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Este militante anti-cinzentista adverte que o blogue poderá conter textos ou imagens socialmente chocantes, pelo que a sua execução incomodará algumas mentalidades mais conservadoras ou sensíveis, não pretendendo pactuar com o padronizado, correndo o risco de se tornar de difícil assimilação e aceitação para alguns leitores! Se isso ocorrer, então estará a alcançar os objectivos pretendidos, agitando consciências acomodadas, automatizadas, padronizadas, politicamente correctas, adormecidas... ou espartilhadas por fórmulas e preconceitos. Embora parte dos seus artigos se possam "condimentar" com alguma "gíria", não confundirá "liberdade de expressão" com libertinagem de expressão, considerando que "a nossa liberdade termina onde começa a liberdade dos outros"(K.Marx). Apresentará o conteúdo dos seus posts de modo satírico, irónico, sarcástico, dinâmico, algo corrosivo, ou profundo e reflexivo, pausado, daí o insistente uso de reticências, para que no termo das suas incursões, os ciberleitores olhem o mundo de uma maneira um pouco diferente... e tendam a "deixá-lo um bocadinho melhor do que o encontraram" (B.Powell). Na coluna à esquerda, o ciberleitor encontrará uma lista de interessantes sítios a consultar, abrangendo distintas correntes político-partidárias ou sociais, que não significará a conotação ou a "rotulagem" do Cidadão abt com alguma dessas correntes... mas tão só a abertura e o consequente o enriquecimento resultantes da análise aos diferentes ideais e correntes de opinião, porquanto os mesmos abordam temas pertinentes, actuais, válidos e úteis, dando especial primazia aos "nossos" blogues autóctones... Uma acutilância aqui, uma ironia ali, uma dica do além... Assim se vai construindo este blogue... Ligue o som e... Boas leituras.

terça-feira, 18 de outubro de 2011

O $HALIT


O $HALIT


Meus senhores. Este foi o instantâneo que resultou dum flash cognitivo, embrionando naqueles post’s vitaminados que tanto se dissolvem na água como no leite, estejam essas substâncias quentes, frias ou mornas... e que podereis adocicar a gosto com açúcar ou adoçante se fordes diabéticos... ou tragá-lo a desgosto, caso possuais ruins fígados.
Em suma, um verdadeiro cyberafter coffee, ou uma rapidinha cibernética... consoante o Vosso digníssimo conceito sócio-cultural ou psico-social a respeito de uma cena assim tão marada, tendo tal procedimento sido induzido pela terceira overdose diária de cafeína...

Vamos a ele, que se faz tarde...
À semelhança do nosso quão inflacionado €uro, também no Médio Oriente se fez anunciar uma nova moeda única, tendo o objectivo de facilitar o intercâmbio dos produtos regionais...

O $halit...
Na mesma relação proporcional em que o Giga se encontra para o Mega, assim o $halit está para o palestiniano, ou seja, um $halit vale precisamente 1024(mil e vinte e quatro) palestinianos.
Portanto, caros ciberleitores, para efeito de trocos, um palestiniano corresponderá aproximadamente  a uma milésima parte do $halit...
Ao invés do que muitos activistas querem fazer crer ao mundo... afinal, com a ajuda de Deus, no Médio Oriente sempre se respeitam os valores humanos!...

sábado, 15 de outubro de 2011

IMPACIENTES

IMPACIENTES



-"Nós estamos impacientes..."
-"Nós não podemos aumentar esta receita, aumentando mais os impostos..."
-"Nós não devemos aumentar os impostos..."
-"Que lata..." 
-"O orçamento apresentado na Assembleia da República este ano de alguma maneira vai buscar a quem não pode fugir, que é aos funcionários públicos..."
-"Nós não podemos fazer em 2011 o mesmo que eles fizeram no passado..." 
-"Não dizemos hoje uma coisa e amanhã, outra..."
-"O País quer mesmo saber se nós somos como os outros até aqui..."
-"Não basta austeridade e cortar..."
-"Não se pode cortar cegamente..."
-"É que as medidas agora anunciadas traduzem uma incompreensível insistência no erro..."
-"E que representa sempre o mesmo esforço de tratar os portugueses à bruta e de lhes dizer:  agora não há outra solução..."
-"O que o País precisa para ultrapassar esta crise não é de mais austeridade porque Portugal já vive em austeridade..."
-"Espero como Primeiro Ministro não dizer ao País, ingenuamente, que não conhecemos a situação..."
-"Nós precisamos valorizar cada vez mais a palavra para que quando ela é proferida, possamos acreditar nela..."
*Pedro Passos Coelho, dixit.
Toma. Embrulha e...vai buscar, Tibi!

sábado, 8 de outubro de 2011

O SACRIFÍCIO


O SACRIFÍCIO


De artelho mal achado e amparando-se numa excelente canadiana...
...foi assim que cá o Cidadão assistiu à sacrificação dum bácoro na zona assombrada pela Tenda dos Milagres ora sitiada na margem das tágides águas que pelo sul contornam a quão fascinante Tubucci... 
Vivera-se um ritual de pura carnificina em Mourões do Sul, pequeno território avassalado por Tubucci.
Na zona ribeirinha pressentia-se o imenso odor a carne queimada...
...denunciando a presença de homens munidos de longas tesouras podantes, retalhando orelhas e unhas dum marrano esventrado e friamente trespassado em suas entranhas por aguçado espeto de aço que implacávelmente rolava o tostado lombo de costelas expostas sobre escaldantes brasas enquanto empunhando flamejantes facalhões, outros tantos homens rudes estraçalhavam os restos do cadáver em esguias tiras de carne ósdespois distribuídas pela entusiástica plebe que energicamente as rasgava com suas alvas dentições ao ritmo dos acordes despejados pelos intrépidos druidas descendentes do Chico Honório +5 +1! 
Aí foi sempre a bombar!
Mergulhados em excitantes transes, os participantes foram contemplados por uma entusiástica Speededance Wine Party, consistindo na ingestão de substâncias alucinogénias provenientes do profeta Dããvid, fiel discípulo de Baco, tentando deste modo exorcizar-lhes os espíritos malignos da Crisis.
Num primeiro desaconchego de dois furos, por debaixo dos panos concretizava-se a arte mágica de apertar o cinto aos plebeus!
Entre as bandas de cá e de lá, a fonte taurina em si sob um abrasador sol sem dó, a extasiada população assistiu a farras e fanfarras quanto bastasse...
Cinzentas e altivas meninas surgiram dos arvoredos que rareiam por debaixo da centenária ponte rodoviária enquanto um intenso odor de esgoto se sobrepunha ao cheiro a cavalo...
...esporando pardos hipomorfos enclavados até ao profundo e ternurento olhar duma Matri Harka orgulhosa pela alva barraca concedida sob sua imaginária Alquimia na conjugação da milagreira ambivalência do enorme chapéu-de-sol para dias estivais com o amplo guarda-chuva em invernais tempestades.
Houve rancho para todos... 
...inclusivé para estes cinco herdeiros da crise a quem lhes competirá pagar uma parcela dos juros e dos setenta e quatro mil milhões de €uros financiados pelo Fundo Monetário Internacional e pelo Banco Central Europeu, que vieram safar a Reinação da Bancarrota!
Angustiantes e prazenteiros gritinhos sulcaram os salpicos da suave ondulação em leves canoas recheadas de húmidas Rosinhas esgrimindo suas primeiras pagaiadas remadas contra receios e brisas contrárias, espantando linguados, bogas, xarrôcos, barbos e fataças das minhocas banhadas pelos pacientes pescadores que de cana em riste aguardavam p'lo guizado da picadela...
À laia de complemento solidário, a cerca de trezentos pés espreitavam os artefactos de dois parques infantis com características subaquáticas...
...um dos quais vocacionado para o turismo sénior, desafiando o seu rival da margem norte vigiado pelas charterianas Portas e Passagens...
...cujos rubores inferiores denunciavam o desgaste das águas infestadas de substratos, salmonelas, dejectos, nitratos e outros tantos desideratos que nem a incauta Rosalinda se atreveria a molhar seu singelo pé de catraia em águas turvas!
Descerrada a bandeira da placa, tesa e feliz encaminhava-se Matri Harka pela verdura, pensando para seus botões que houvera devolvido a azola castelhana às gentes ribeirinhas, num feito semelhante à técnica do quadrado das quatro alas com que o Santo Condestável vencera Aljubarrota e, ao conquistar os...
 ...provindos fundos comunitários, na convicção de que também ali fora realizada uma bonita obra a reflectir-se na abrupta subida dos impostos, como por exemplo nos tais dezassete por cento do valor acrescentado (17% IVA), incididos sobre os bens essenciais de consumo dos plebeus com o foguetório prolongando-se pela noite adiante, pois a próxima segunda-feira seria dia de pica-boi, dia de se falar éne vezes na crise e dia de os queixarmos que isto está mau! 
Vá lá que os pórticos de portagem não têm direito a tais festanças de arromba... 
Regressando à temática do artelho mal achado, acontece que a plebe de Tubucci jamais poderá olhar o Céu com natural devoção e outra tanta insistência nem descurar os relevos do terreno que pisa ou correrá o risco de amandar um tralho do camandro semelhante ao do desafortunado Cidadão abt... senão vejamos a coisa no seguinte prisma...
Teve este servo da gleba económica a necessidade de trepar ao cabeço tubuco com o intuito de usufruir as usurárias atenções da Caixa Geral dos Depósitos.
Emborcado um escaldante cimbalino no Tónho Paulos e como clima escaldava cum’ó camandro por mor do esburacado ozono...
...o regresso fez-se na companhia de bué da contas de cabeça despejadas na calçada da passagem pedonal sobrelevada bem à sombra das empenas do património edificado do Largo Dr. Ramiro Guedes cujo muro contém diversas cenas kurtidas da reinadia história tubuca e afins, culminando abrutamente em meia escadaria de quatro degraus vencedores de setenta gloriosos centímetros...
Azar dos azares!
Trazendo precisamente as ideias nos Céus, em vez de se meter pela direita e supondo-se no Reino Unido, este praça enveredou erradamente pela esquerda, se bem quando...
-Tr uc la s !
Deu-se o tralho!
Estatelou-se no precipício ali existente mas, porque há sempre um “mas”, os úricos ácidos ainda lho permitiram que, contorcendo-se no ar como os gatos, caísse de pé, imitando a triste figura das matrioshkas que são diversas bonequinhas monocolores sempre em pé, cultivadas no folclore Russo e importadas do Império dos Tanakas, que se vão encaixando umas dentro das outras!
Ná!
Infelizmente não se trata disto, meus senhores!
A Ka saindo da Oshka, a Oshka parida pela Trioska, a Trioska concebida pela Matrioshka e a Matrioshka, filhota da vóvó Matri!  
São ôcas, exceptuando a mais piquêna que é maciça e habita no seio das ascendentes, concebendo-lhes o centro da gravidade!
Nem todos terão a honra de dar um elevado tralho deste desnível, arriscando-se os incautos plebeus a cair de cabeça abaixo caso a tenham mais pesada que o corpo, tal qual sucede com os humanóides recém nascidos quando se baldeiam na banheira, concluindo que para além do elevado número de barreiras arquitectónicas patenteadas em Tubucci também nela há um precipício arquitectónico que se fosse balizado por um obstáculo em cantaria, um murete, uma ameia, um alegrete fixo, ou por um discreto gradeamento, bem poderia evitar danos físicos nos poucos plebeus que insistem em contribuir activamente para a parca viabilidade da grandessíssima máquina financeira do Portucalense Reino.
Trocando as ideias dos pedestrantes, no lugar do artefacto fixo, de quando em vez de lá desaparece e reaparece um enorme vaso evocativo das gregas cerâmicas!
Cenas da vida quotidiana associadas às forças da gravidade!
Arrefecido da tal manobra de diversão, um dos artelhos desatou a inchar à brava conseguindo-se a bota menor que a perdigota e uma luminescente canadiana por companhia!!!
Bem sabeis que este praça toma as dores por relativas mas que um gajo não se livra de mancar que nem um tordo desnubente, lá isso é que não!
???”””
Venham cá, minhas pombinhas... que vos dou o arroz...

sábado, 1 de outubro de 2011

A VILA


A VILA
Nos últimos tempos cá o Cidadão abt anda bastante apreensivo com o facto de após instalados pórticos de portagem no IC3 e o Senhor Ministro Adjunto e dos Assuntos Pr'alamentares, Dr. Miguel Relvas vir a terreiro filosofar que dentro do “princípio utilizador – pagador,” quem utiliza as Estradas de Portugal tem que as pagar... 
E desde aí este praça tem vivido os seus dias em constante sobressalto pois sempre que na rua pressente movimentações camarárias ou cada vez que acorda para nova jornada, bem receia que da noite para o dia lhe seja instalado um pórtico de portagem junto à saída da garagem, levando a que este desgraçado tenha de adquirir o respectivo identificador a instalar no frontal do conta-quilómetros da Famel Zundapp... razão mais do que suficiente para se drunfar com drageias de ansiolíticos... não acham?!
Subindo ao sótão, o Cidadão arredou o manto negro que cobria a magnífica Bola de Cristal... esperançado que esta lhe fornecesse algumas pistas sobre as evoluções que o people tem sofrido nestas últimas semanas pós Estado de graça... e ainda meditando que se dantes já se pagavam as estradas, num futuro próximo se irão pagar as ditas estradas... a dobrar!
Por exemplo o Imposto Municipal Sobre Veículos e o Imposto de Camionagem que deram lugar ao IUC (Imposto Único de Circulação) adicionado à sobretaxa de 7,5 cêntimos por litro de combustível que revertem a favor do pagamento dos encargos com as Scut’s e introduzidas as reportagens, caberá ao cidadão repagar a utilização das mesmíssimas artérias... 
Estando a Lua trincada na sua face e as estações baralhadas, os tempos deparavam-se da tal modo confusos que em nada coincidiam com o crescimento das cartilagens, dos cabelos peitorais e das unhas dos pés, nem somenos inspiravam a que se dessem cinco voltas na encruzilhada ou se percorressem sete castelos numa só noite.
Por exemplo, de agora em diante uma alma penada que se queira deslocar entre o Castelo de Tubucci e o Castelo de Nabanthus perderá toda a vontade de dar uma volta pelo Castelo do Almourol e ir espreitar as saias do fradinho Capucho na Igreja da Atalaia!
Com tanto pórtico desumanizado de belas portageiras, o mais certo será o viajante tubuco descobrir que rumando a Nabanthus achará um atalho mais curtinho que atravessa outro magnânimo castelo!
O Castelo de Bode!
A não ser que...
Instalem um pórtico portageiro a meio do paredão da barragem... e aí a coisa mudará de figura...
Que Belzebuth, príncipe de todos os males, senhor das moscas e tenente dos exércitos infernais, seja cego, surdo e mudo!
Perante os mistérios a que houvera assistido nos últimos dias, este praça necessitava desabafar com as forças ocultas, buscando em suas energias esotéricas algumas explicações e outras tantas revelações para os desígnios que o futuro nos reservará...  
-Olá, magnificente Bola... Coitadita... Estás bem carregadinha de pó!...
Cof! Cof!  Aaaatchimmm!
Ouvi-me só esta historieta com bastante atenção... e depois... maravilhosa Bola de Cristal, vomitai-me qualquer coisita desde as vossas profundas entranhas...
Cá vai...
Alcolóbriga é uma Vila do feudo tubuco cujos senhores feudais têm por seu hábito inaugurar bué da ideias...
...projectos, visões e antevisões... para as televisões...
...sendo que já nela há éne tempos habitava um vermelho mensageiro tocando interminavelmente sua trombeta até chegado o solarengo dia em que sem passar parte às plebes, o real cavaleiro resolveu “dar às da Vila, seu alforge”...
...demitindo-se das suas funções e responsabilidades de utilidade pública, passando sua mala a particulares e vai daí, as plebeias gentes que eram seres atentos, unidos nos propósitos e ciosos dos seus direitos, resolveram reunir-se na estrada nacional que ainda não possui um único pórtico de portagem.
No termo daquela cálida tarde, a sudeste da Vila formara-se um airoso arco-íris ensombrado por baixos stratus esboçando as cores da bandeira nacional, enquanto discretos jipões traziam reforços humanos para lotarem o posto da Guarda Republicana, enquanto os habitués delatores estrategicamente se pavoneavam tranquilamente pelas ruelas da vizinha carina, aguardando a chegada do cavalo branco transportado pelo correio concorrente...
Entretanto, de distintas direcções e em cúmplices silêncios a ordeira população da Vila reuniu-se frente à tal estalagem das mensagens, contingentada pelos paisanos agentes que menos confiavam na populaça do que na delinquência dos chavalos da Vila.
A plebe ousara abandonar o conforto do Facebook e saíra à rua num dia assim... instigando o trombeteiro que a trote abalara, desta feita regressasse em marcha picada com sua montada na ponta dos cascos, comprometendo-se o chavalo de utilidade pública a tão depressa não vir a dar com a boca no trombone.
Dizei-me agora vós ó Bola de Cristal, o que nos revelais sobre o futuro desta Vila?...
-Este parte, aquele parte e todos, todos se irão...
Se o povo dessa Vila a pestana não abrir e ao feudo for submisso, em breve a escola secundária lhe resgatará...
...o posto médico desaparecerá...
 ...o quartel da guarda se sumirá...
...o estádio do mapa se apagará...
...e tudo o mais... ao alto do Cabeço trepará!
Essa Vila nem da biblioteca côr dará e só plátanos lhe restarão, idosos aos magotes lhe sobrarão e pelas ruelas partidas, esburacadas e esventradas, um pequeno e submisso feiticeiro cavalgando seu negro e brilhante alazão adornado de cromados ferros, percorrerá... pois nelas escassos plebeus buscará e outros tantos se abrigarão do abrasador calor que por lá se sentirá...
E o povo dessa Vila jamais serenará e tantas outras lutas travará até chegado o dia da grande bailação em que a celestial Matri-Harka por lá ressurgirá e prometendo o garantirá que uma enorme ponte suas tágides margens unirá...

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

O PIRATA DOS CARUNCHOS



O PIRATA DOS CARUNCHOS
Durante muitos e largos anos... ele escondeu um tesouro nacional de 1.113 milhões de €uros... num buraco profundo!

terça-feira, 6 de setembro de 2011

OS DE.VOTOS


OS DE.VOTOS


Eram onze horas e uma parga de minutos do lindo feriado15 de Agosto, dia da Assunção de Nossa Senhora ao Céu quando o impensável sucedeu na aldeia de Casais de Revelhos e este, um post que desde há alguns tempitos estava prestes a entrar no forno! 
Aqui vai!
Talvez pelo espaço no templo ser restrito ou por assim o entender melhor, o certo é que o padre-cura resolvera celebrar missa no átrio da Igreja Cristã...
Já os fiéis se imbuíam em suas preces quando inusitadamente, um trio de derradeiros devotos acrescentaram-se à cena, nos comandos de quão bela carripana recolectora de resíduos sólidos...
Eram os almeidas da sagrada pegada ecológica, digníssimos candidatos a paleolíticas ferraduras!
Entre Ave Marias, améns e Pai Nossos, a indiferente tríade resolveu recolher os lixos depositados nos cinco verdes contentores sitiados junto ao adro onde se praticava quão religioso culto!
Local da ocorrência
Abafando a homilia junto ao púlpito improvisado, o roncar do motor, as compassadas batidas das tampas nos garfos condutores e os putrefactos aromas emanados das genunflectóricas básculas induziram inovadoras crenças nos fiéis de Casais...

“Senhor, tende piedade de Nós...”

Valha-nos Nossa Senhora da Conceição!
Não havia nexexidade!

“Senhor, tende piedade de nós,
Jesus Cristo, tende piedade de nós,
Senhor, tende piedade de nós...”

O motor roncava, os contentores batiam castanholas, os cheiros difundiam-se no espaço e os fiéis por’li prostrados, deveras reforçando suas aflitivas preces...

“Creio em Deus Pai Todo-Poderoso, Creio que estes gajos vieram zombar connosco, Creio na divina paciência do padre-cura, Creio no Espírito Santo para me conter, Creio que a presidenta deveras ensurdeceu...”

De credo na boca, foi mais ou menos assim que prosseguiu a oração dos fiéis a Santo Expedito...
“Meu Santo Expedito das causas justas e urgentes intercede por mim junto a Nosso Senhor Jesus Cristo, socorre-me nesta hora de aflição e desespero, meu Santo Expedito Vós que sois um Santo guerreiro, Vós que sois o Santo dos aflitos, Vós que sois o Santo dos desesperados, Vós que sois o Santo das causas urgentes, protege-me.
Ajuda-me, Dá-me força, paciência, coragem, firmeza, contenção e serenidade. Atende ao meu pedido de levar daqui para fora este trio de almeidas inoportunos.
Meu Santo Expedito! Ajuda-me a superar estes minutos difíceis, protege-me de todos que me possam prejudicar a concentração, protege-me as narinas e protege-me a famelga de algum resíduo sólido que se possa soltar. Por favor, atende ao meu pedido com urgência. Devolve-me a paz, a tranquilidade, a concentração e o ar puro destas paragens.
Meu Santo Expedito! Serei grato pelo resto de minha vida e levarei o teu nome a todos quantos têm fé... se me atenderes estas preces, claro está!”
Tudo isto presenciado pela passividade das edilidades da terra e arredores que por'li perfilavam em cerimoniosa primeira linha!
“A carga pronta e metida nos contentores, adeus aos meus amores que me vou p'ra outro mundo. É uma escolha que se faz e o passado foi lá atrás. A carga pronta metida nos contentores e adeus aos meus amores que me vou p'ra outro mundo. Num voo nocturno dum cargueiro espacial, não voa nada mal isto onde vou p'lo espaço fundo. Mudaram todas as cores, rugem baixinho os motores e numa força invencível deixo a cidade natal Não voa nada mal pela certeza dum bocado de treva e de novo Adão e Eva a renascer no outro mundo Voltar ao zero num planeta distante com memória de elefante talvez... O outro mundo é uma escolha que se faz e o passado foi lá atrás. Nasce de novo o dia nesta nave de Noé com um pouco de fé.

-Ah! Pois!...

Esta foi a oração dos Xutos & Pontapés!

Graças a Deus poderemos ser ateus, agnósticos, descrentes, professarmos outras fezes, convicções politicas ou quiçá pretendermos manifestar os nossos desalentos por nos fazerem laborar no dia de Nossa Senhora da Conceição mas afigura-se-nos de mau tom, de falta de civismo e de falta de respeito, não nos dando o direito de atropelarmos o normal decorrer dum culto de fé que envolve parte considerável da população da aldeia.
Mais valia os almeidas terem ido dar uma curva ao bilhar grande ou rolar até Vila Lobos enveredando pelo caminho do Vale da Vinha onde encontrariam a pegada da burra de Nossa Senhora que para estes esmerados senhores seria um ícone na realização das suas vidas podendo decalcarem a figura da rocha, para seu logótipo!
Quanto ao condutor do veículo,  merece nota negativa em Exame de Psicologia do Tráfego,  nomeadamente nas áreas do cognitivo e do afectivo, especificamente em termos de saúde mental,  avaliação de valores e interesses,  responsabilidades, estabilidade emocional,  capacidade de resistência à frustração e espírito de cooperação!