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Este militante anti-cinzentista adverte que o blogue poderá conter textos ou imagens socialmente chocantes, pelo que a sua execução incomodará algumas mentalidades mais conservadoras ou sensíveis, não pretendendo pactuar com o padronizado, correndo o risco de se tornar de difícil assimilação e aceitação para alguns leitores! Se isso ocorrer, então estará a alcançar os objectivos pretendidos, agitando consciências acomodadas, automatizadas, padronizadas, politicamente correctas, adormecidas... ou espartilhadas por fórmulas e preconceitos. Embora parte dos seus artigos se possam "condimentar" com alguma "gíria", não confundirá "liberdade de expressão" com libertinagem de expressão, considerando que "a nossa liberdade termina onde começa a liberdade dos outros"(K.Marx). Apresentará o conteúdo dos seus posts de modo satírico, irónico, sarcástico, dinâmico, algo corrosivo, ou profundo e reflexivo, pausado, daí o insistente uso de reticências, para que no termo das suas incursões, os ciberleitores olhem o mundo de uma maneira um pouco diferente... e tendam a "deixá-lo um bocadinho melhor do que o encontraram" (B.Powell). Na coluna à esquerda, o ciberleitor encontrará uma lista de interessantes sítios a consultar, abrangendo distintas correntes político-partidárias ou sociais, que não significará a conotação ou a "rotulagem" do Cidadão abt com alguma dessas correntes... mas tão só a abertura e o consequente o enriquecimento resultantes da análise aos diferentes ideais e correntes de opinião, porquanto os mesmos abordam temas pertinentes, actuais, válidos e úteis, dando especial primazia aos "nossos" blogues autóctones... Uma acutilância aqui, uma ironia ali, uma dica do além... Assim se vai construindo este blogue... Ligue o som e... Boas leituras.

domingo, 13 de novembro de 2011

SANTA CATARINA


SANTA CATARINA

Desta feita cá o Cidadão abt foi lavar as vistas ao Parque Urbano de São Lourenço apreciando uma exposição de escassas fotografias de enorme e rara beleza, tanto dispersas quanto atravancadas no mobiliário e alusivas a um Tejo Sentido, que demais se confundiam com a decoração do espaço hoteleiro...
Recuando ao ano de 2004 em que o planalto de São Lourenço era forrado por denso pinhal com duas cabanas, algumas mesas de pic-nic, meia dúzia de assadores em alvenaria e um conjunto de baloiços que volta e meia eram vandalizados pela sub-raça dos humanos danificadores de mobiliário urbano pago pelo contribuinte.
O que levou cá o Cidadão abt a pesquisar estas imprecisões foi o facto do espaço ter sofrido transformação radical, cujo estradão de terra vermelha teimosamente agarrada ao muro do Regimento de Infantaria 15, por ora Casa da Cavalaria, deu lugar à avenida alcatroada que tão bem conhecemos...
... trespassada por voluptuosas lombas anti-cárter, ladeada por uma ciclovia em betão poroso que se propõe rebentar com o fôlego dos atletas de fim-de-semana, com um terreiro infraestruturado para pernoita de auto-caravanas...
...acabando na rotunda decorada por um rebanho de ovelhas ao vivo...
Ex-líbris Sr. João Coimbra, o simpático pastor de São Lourenço que sabe umas coisitas.
Justiça seja feita, no pinhal de São Lourenço construi-se uma excelente unidade hoteleira onde nos reunimos, tomamos café, almoçamos, merendamos, fazemos xixi, travamos batalhas de bagos de uva, percorremos passadiços em madeira que nos conduz a uma lagoa com patinhos...
...e se não levarem os convenientes tratamentos depressa apodrecerão, levamos com pinhas na carola, apreciamos miúdas baloiçando os miúdos...
...e trepamos paredes!
O espaço de São Lourenço evoluiu na última década e pensando em todos, bem perto lhe foi acrescentado o caminho...
...que nos conduz na derradeira viagem até ao campo das almas que desistam de reuniões, café, almoços, merendas, xixis, batalhar com bagos de uva, ver patinhos, levar com pinhas, apreciar miúdas, baloiçar miúdos e trepar paredes!
O novel Cemitério de Santa Catarina.
Também no lugar de São Lourenço se acolhe uma capelinha que sete séculos de história não chegaram para que perpetuasse o seu nome ao local.
Na Idade Média, “Capela” era termo para designar bens materiais e outros rendimentos doados ao Clero, parcialmente aplicados em missas e outras divinas piedades.
Recuando até finais do Século XIV, as terras de Santa Catarina eram pertença do latifundiário Lourenço Gonsalves, “Garrido” de sua alcunha, que sob ameaça da Peste Negra chegada à região em Novembro de 1348 e tomada Maria Prata por esposa legítima, criaram o rebento Gonsalo Lourenço.
Descendentes de família de posses em que à época a vaidade e as crenças religiosas ditavam que um compartimento de seus aposentos se destinasse a oráculo ou, sendo família de grandes haveres, erigisse uma ermidinha em sítio ermo para particulares preces, reflexões e outras genuflexões, estes Gonsalves edificaram uma capelinha no ponto mais alto da mata, bem antes do ano de 1338!
Receando que a peste precocemente os vindimasse como coelhos, por influência da poligamia Muçulmana ou porque a testosterona da época a isso os impelisse, o certo é que para além da prática da lavoura os senhores das terras eram atreitos à desfloração, possuindo as mais submissas moças que em troca de outros favores...
... nos recantos do território se lhes entregavam de corpo e alma e, sendo estes feudais desconhecedores das polivalências do linho e do intestino de carneiro no sentido de precaver descendentes ilegítimos, o sabido é que mais tarde, filhos de outras mães se iam chegando adiante no sentido de colherem os espólios post mortum dos pais até então, incógnitos.
Prevenido de tal situação, o Garrido testamentou que em seu findar, à doutrina cristã se oferendassem determinados bens legados a título missal por sua alma e o restante pertencesse à sua Maria Prata e por morte desta, transitassem ao rebento legitimo de ambos sob condição de que se o Gonsalinho falecesse sem deixar semente, tais bens seriam alienados e seus dividendos tomados para encomenda eterna de todas as almas familiares.
Por mor das pulgas, das ratas e falta de higiene, a Peste Negra entrou nas terras de Santa Catarina dizimando o Garrido e algum tempo depois recolhendo Maria Prata, ora transitando os bens terrenos para o seu filho que outros tantos anos durou, deixando o legado à filha legítima e neta do Garrido, supostamente Catarina de sua graça!
Entrados no Séc XV, a esperança média de vida prosseguia reduzida por mor da Bubónica que em escassos cinco dias vindimava dezenas de promíscuas almas, sendo um ápice enquanto a neta do Garrido atravessou as portas de São Pedro a caminho da eternidade sem tempo de desfrutar os prazeres carnais da quão pecaminosa vida terrena, não resultando herdeiro que lhe valesse, transitando as pertenças para os domínios clericais mas, qual caninha verde emergindo do fundo da ribeira, o coeficiente das andanças de Gonsalo por alcofa alheia encarnou na triste figura do filho bastardo João Gonsalves, o “Galego,” que junto ao Bispo da Guarda veio reclamar o produto da herança da meio irmã Catarina alegando a sua pobreza franciscana e convencendo o prelado a entregar-lhe as terras de mão beijada sob a condição de mandar cantar quatro missas anuais na Igreja de S. João de Abrantes pelas almas dos avós Garrido e Maria Prata, do papá Gonsalo Lourenço e Catarina, sua meio irmã de duvidosa graça mas certa na infertilidade!
Estando a decisão do prelado ferida de legalidade foi ao Galego impedido o usufruto da herança, que interpôs a mesma lengalenga perante El-Rei D. João I, Mestre d’Aviz...
...convencendo-o que como prenda de Natal, lhe devolvesse a herança em carta lavrada a 23 de Dezembro de 1421 sob condição de que o reclamante mantivesse a encomenda anual de quatro alminhas na Igreja de S. João e os prédios rústicos jamais fossem vendidos mas transitados por herança, assim retomando ao Clero a “capela dos haveres!
Doze mil casos e quinhentas mil missas semelhantes surgiram por todo o reino portucalense até chegado o ano de 1750 do Séc XVIII em que o Marquês de Pombal pôs fim a tanta reza e a tanta posse eclesiástica.
A partir do ano de1495, com o reinado do Venturoso D. Manuel I, o quinto dinástico da Ordem de Aviz... 
...obcecado por edificações católicas, ordenou que se requalificassem as ermidas, se construíssem e reconstruíssem igrejas e mosteiros e de restaurasse da Ermida de Santa Catarina decorando-a com azulejaria padronizada, entrançados de cordames e evocações marítimas ao seu estilo e que erigisse um edifício fronteiro afim de que nele se tratassem as almas depenadas pela Peste Negra!
No ano de1569 do Séc XVI, ao visitar Abrantes, o sétimo dinástico da Ordem de Aviz que acabou perdido nos nevoeiros de Alcácer Quibir, El-Rei D. Sebastião...
...deu-se conta do progressivo estado de 379 anos de degradação da Igreja de São Vicente devido às primeiras devastações sofridas em 1179, desencadeadas pelos muçulmanos Almorávidas sob a liderança de Aben-Jacob...
... filho do Miramolim Rei de Marrocos, (destruindo o casario da encosta sul e a primeira construção da Igreja de São Vicente que em 1149 fora por D. Afonso Henriques mandada edificar sobre as ruínas de uma mesquita ali existente), rendendo-se ao fim de quatro dias de cerco ao Castelo, e mais tarde em 1190, pelo segundo cerco de seis dias aos Castelos de Tomar e Abrantes, desta feita perpetrado pelo próprio Rei de Marrocos, Califa Abu Yusuf Ya'qub al-Mansur e seu leal Sayyid Abu Zakariya acabando debilitados pelas maleitas da época e batendo em retirada a 11 de Julho...
... enquanto o traidor a Castela e leal mercenário D. Pedro Fernandes de Castro que ficara incumbido de conquistar o bem fortificado Castelo de Abrantes, desistira do assalto final retirando-se do devastado casario da encosta sul com as fortunas dos despojos de guerra levando uma monumental surra do valente guerreiro de Trancoso, D. Martim Lopes que comandando os refugiados da região, esperou os Almorávidas na margem esquerda do Tejo, recuperando e devolvendo grande parte dos haveres à população lesada.
Perante o estado de adiantada degradação da Igreja de São Vicente e para que esta fosse demolida e reconstruída desde a raíz, sendo nesse ano de 1569 que El-Rei D. Sebastião destinou a transferência do culto cristão para a anteriormente restaurada Ermida de Santa Catarina, fronteira à recém edificada Casa de Saúde de São Lourenço em honra ao nome da benemérita e defunta família de proprietários dos terrenos, pois São Lourenço seria o patrono evocado na Peste Negra e em tempos d’antanho lhe coubera a santa missão de administrar as fortunas eclesiásticas da Igreja Católica.
A construção da nova Igreja de São Vicente prolongou-se por 36 anos com seu termo em1605.
A Casa de Saúde de São Lourenço fora destinada a depurar os corpos e as almas assolados pela peste e os seus desígnios entregues ao padre Sebastião de Elvas, época em que por força de expressão e procura, a região e a Ermida de Santa Catarina passaram a designar-se por São Lourenço,” resgatando este santo o protagonismo a Catarina de Siena, santa devota da Ordem de São Domingos que hoje por’li se mantém sossegada e vigilante!
Quem transpuser a soleira do arco adintelado do alpendre ladeado por duas janelas de igual estilo, pisará a laje do túmulo do bondoso vigário da freguesia que com bastantes sacrifícios acabou dilacerado pela amaldiçoada Peste Negra, vindo a falecer nos finais do ano de1570 e por vontade testamentada, sepultado à entrada da ermida em cova aberta por suas mãos, local de onde orava e pregava reconforto e resignação aos tomados pelo flagelo importado do Oriente
É de salientar que este frade nado em Penamacor repartia pelos necessitados tudo quanto lhe sobrava dos rendimentos, sacrificando-se no transporte da cal e da cantaria para que os operários edificassem a nova Igreja de São Vicente.  
À paisana, a 16 de Agosto de 1808 acantonaram em São Lourenço os militares de duas companhias de caçadores comandados pelo Capitão Manoel de Castro Correia de Lacerda que numa operação relâmpago perpetrada na madrugada seguinte, diversos batalhões independentes auxiliados pelos populares da região providos de fuzis e pequenas lanças, progrediram sorrateiramente sobre a vila de Abrantes, neutralizando cinco sentinelas do posto avançado do alto do Santo António, perto do outrora Convento dos Frades onde hoje se situa o Edifício Pirâmide, ocupando as ruelas adjacentes e tomando de assalto as muralhas do Castelo a coberto do fogo certeiro de três atiradores à civil especializados em tiro de precisão a longa distância, (sendo nessa altura criado o conceito de sniper), ora emboscados na torre sineira da Igreja de São Vicente... por sugestão do Reverendo Manoel Domingues Crespo, desta feita ganhando um melhor ângulo de tiro e aniquilando as barragens de fogo dos soldados franceses...
...dizimando e expulsando as tropas Napoleónicas que ao bater em retirada, largaram os sapatos para trás!
Há bem pouco tempo, a ermida de Santa Catarina era local de culto, missas e romarias mensais.
Viajando a excertos da história local, damo-nos conta que em detrimento de Santa Catarina de Siena...
... São Lourenço manteve protagonismo, não pelo bubónico hospício mas pelas infra-estruturas hoteleiras do espaço lúdico implementado!
Constatamos a evidência em como o homem inverteu os seus valores, preferindo o lazer, o bem-estar, o bom viver, o possuir, e o divertir em detrimento da reflexão, da introspecção, do retiro, da partilha e do culto espiritual.
Não será por acaso que ali encontramos os opulentos equipamentos hoteleiros em contraposição à modéstia da ermidinha...
...onde os fungos precipitam a desagregação da caliça... com a cumeeira e os caibros abatidos e de perfil irregular...
...apresentando dois tipos de telhas deslocadas, desencaixadas ou em falta...
Parede partida junto ao contador de água... 
Propagação de ervas daninhas nas empenas, nas floreiras e nas calçadas adjacentes...
Postes e cablagens eléctricas cruzados desordenadamente diante do alçado principal... campanário, entablamento e cornijas enegrecidos...
Excessivo mobiliário urbano desenquadrado... enfim, um dos cartões de visita de Abrantes com evidentes sinais de abandono e degradação!
Nem pelas festas anuais de São Lourenço houve alguém de pleno direito que providenciasse a eliminação das ervas daninhas e a aplicação de uns baldes de cal ou tinta nas fachadas de fácil acesso, prestando os merecidos valor e homenagem ao pequeno templo de Santa Catarina sitiado em local turisticamente concorrido... às portas da cidade... na Freguesia de São Vicente do Concelho de Abrantes, sob a égide do Arciprestado da Diocese de Portalegre e Castelo Branco!
Não é necessário sermos ratos de sacristia ou providos de elevados coeficientes de inteligência para entendermos que por Abrantes se investe em ofuscantes retrospectivas de caríssimas colecções particulares descurando a simples manutenção de modestos imóveis que representam as raízes culturais e a identidade deste povo! 
...Perdidos no deserto... e um porto aqui tão perto...

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

CARWASHING



CARWASHING

Basta que chova um pouquito para que se acumulem quilolitros de águas pluviais nas artérias confluentes à Rotunda do Lagar de Alferrarede posto o facto das sarjetas aí plantadas serem incapazes de satisfazer o atempado escoamento das enxurradas arruaceiras... criando inéditas passadeiras submersíveis para os peões!
Considerando as louváveis alavancagens municipais dirigidas ao empreendedorismo feminino, compreende-se que as empresárias abrantinas molhem seus lindos platinados e empenem os discos dos travões de suas submersíveis máquinas aglutinadoras de distâncias percorridas saindo-se sortudas se dali emergirem com o bloco do motor intacto!
Viatura praticando carwashing.
Como o suporeis, caros cibernautas, de platinados húmidos e discos empenados, não há maré-alta que pare as abrantinas empreendedoras, salvo se lhes encharcarem a centralina caso em que os prontificados machos latinos de branca peúga molhada safarão as malfadadas de quão vexatória situação!
Estas marotas molharam as calças cá da  cidadania!
Para evitar tais desaforos sugere-se que antes de construir a rotunda do Ôlho de Boi, a atenta autarca ordene a transfência da greta mourisca para a lagareira circunferência que recolhe as escorreitas águas da Avenida da Europa, Avenida D.João I e Avenida D.Manuel I.
“-Mas... Que cena é essa da greta mourisca?”
Questionarão os cibernautas mais afoitos...
Podereis achar a quão famosa greta mourisca no nortenho acesso à ponte que une as margens do Tejo entre as freguesias de MouriscasAlvega!
A greta mourisca.
Como vos certificareis, trata-se de uma greta de todo o tamanho onde por lá cabem vossos pneus, vossas jantes, vossos tampões, vossos pipos e tudo o resto que possais imaginar e também por ela se escoaria todo o bagaço dum lagar com os capachos incluidos!
Resolução imediata para a problemática da greta:
“Já foi instalada sinalização indicando a proximidade da "depressão" e a limitar a velocidade máxima (50 km/h) na proximidade da junta danificada. Não é, para já, possível adiantar a data da intervenção. Decorrem os procedimentos administrativos inerentes ao processo. Desde que a ponte foi construída (final da década de 80), a Câmara tem assumido a sua responsabilidade na manutenção do tabuleiro. Atendendo à alteração do uso (passou a ser uma via estruturante no acesso à A23), têm sido feitas diligências no sentido de transferir a responsabilidade e gestão para a entidade gestora das infra-estruturas rodoviárias de carácter supra-municipal, como já acontece com as vias de acesso à ponte.
Câmara Municipal de Abrantes, 3 de Outubro de 2011

domingo, 6 de novembro de 2011

A MULTINACIONAL



A MULTINACIONAL

No rescaldo do ano de 2010, uma multinacional europeia apresentou o seguinte curriculum: 
De entre os seus 736 funcionários17 foram acusados de violência doméstica, 11 emitiram cheques sem provisão, 35 estiveram envolvidos em bancarrotas comerciais e falências fraudulentas, 16 responderam em tribunal por delitos aos Códigos Civil e Penal, e 32 foram detidos por condução de veículo sob o efeito do álcool e diversas outras transgressões às normas do Código da Estrada, perfazendo 111 colaboradores problemáticos em que desde 29 de Junho de 2004 o seu presidente é foragido de um país cujo povo o elegera para primeiro-ministro.
Estamos a referir-nos ao Parlamento Europeu, empresa com assento em Bruxelas, capital da Bélgica, um país desgovernado desde 13 de Junho de 2010 onde flamengos e francófonos não se entendem...

“e-mail em circulação, com as devidas adaptações”

sábado, 29 de outubro de 2011

INTERKULTURAL


INTERKULTURAL

Uma inovadora tríade fez-se anunciar nos reinantes salões de Tubucci, constituída pela pequena Matri Harka que crescendo a olhos vistos, uniu seus esforços a uma mediadora municipal de minorias seleccionada para representar a comunidade gitana do burgo junto da edilidade tubuca.
Objectivo número um: “Construir uma ponte”!
Um tabuleiro de diálogo intercultural assente sobre fundações de responsabilização, com o objectivo primeiro de unir as margens entre a plebe tubuca e a sua minoria étnica!
O outro objectivo: “Promover a comunicação entre esta minoria e os habitantes que residem nas zonas envolventes, com vista à prevenção e gestão de conflitos”.
Imagem gentilmente sacada do site cm.abrantes
Ora bem, segundo ditam as regras, os gitanos sempre se entenderam com as populações envolventes, os apelidados “zinhos”, relegando os conflitos para áreas mais alargadas... Trocando por miúdos... este propósito consistirá em fazer com que a vizinhança se dê lindamente com a minoria étnica anuindo a que esta possa... imaginemos... por exemplo construir um templo para prática do culto Pastoral Gitano na zona envolvente!
Como sabereis caros ciberleitores, a plebe tubuca cada vez mais se recolhe na carapaça, não aceitando de bom grado o offshore cultural da minoria étnica que tem direito a partilhar dos mesmos espaços e cada vez mais se sente ostracizada pela incompreensível sociedade civil onde se tenta integrar.
Os ignóbeis paisanos têm obrigação de aceitar os propósitos da minoria Sinto que a todo o custo ambiciona incluir-se na vida urbana, interiorizando de uma vez  por todas que à semelhança dos cidadãos com mobilidade reduzida e cidadãs em fase de gestação embrionária superior a cinco minutos, também em Tubucci os gipsy's gozam de semelhantes benesses de discriminação positiva, nomeadamente o direito de imediata prioridade nas filas de espera das superfícies comerciais, instituições bancárias, farmácias, serviços de saúde e repartições públicas, dispensando a exibição de senha por mor de não saberem ler nem escrever, em que os funcionários receptores se deverão pautar pelos bons princípios de gestão e atendimento, evitando ferir susceptibilidades à minoria em detrimento dos conflitos de superior complexidade, não interferindo com a frágil sensibilidade destas gentes que a todo o instante tendem a cres.ser para os paisanos.
Na formação dos vigilantes deverá ser incrementado o conceito de menor idade gitana fácilmente detectável pelas expressões verbais e faciais evidenciadas, dispensando a constrangedora solicitação do documento de identificação pessoal, usando de bom senso e urbanidade, instruindo os bófias privados que de antemão saibam descodificar pelo linguarejar quando é que impelido pela gulodice, o garoto ingere uma guloseima rejeitando o respectivo invólucro que colocará devidamente arrumado no lugar de onde o retirou.
Nessas ocasiões a expressão do género "cantilena" vulgarmente percepcionável pelos fardetas será:
“vátimóora daquipá, senã furitúsólhis e xãmumêpá”
Coisas de miúdos!
Não saindo da área de estacionamento das superfícies comerciais, é nesses espaços que a minoria étnica faz questão em zelar pela segurança dos bens alheios verificando discretamente as pegas das portas das viaturas dos incautos hiper-fregueses, evitando perturbar as almas daqueles que vão esgotar os plafond’s virtuais dos cartões de crédito.
Ao regressarem tesos mas felizes, os tubucos deverão compreender que a zelosa minoria merece uns cêntimos de compensação pela atenção dispensada na vigilância das antenas, porquanto o abono de família, o rendimento social de inserção e o subsídio de aleitação não cobrem as despesas de atesto dos Audi's, BMW’s e Mercedes topo de gama equipados com barbatanas de tubarão igualzinhas às dos menistres, airelon’s Matias armados sobre jantes Carvalho, artilhados com enjoados subwofer’s vomitando zíngaralhadas sonoras a dezenas de metros de distância e nas nocturnas urbes, conseguindo atingir velocidades bastante superiores à luz dos faróis apagados!
Demais, os tubucos terão que entender de uma vez por todas que a minoria gitana é emotiva, temperamental e intempestiva, características da sua natureza que contrariada, reagirá sob pressão e a cres.ser para os plebeus distribuirá estalada indiscriminada nos que pretendam mediar os conflitos, incluisivé uns tabefes bem assentes nos professores dos filhos, caso se portem mal na escola!
Em termos de acessibilidade, cada tubuco deverá meter as compras na bagageira da viatura de modo a que o carrinho do supermercado se mantenha à sua retaguarda, para que assim os pequenos étnicos acedam fácilmente aos pesados sacos das compras e com eles pratiquem sprints de 500 metros barreiras, posicionando-se a uma distância tal que lhes permita expressar livremente um chorrilho de palavras incompreendidas pelos xenófobos paisanos de modo a perceberem de uma vez por todas que tais propósitos são tentativas frustradas da incompreendida minoria promover o diálogo intercultural no evidente ensejo de demonstrarem que foi assim que a Alemanha perdeu a guerra!
Dissertando sobre cultura, também nesta vertente a comunidade tubuca terá que saber interpretar o conceito festivaleiro de tiroteio urbano.
O tiroteio urbano tem lugar na fase terminal dum festejo gitano.
Em Tubucci normalmente o festejo gitano inicia-se com o desconvite de individualidades representantes de diferentes facções familiares, iniciando-se com bastante música flamenca e o ritual da ingestão de éne taças de champagne e licores do Eduardino, guiando os convivas a uma segunda fase aparentemente bastante delicada para os paisanos mas que não passa de mera salva de fim de festa.
Como os plebeus tubucos deverão entender, é proibido o foguetório durante a época estival, precisamente para evitar incêndios florestais como o que aconteceu no transacto domingo 23 de Outubro deste ano da graça de dois mil e onze...
...em que as rasteiras labaredas varreram os choupos, as oliveiras e as laranjeiras de toda a envolvente do Vale do Fontinha...
...chamuscando muretes e empenando uns quantos estores das habitações expostas às vertentes...
...provávelmente porque da Central Nuclear de Almaraz se escapuliu o diacho dum átomo tonto que veio cindir-se perto dos pilares da futura ponte que substituirá a secular rodoviária, e aí...
...parindo uma luminescente fagulhinha, essa reproduziu-se em milhentas outras brasinhas ardendo como lume de bruxas em panasco...

...forçando a que os tubucos, quais baratas tontas envoltas em novelos de fumo, desatassem a correr em todas as direcções, pela encosta sudoeste do Cabeço...
enquanto os vultos dos senhores guardas dissimulados nas fumarolas gesticulavam ensalivadas apitadelas evocando a célebre cena da surpreendente Matri Harka surgindo no denso nevoeiro junto às muralhas do castelo ao lado do desorientado Relógio de Sol a quem os malditos vândalos faltaram ao respeito, capando-lhe o gnómon
A rapidez com que ao início da tarde o minarete desapareceu na fumarada foi igual àquela com que ressurgiu!
Emanando odores a húmidas cinzas, uma horita depois chegaram as monções, carais!
Ooop’s! Foi uma barata tonta que se escapuliu do parágrafo anterior!
Ora bem, os caros ciberleitores acabaram de ser submetidos ao método de Jost que consiste em se criar um intervalo na sequência do raciocínio para que na recuperação, a vossa memória evoque a mensagem anterior, testando o seu armazenamento a longo prazo, daí que, sendo recorrente este assunto das bruxinhas, reportemo-nos ao que verdadeiramente vos trouxe até aqui!
Em falta de morteiradas e rajadas sequenciais de foguetório luminescente e na ausência de uma empresa de animação e entretenimento de eventos com o Carrapeta, Batatinha e Companhia, nada melhor do que um final de festa semelhante às ancestrais práticas revolucionárias dos países da África e da Ásia, com os primus inter pares disputando artilharias em gangsterianas correrias pelas ruelas da urbe, condimentadas a incursões hospitalares na medida em que se acontecer algum percalço, será o local indicado para os curativos, evitando os tremelgas do 112 que da capital alfacinha se põem com perguntas chatas cum’à putassa, para retardarem a saída das VMER’s.
Considerando os dignos propósitos da etnia, as tripulações xenofóbicas das viaturas medicalizadas do INEM deverão fazer-se acompanhar de duas unidades de reanimação ou suporte de vida, e de um martelinho quebra-vidros para que nos primeiros minutos de socorro à vitima uma das unidades possa ser percutida pela etnia destinando-se a segunda unidade para o paciente efectivamente se safar, na medida em que a minoria étnica necessita descarregar os seus stresses escavacando algo mais tecnológico.
Usando o bom senso do “tiro-de-salva hospitalário” junto à porta da urgência, a malta circunscreve as desordens e os contratempos, poupando-se em logística e meios humanos que podem fazer falta noutro lado.
Com intuito de evitar situações constrangedoras, a legislação deverá isentar esta minoria da “licença de uso e porte de arma de defesa, guerra ou caça”, evitando o respectivo seguro e dispensando os cursos periódicos de manuseamento de arma, fazendo-se substituir por um CAP(certificado de aptidão profissional pela via da experiência) emitido pelo IEFP - Instituto de Emprego e Formação Profissional, destinando-se o licenciamento ou a detenção domiciliária de arma aos paisanos da comunidade tubuca que eventualmente possuam um destes perigosíssimos exemplares:
Os tubucos têm que interiorizar estas práticas recorrentes, contribuindo de grosso modo para a integração da minoria, ressalvando-se da suspeição de xenofobia.
Demais, o conceito do guionista e realizador João Canijo, autor da longa metragem “Sangue do Meu Sangue” e apologista dos actores se inserirem no ambiente que pretendem representar para melhor captarem os hábitos e os maneirismos dos personagens, começa a ganhar terreno entre os cineastas de bairro tal como o registado na transacta madrugada do dia dezasseis deste Outubro em que nas periferias da capital alfacinha um excelente realizador dava instruções claras aos camera-men’s da SIC que de modo realista reportavam a animação da valente carga policial num fim de festa de anos, distribuindo a tradicional bastonada lombar e fazendo-se e substituir à dispendiosa contratação de palhaços, serpentinas, confetti’s e balões de estoirar, ordenando:
“-Filmágóóóra! Filma! Filma!!! Fiiilma, aqui! Agora fiilma além! Fiiilma vá, fiiiilma os polícias a baterem no rapáááz”  
Se a moda pega, as empresas de entretenimento e espectáculos arriscam-se a decretar insolvência por falta de Freguesia que lhes valha!
No Centro Comercial Millénium os senhores do cinema só passavam filmes de violência, de faca e alguidar, muitas explosões e bué cenas depravadas de sexo tântrico... 
Peça Hindu, ambicionada pelo Museu Ibérico.
...que podiam causar cataratas aos videntes e ainda por cima, sem apelo nem agravo, os tubucos mais novos com óculos de três dê colocados nas ventas, colavam pastilhas elásticas nas cadeiras, comiam pipocas dentro da sala de espectáculos, atendiam telemóveis quatro gê e berravam que se fartavam como se estivessem numa sala de aulas, chegando a confundir aquelas cenas com a realidade, adquirindo hábitos disfuncionais inadequados à convivência social e vai daí, os zelosos étnicos adeptos das boas causas, vendo-se muitas vezes na necessidade de recorrerem a persuasivas técnicas de psicologia aplicada, encetaram por nobres acções de luta, sensibilização e reeducação dos tubucos, acabando pela raiz com as poucas vergonhas, arrasando a falta de escrúpulos dos empresários que sacavam os últimos cêntimos à mesada dos garotos!
Também neste sentido a minoria étnica foi incompreendida pela sociedade estando a alquimista Matri Harka bem ciente disso!
A reinação tubuca terá que reconsiderar o empreendedorismo gitano, dispensando autorizações e licenciamento de obras e habitabilidade bem como os prestadores de serviços de fornecimento de água e luz deverão facultar a necessária acessibilidade aos sistemas abastecedores, isentado a minoria étnica de emolumentos, tarifas ou taxas de IVA a 23% evitando o constrangimento dos requerimentos para benefício das tarifas sociais que implicariam o comprovativo de complemento solidário para idosos, de rendimento social de inserção, de subsídio social de desemprego, de pensão social por invalidez, da integração no primeiro escalão do abono de família e da declaração de rendimentos colectáveis!
Para casamentos, baptizados e outras festas de homenagem, a reinação deverá ceder incondicionalmente as infra-estruturas existentes no seu território, como o cobiçado espaço assombrado pela Tenda dos Milagres ora armada e inaugurada em Mourões do Sul, sob a coacção de sendo a etnia contrariada, poder vir partir a loiça toda!
Abordando o tema da transacção comercial, Tubucci deverá ceder um espaço no Mercado Criativo para que a minoria sob o regime de zona franca, possa comercializar ervas aromáticas de venda livre, produtos genéricos e outros artigos de marca branca, salvaguardando o risco de contrafacção.
Outro aspecto importante a levar em conta será a preocupação que a etnia tem para com o impacte visual causado pelas cablagens que desfeiam as paisagens.
Ao tentar obter uma boa foto, o turista debate-se com cabos atravessados diante dos cenários, daí que a sensibilidade étnica se traduza na cruzada de lá retirar os elementos em excesso, para que com as súbitas interrupções de comunicação os cibernautas não criem dependências, se justifique a continuidade dos canais televisivos de sinal aberto e haja remodelação de equipamento, substituindo os elementos de cobre pela fibra ótica.
É de louvar tão grande dedicação da etnia à nobre causa kalderash, tomando em consideração que o cobre é um elemento químico bastante nocivo, contendo 29 protões, 29 electrões cruzados nos 34 a 36 neutrões. 
Sendo um metal pesado de transição nefasto ao meio ambiente, infiltrando isótopos potencialmente radioactivos nos níveis freáticos e excelente condutor de electrões, não sendo a primeira vez que um étnico morre grelhado na tentativa de reduzir as concentrações de cobre altamente letal contido nos equipamentos de rega por aspersão, nas centrais telefónicas, nos cabos de média tensão e nas cabines de transformação de corrente eléctrica, não vá uma inocente e irrequieta criancinha apanhar por lá uma forte descarga, indo fazer companhia aos anjinhos.
Estes guardiões do ambiente e da saúde pública, verdadeiros heróis do Século XXI que arriscam a vida em prol da ingrata sociedade que os ostraciza, caem invariávelmente nas profundezas do esquecimento e, tristemente ignorados no Dia de Camões e das Comunidades, jamais seus actos heróicos são reconhecidos pelos Senhores Presidentes, com a meritória imposição de uma simples medalhinha de bronze.
Imagem gentilmente sacada do site cm.abrantes
Sendo imperioso inverter tanta ingratidão e segregacionismo, a reinação tubuca coligou-se à Tríade que pretende dar voz a quem defende quão nobres causas ansiando estender os seus laços culturais aos demais cidadãos, sugerindo-se que em substituição do tradicional sapo de loiça, aos números telefónicos de emergência obrigatoriamente expostos em local bem visível dos estabelecimentos abertos ao público se adicione o contacto da empenhada Matri Harka para que em tempo real lhe sejam solicitados os préstimos da sua zelosa equipe, com vista à pronta prevenção, gestão e mediação de conflitos em progressão! 

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

O MUSEU


O MUSEU

 Correndo depressa, a notícia caiu que nem uma bomba deixando cá o Cidadão tão enxuto, tão sem chão... que perdeu a pica de amandar bitaitádas à fartazana!!!
No início era o verbo da Guardiã dos jarrões gregos, adagas, falcatas e outros artefactos mesopotâmicos mais ou menos mumificados e depois...  a voz letal de Matri Harka que deu cabo das esperanças deste desgraçado hiperactivo poder derreter o teclado com substanciais crónicanços em torno do famoso Cubo de 30x30 metros que se avolumara sob projectos e visões, assombrando o convento dominicano em milhares de €uros e fazendo rendendo a coisa à fartazana até chegado o derradeiro momento da reinação Tubuca se dar ao trabalho de encomendar um tardio estudo de viabilidade económica do qual ainda não se discerniu o rasto.
Ao certo é que perante o desaire de tão triste notícia, o desaforado Bob o Construtor das Ópus-Ições, (com laivos do antepassado Samuel que deu nova graça a Tubucci depois de ter sentido a cabeça emarfinada devido às investidas do cavaleiro Machado perante a anuência do latifundiário Hibrahim-Zaïd), desatou a bramar às quatro Web’s que a cena não ficaria assim, que a obra ia ser retalhada, faseada, esmiuçada, frita, cozida e assada em lume brando, que nunca alguma alma penada saberia interpretar as reminiscências da sociedade MH&.GMatri Harka & Guardiã, sociedade de restauros e conservadorismos mesopotâmicos Lda, que as adagas valiam mais do que o verdete envolvente e que o calvo e negro Imhotep arquitectaria aos céus por novos design’s!
Desde a primeira hora já o amaldiçoado Cubo estava predestinado a não se concretizar por força das cenas egípcias e outras preciosidades se prestarem às piramidais catacumbas de Gizé e aos peitos da Esfinge de quebrantadas ventas.
Qualquer ser com dois dedos de tálamo percebia logo que o arrojo carecia de auto-sustentabilidade e alguma viabilidade económica e a sua localização consistiria um verdadeiro atentado aos valores culturais tubucos que se sobrepõem às importadas peças.
Atendendo às alquimias da subtil Matri Harka que se mantém as suas utopias à revelia dos cobradores da troika, o pálido templo estará predestinado a uma série de metamorfoses faseadas, sendo distribuídas por uma porrada de anos.
Imagem gentilmente sacada do site cm.abrantes
De visão ante visão, doravante os claustros dominicanos passarão a testemunhar ansiosos desfiles de admiradores convidados pela Guardiã que os orientará pelas sombrias arcadas na senda dos pendentes hufu's unguentados a gema de ovo de avestruz e de umas quantas peças visgóticas de elevado valor só comparável ao ferrete das plebeias verbas investidas nas representações e emolumentos da ciceronice!
Para trocadilhar as opiniões ao Zé pagode, a reinação Tubuca terá que se contentar com o Cubo a meia adriça e dois Tintins nas versões de 3Dê e 2!
Ciau, Ciau! Tal como o Tintim, também cá o Cidadão tem que ir trabalhar para poder liquidar os respectivos impostos!