a uns quantos esclarecidos do caminho que devem rumar enquanto os isolados são pura e simplesmente excluídos e ignorados pelo Sistema do Banco Social!
Paz à sua alma.
Bancos Sociais sim, para quem neles trabalha!
Estamos cientes que um energúmeno que provoque incêndio florestal, marmanjo que cometa violação, ou delinquente que perpetre crime de sangue, naturalmente não o fará no seu perfeito juízo, daí que o estatuto de inimputabilidade se transforme numa desculpabilização esfarrapada.
Quantos mais casos esquizofrénicos estarão em ”risco” de acontecer neste Concelho de Abrantes?
É do Sistema!

sexta-feira, 23 de março de 2012

O TUBUCOSSAURO I


O TUBUCOSSAURO I
Primeiro episódio

Não fosse por lá um acontecimento extra ordinário e esta crónica não teria pernas para andar nem razão de existir...
Naquela fresca e domingueira matina em que a brisa ribeirinha de Constância augurava solarengo dia, cinco aventureiros e um cão eram despejados junto à estátua do autor d' “Os Lusíadas” que sentado no seu eterno pedestal atentava o espraiar do Zêzere no Tejo, tendo esta rapaziada por missão queimar lipidosas quilocalorias e desgastar o rasto das botas durante o seu regresso a Abrantes, se bem quando inusitadamente a caminhada terminou mal p'ra caramba!
Ora vamos debruçar-nos sobre o assunto que nos mantém reunidos frente os monitores deste espaço cibernético...
Tomando as tágides águas à direita, o percurso ia-se desenrolando na descontra, ora por estradão pavimentado a lajes de cimento, ora pelos areais do rio rechassado nos transvases  castelhanos...
Experiente aviador, Dakota decerto seria o elemento mais velho deste grupo heterogéneo, pessoa de cabelos curtos e esbranquiçados, com bastantes anos de tarimba às manches da profissão que de momento regateava tão merecida reforma...
De tez morena e encorpada meia-idade, botas e calças caqui com bolsos laterais, t-shirt preta, protegido por chapéu de aba larga e carregando uma mochila de camurça castanha, seus dentes alvos prendiam uma palhinha que bailava entre os fendidos e grossos lábios.
Marley, elemento cuja principal característica era os seus longos cabelos negros formando tentáculos que se enriçavam em tudo quanto era arbusto elevado ou arvoredo rasteiro, tendo os restantes caminheiros de reservar algum espaço no seu redor na medida em que, a cada movimento brusco da cabeça, seus dreadlok’s vergastavam as vistas dos mais próximos.
Envergando folgada camisa turca de ralo algodão branco e calças de pijama listradas a multicores verticais, Marley transportava o lanche e outros tantos apetrechos esquisitos numa sacola de serapilheira a tiracolo, caminhando sobre grosseiras sandálias de pescador que lhe concediam liberdade aos dedos dos pés.
Vem Djáh pr’á aqui, vai Djáh imediatamente para ali... 
Com estes termos Marley chamava pelo seu trepidante cão, um negro labrador de pelo curto e luzidio...
Psiché, era a inseparável companheira de Marley, rapariga de olhos intensamente verdes e longos cabelos espigando madeixas sobre os finos ombros, entre louros, ruivos, azuis e verdes nuances, não se chegando a entender de qual miscelânea de cores seriam de facto, mistério que Marley mui ciosamente guardava para si...
Enfiada numas botifarras amassadas, a miúda vestia calças legging de lycra negra bem justinhas às curvilíneas pernocas, meneando suas ancas adornadas por mini-saia de folhinhos arrendados, concebida no mesmo tecido da blusa de Marley. 
Para cima, a justíssima t-shirt rosa choque de alças bem cavadas permitia adivinhar-lhe as insinuantes linhas do esbelto tronco, mostrando-nos a perfeição do umbigo adornado com um luminescente diamante, fazendo com que as másculas imaginações lhe desnudassem os biquinhos dos oscilantes e  semi expostos seios suspensos das frágeis alsinhas, quais suculentas e estivais meloas galegas... mais ou menos assim...


-Uê!?

O que foi, pessoal?
Aquilo tinha dono e cá a Companheira mantinha-se vigilante!
Dos outros dois caminhantes, se na realidade ainda não os conheceis é porque andais bastante distraídos com as azáfamas do dia-a-dia, pois cá o Cidadão abt e respectiva Companheira não poderiam faltar a mais esta pedestrante jornada!
No asfalto, a progressão fazia-se rápida havendo dificuldades acrescidas quando se tratava de transpor troços arenosos da margem seca do Tejo.
Visto tratar-se de um vegetariano apreciador de ervas psicoactivas, Marley fixava-se em tudo quanto era plantinha que se lhe atravessava no caminho...
 ...e interrogando sucessivamente a Psiché sobre a fiabilidade das explicações dadas cá pela Companheira no âmbito da botânica medicinal, respondendo-lhe incansavelmente:

-“ lá! Ai é? Eu sei lá se é!”

Expondo uma língua maior do que a bocarra, Djáh saltitava feliz, esboçando cabriolices entre as gâmbias dos caminhantes, adiantando-se ao grupo e em rápidas correrias ia ladrando atoradas às assustadas borboletas que o driblavam em sinuosos voos.
Espantando pardais e afugentando coelhos, o labrador fizera-se num cachorro impertinente com os seus donos vociferando:

-Djáh pr’áqui!

Indiferente aos demais e apreciando pormenores da paisagem, Dakota, o robusto aviador parecia levitar nas passadas silenciosas ao ponto de sacar uns potentes binóculos das profundezas da mochila com que observou um par de flamingos rosáceos que pescavam calmamente na outra margem do rio...
O Sol despontava a meia altura lá para as bandas de Abrantes.
A certa altura o grupo foi acossado por uma matilha de cães atrevidos que deram às de vila diogo ao se perceberem que o D’jáh era para se respeitar!
Percorrendo o trilho a pé posto junto à margem, o pessoal entranhara-se numa zona remexida onde marcas de enormes rodados ousaram abrir sulcos no areal...
A aragem denunciava um intenso odor a gasóleo...
A montante vislumbrava-se uma enorme peneira, uma retroescavadora, um gerador em funcionamento e uma data de maquinarias pesadas destinadas à extracção de areias...
A paisagem mostrava-se desoladora, não havendo por ali vegetação que retivesse as margens caso o caudal engordasse.
Mais adiante a erosão era evidente, fazendo com que as lezírias agrícolas circundantes ficassem à mercê das correntes que nas zonas de inflexão fácilmente sairiam da trajectória inicial.
Na periferia, o solo apresentava-se excessivamente compactado, dificultando a infiltração das chuvas que escorreriam para o leito alterado do rio, arrastando camadas superficiais de terreno e com elas, organismos vivos.
As águas mostravam-se turvas aumentando a concentração de sedimentos em suspensão, diminuindo a luminosidade, oxigenação e ausência de vegetação circundante fundamentais à normal sustentabilidade do ecossistema fluvial, essencialmente no referente à desova, factor agravado pela contaminação esporádica de fluidos, lubrificantes e combustíveis das maquinarias cujas mucosas olfactivas tão bem o detectavam.
Está previsto que entre Vila Franca de Xira e Abrantes se proceda ao desassoreamento do Tejo com o intuito de aumentar a profundidade da corrente, devolvendo-lhe navegabilidade, mas não a extracção dos inertes no plano das margens...
Só no concelho de Abrantes há três areeiros deste género!
Vinte minutos mais adiante a margem estava escorada por molhos artificiais em betão ciclópico com o intuito de anular a força das águas que se provocassem erosão, invadiriam os campos agrícolas envolventes...
Vá-se lá perceber as políticas ambientais...
Enquanto a jusante se remexia na margem, destruindo as suas defesas naturais, a montante construíam-se dispositivos para a retenção das águas...
 Progressivamente, à distância ia-se avistando o casario riodemoinhense...
Nove quilómetros vencidos em duas horas e vai daí, a Psiché desatou a cantarolar uma lengalenga incompreensíveis enquanto encharcava as botas nas águas rasas da Ribeira da Pucariça:

-Queimadas pela brisa nesta primavera aqui estais tão pouco presentes, já fostes tão claras, profundas e transparentes, mas sómente por um amor revolucionário, vossos braços água devolverá a outra represa, com as forças do comandante Che Guevara.

Das tatuagens nos pulsos, depreendia-se que a miúda tinha um fraquinho pela cultura Inca e revolução cubana.

-É os nervos... É tipos a crise dos nervos! Não liguem... De vez em quando a minha Rainha passa-se mas é boa garina. Por isso é que a trago para estas caminhadas tipos a ver se despairece uma beca. Ela stressa bué com cenas assim!

Explicou o zeloso Marley enquanto ia rematando as rastas com um fino elástico que mais fazia lembrar o arco-íris.

-Lá boa rapariga, isso é ela!

Disparou o Dakota, de rajada...
Para um tipo com os flepes sempre em baixo, quem diria...

-Yá! Tá-se bem! São cenas freak's, irmão!

-Olha-me o lorpa. O diacho do velho parecia tão sonsinho e afinal está de olho na cachopa...

Murmurou a Companheira.

-A miúda não é nada de se deitar fora...

Interpôs este praça, mastigando uma barrita energética retirada da bolsa mochileira.

-Come e cala-te!

-Nem que seja com os olhos...

-O quê?!

-Nada... Nada...

A ribeira que mais parecia uma vala foi transposta sem grandes dificuldades exceptuando Djáh que cabriolando nas águas rasas, respingou tudo em redor tendo o Marley que pôr cobro às reviravoltas do longo e negro canídeo.
Com as lezírias às nove horas, nas águas do Tejo flutuavam quantidades de flocos de espuma lembrando pudim molotov...
Três saltos do Djáh foram suficientes para refrescar involuntariamente cá o Cidadão dos pés até à cabeça...
Cruzando os braços diante do seu esbelto tronco, a escultural Psiché arrepanhou a bainha inferior da justíssima t-shirt rosa choque, fazendo-a correr por si acima!

-Bendito sejas, Djáh!

A realidade ganhara vantagem à imaginação!
Os rijos seios pareciam libertar-se do justíssimo bikini grená...
O piercing despontando sobre o umbigo realçava o seu diamante digno de odalisca das mil e uma noites e a espátula esquerda mostrava, bem tatuada, uma rosa encarnada...

-Recorda-te do décimo mandamento... “Não cobiçarás a mulher do próximo”...

Murmurou cá a Companheira...

-Também tú! Repara...No entanto desconhecemos quem será o próximo... não concordas?

-Olha! Ganha-me tino nessa cabecinha que já tens idade!...

-Sim... Sim... Isto é de se perder o juízo e esquecer a idade...

Bom... é melhor prosseguir o relato desta crónica senão o ciberleitor vai-se queixar à entidade reguladora que o Cidadão abt escreve cenas bué da longas.
Artilhado dos seus potentes binóculos, Dakota perscrutava o horizonte sem se aperceber dos acontecimentos que se iam desenrolando na sua periferia.
Atascando-se na areia, as botas entrecortavam os rastos de pneus que serpenteavam à sombra do caniçal...
...enquanto o Sol abrasador vergastava as costas dos caminhantes fazendo o trilho mais penoso enquanto ladrando desalmadamente, o negro labrador perseguia um coelho que se escapuliu algures entre as giestas sarapintadas de florinhas amarelas.
Dois quilómetros e quatrocentos metros de irregulares passadas foram suficientes para se avistar os telhados do casario de Rio de Moinhos...
As garrafinhas de água secaram até à última gota...
 Djáh perseguia um gafanhoto que se lhe esquivava em pequenos voos rasantes...desaparecendo mais adiante numa inflexão entre os caniçais...
Fez-se silêncio...
Na intimidade, cada pedestrante sonharia com um almoço diferente, desejando que em breve terminasse a penosa caminhada em que se envolvera...
Ouvindo-se forte restolhar entre as canas, o silêncio foi subitamente interrompido pelos ganidos do labrador...
Algo não lhe teria corrido de feição... 
Poucos segundos depois, de cauda entalada entre as patas posteriores, na curva ao fundo do trilho, o canídeo surgiu disparado, enveredado numa correria nunca dantes vista, e depois estacando atrás do grupo!
O animal tão brincalhão e corajoso mostrava agora com um medo terrível de qualquer coisa que encontrara mais adiante...
Também o grupo reduziu o ritmo da dolorosa passada, não fosse por lá o Diabo tecê-las...
Quem iria á frente abrir caminho?
Pois claro que tinha de ser cá o arrojado Cidadão sem antes ter ligado os sensores da máquina fotográfica digital... e ao dobrar a derradeira curva de canas, o que avistou?
Um enorme bicharoco emergia das águas do Tejo, apontando a sua bocarra em direcção à aldeia de Rio de Moinhos
Aquele colosso pré-histórico mediria cerca de seis metros de altura! 
Havia que ir correr avisar as pessoas da aldeia sobre o perigo que as espreitava!
Como seria possível que aquele monstro tivesse chegado até ali?!
Houve que recuar três passadas para poder avisar os restantes elementos que em silêncio aguardavam ansiosamente pelo resultado da investigação...
Não sabendo bem se da sede ou se do susto, as cordas vocais embargavam-se nas consoantes!

-Um gonstgro! Esgá agm um gon...stgro a erguer...guirr ga ág...rua!!!

-Ó homem, tenha calma!

-Gagnho galba o cagúdo! O cagúdo é gue gagno galba! Vão agui bais á brente e gueixam de gão é guebarde!

-Eiiia ganda nóia, meus! O menzinho tá tipos disléxico! Tá parece que levou uma pancada na cabeça ou controlou tipos cenas fixes do Armagedon!

-Grr... rr... rrr... Béu!
-O amigo não bateu uma foto?

-Gader uba fodo goisa denhuba! Gá lá fodê gader a tofofraguia  gue fod pacaz!

-Ao menos fala direito que não se percebe nada do que dizes!

-Gader uba tofo! Gader  uba  fodo! Gader uba dofo! Gão de bercegue gada go gue guido?!Gá, guechem-se atuiande! Gá! Angôr! Gá! Gá!

-Eiiia, ganda nóia! O mano treme bué da repentes como ganjah verde! Tá mêmo ressacado tipos na purificação do Leão de Judah! É cenas da Babilónia!

Foi assim que o grupo se chegou adiante, conservando-se cá o Cidadão de cócoras, agachado junto aos juncos ressequidos...
"Taw!"     'Taw!`"    "`"Taw´"

??Soaram três estampidos!?!!??
O labrador que ganhara coragem ousando avançar à retaguarda do grupo, mais uma vez voltou a passar na bisga, em sentido contrário, fazendo com que cá o rapaz caísse de costas!
Mais tarde o Cidadão inteirou-se que o Dakota se socorreu do revólver que trouxera consigo!
O Cidadão acabara de perceber a origem da espuma acastanhada que flutuava sobre as águas, grudando-se nas margens...
Seriam naturalmente dejectos achocolatados provenientes daquele colossauro!
-Ó fessoal! Gá fá ganse? Dalhas-nos Veus!

Imperou de novo, o silêncio!
Às páginas tanta fez-se sentir uma voz gutural recitando qualquer coisa mais ou menos assim:

- "Um dia surgiu entre as nuvens brilhante e flutuante um enorme zeppelin que pairou sobre os edifícios e abrindo dois mil orifícios com dois mil e um canhões assim. 
Quando viu nessa cidade tanto horror e iniquidade resolveu tudo explodir mas até poderia evitar o drama se aquela formosa dama  o servisse nessa noite. 
A dama era Geni, mas a Geni não podia ser porque foi feita para apanhar e boa para ser cuspida e Geni dava-se a qualquer um.
Tú és  maldita, Geni... 
Atirai pedras à Geni... 
Atirai pedras à maldita Geni... 
Vai com ele, vai Geni, vai com ele, vai Geni, tú podes salvar-nos Geni. 
Tu vais redimir-nos porque serves a qualquer um, Geni.
Bendita sejais Geni!"  Pater, filius, spirictus sanctus. Amem!
Geni...  Geni...  Geni...  Geni...  Geni...  Geni...
A cantilena soava a Chico Buarque de Holanda...
Prontos, caro ciberleitor!
Isto vai-se alongado p’ra caraças e cá o Cidadão abt tem os dedos completamente dormentes de tanto teclar!
Tenha lá paciência e aguarde pelo próximo episódio!

sábado, 17 de março de 2012

O TRESMALHADO


O TRESMALHADO


 mistérios do catano nas ruas de Abrantes!
Tão escondidos e ao mesmo tempo, tão à vista!... 
Afoito de todo, cá o Cidadão abt ia enfiando um euro naquela singela greta quando súbitamente se lhe deparou algo de estranho...
O parquímetro de estacionamento da Rua Monteiro de Lima não exibia o respectivo selo de validação para o ano de 2012...
Talvez as unhas compridas do vandalismo tivessem feito o favor de arrancar o autocolante outrora grudado no caça-níqueis...
Mirando melhor o mostrador da maquineta, este praça reparou que também o seu seio carecia da respectiva vinheta de validação pelo Laboratório Regional de Metrologia de Lisboa, consistindo numa treta prateada mais ou menos deste género:
-Ná...
Registando indícios de discriminação das minorias parquimétricas, na medida em que o comum dos cidadãos paga e não bufa e apenas meia dúzia deles é sabedora destes mistérios, certamente que aquilo consistirá em mais um constrangimento para a edilidade exploratória dos sistemas contributivos das maiorias silenciosas.
É que nesse instrumento não havia selinhos de verificação!
A Camara Municipal deve ter poupado uns cobres na vistoria ou não saberá da existência da maquineta que tipos jackpot, provavelmente transbordará de moedinha.
Foi motivo suficientemente forte para que o redondo níquel regressasse imediatamente aos fundilhos da pequena algibeira porta-moedas à direita dos jeans roçados cá do Cidadão abt!
-Livra!
Até que a discriminação se resolva, jamais este praça de Abrantes por’li deixará outra parcela do seu magro rendimento!

quarta-feira, 7 de março de 2012

O GENKAN


O GENKAN


O genkan consiste num espaço físico e psicológico de transição entre o mundo exterior e os santuários escolares.
Nos Centros Escolares de Alferrarede, Bemposta e Rio de Moinhos, o genkan está delimitado por estes gradeamentos.
Manda a cultura do Império do Sol Nascente que ao transpor a zona genkan, se troquem os sapatos e os ideais pelas tamanquinhas do anfitrião, razão para que os tanakas devam trazer as unhas cortadas e os pés bem lavados e desodorizados, caso contrário... 
-Banzai!!!
Devido às características dos pavimentos pouco resistentes ao atrito causado pelos sapatos do pessoal docente, dos auxiliares e dos alunos, e porque a irrequietude das criancinhas deixaria negras impurezas e péssimas sujeiras nos imaculados uchi dos centros escolares cuja alvura nos evoca o imaginário celestial, ordenando a autarquia abrantina que se gemine este princípio importado de Hitoyoshi, para tal fornecendo quatrocentos pares de sabrinas brancas de todos os tamanhos e medidas aos seus utentes.
Desculpem o inconveniente. Quando o Cidadão pensa em sabrinas, surge-lhe este reflexo pavloviano!
Boys               Boys               Boys
Um negócio em vias de expansão na região de Abrantes.
Sugere-se a distribuição de quimonos ao pessoal para o incremento do wado-ryu, uma arte marcial bastante popular nas ilhas nipónicas.
Os papás não se atrevam a transpor a zona genkan dos centros de produção de pálidos jovens vulneráveis às agressões ambientais cujos tatami's se pretenderiam resistentes às vicissitudes próprias da idade, tendo que aguardar pelos pupilos no exterior.
Será imprescindível criar um departamento de anti-histamínicos, bronco-dilatadores e corticóides em cada centro escolar e, In shaa'Allah tais princípios se estendam ao fornecimento de material didáctico individual, imprescindível ao bom desempenho dos alunos.
Registe-se um lapso na implementação de túneis esterilizadores das criancinhas na zona genkan, para que os vírus sazonais e outros intrusos que tais não se atrevam a invadir os três uchi escolares!
O soto termina aqui!
Ainda assim se a autarquia abrantina aplicasse esta medida fundamentalista no Centro Escolar do Tramagal, pouparia uma das sabrinas nos 1,8 leitores que pretendam consultar o pólo da biblioteca municipal, na medida em que com a aplicação de alguma racionalidade, o oito décimos de leitor decerto será perneta! 
Resta saber se seria a da esquerda ou a da direita...