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Este militante anti-cinzentista adverte que o blogue poderá conter textos ou imagens socialmente chocantes, pelo que a sua execução incomodará algumas mentalidades mais conservadoras ou sensíveis, não pretendendo pactuar com o padronizado, correndo o risco de se tornar de difícil assimilação e aceitação para alguns leitores! Se isso ocorrer, então estará a alcançar os objectivos pretendidos, agitando consciências acomodadas, automatizadas, padronizadas, politicamente correctas, adormecidas... ou espartilhadas por fórmulas e preconceitos. Embora parte dos seus artigos se possam "condimentar" com alguma "gíria", não confundirá "liberdade de expressão" com libertinagem de expressão, considerando que "a nossa liberdade termina onde começa a liberdade dos outros"(K.Marx). Apresentará o conteúdo dos seus posts de modo satírico, irónico, sarcástico, dinâmico, algo corrosivo, ou profundo e reflexivo, pausado, daí o insistente uso de reticências, para que no termo das suas incursões, os ciberleitores olhem o mundo de uma maneira um pouco diferente... e tendam a "deixá-lo um bocadinho melhor do que o encontraram" (B.Powell). Na coluna à esquerda, o ciberleitor encontrará uma lista de interessantes sítios a consultar, abrangendo distintas correntes político-partidárias ou sociais, que não significará a conotação ou a "rotulagem" do Cidadão abt com alguma dessas correntes... mas tão só a abertura e o consequente o enriquecimento resultantes da análise aos diferentes ideais e correntes de opinião, porquanto os mesmos abordam temas pertinentes, actuais, válidos e úteis, dando especial primazia aos "nossos" blogues autóctones... Uma acutilância aqui, uma ironia ali, uma dica do além... Assim se vai construindo este blogue... Ligue o som e... Boas leituras.

sábado, 8 de outubro de 2011

O SACRIFÍCIO


O SACRIFÍCIO


De artelho mal achado e amparando-se numa excelente canadiana...
...foi assim que cá o Cidadão assistiu à sacrificação dum bácoro na zona assombrada pela Tenda dos Milagres ora sitiada na margem das tágides águas que pelo sul contornam a quão fascinante Tubucci... 
Vivera-se um ritual de pura carnificina em Mourões do Sul, pequeno território avassalado por Tubucci.
Na zona ribeirinha pressentia-se o imenso odor a carne queimada...
...denunciando a presença de homens munidos de longas tesouras podantes, retalhando orelhas e unhas dum marrano esventrado e friamente trespassado em suas entranhas por aguçado espeto de aço que implacávelmente rolava o tostado lombo de costelas expostas sobre escaldantes brasas enquanto empunhando flamejantes facalhões, outros tantos homens rudes estraçalhavam os restos do cadáver em esguias tiras de carne ósdespois distribuídas pela entusiástica plebe que energicamente as rasgava com suas alvas dentições ao ritmo dos acordes despejados pelos intrépidos druidas descendentes do Chico Honório +5 +1! 
Aí foi sempre a bombar!
Mergulhados em excitantes transes, os participantes foram contemplados por uma entusiástica Speededance Wine Party, consistindo na ingestão de substâncias alucinogénias provenientes do profeta Dããvid, fiel discípulo de Baco, tentando deste modo exorcizar-lhes os espíritos malignos da Crisis.
Num primeiro desaconchego de dois furos, por debaixo dos panos concretizava-se a arte mágica de apertar o cinto aos plebeus!
Entre as bandas de cá e de lá, a fonte taurina em si sob um abrasador sol sem dó, a extasiada população assistiu a farras e fanfarras quanto bastasse...
Cinzentas e altivas meninas surgiram dos arvoredos que rareiam por debaixo da centenária ponte rodoviária enquanto um intenso odor de esgoto se sobrepunha ao cheiro a cavalo...
...esporando pardos hipomorfos enclavados até ao profundo e ternurento olhar duma Matri Harka orgulhosa pela alva barraca concedida sob sua imaginária Alquimia na conjugação da milagreira ambivalência do enorme chapéu-de-sol para dias estivais com o amplo guarda-chuva em invernais tempestades.
Houve rancho para todos... 
...inclusivé para estes cinco herdeiros da crise a quem lhes competirá pagar uma parcela dos juros e dos setenta e quatro mil milhões de €uros financiados pelo Fundo Monetário Internacional e pelo Banco Central Europeu, que vieram safar a Reinação da Bancarrota!
Angustiantes e prazenteiros gritinhos sulcaram os salpicos da suave ondulação em leves canoas recheadas de húmidas Rosinhas esgrimindo suas primeiras pagaiadas remadas contra receios e brisas contrárias, espantando linguados, bogas, xarrôcos, barbos e fataças das minhocas banhadas pelos pacientes pescadores que de cana em riste aguardavam p'lo guizado da picadela...
À laia de complemento solidário, a cerca de trezentos pés espreitavam os artefactos de dois parques infantis com características subaquáticas...
...um dos quais vocacionado para o turismo sénior, desafiando o seu rival da margem norte vigiado pelas charterianas Portas e Passagens...
...cujos rubores inferiores denunciavam o desgaste das águas infestadas de substratos, salmonelas, dejectos, nitratos e outros tantos desideratos que nem a incauta Rosalinda se atreveria a molhar seu singelo pé de catraia em águas turvas!
Descerrada a bandeira da placa, tesa e feliz encaminhava-se Matri Harka pela verdura, pensando para seus botões que houvera devolvido a azola castelhana às gentes ribeirinhas, num feito semelhante à técnica do quadrado das quatro alas com que o Santo Condestável vencera Aljubarrota e, ao conquistar os...
 ...provindos fundos comunitários, na convicção de que também ali fora realizada uma bonita obra a reflectir-se na abrupta subida dos impostos, como por exemplo nos tais dezassete por cento do valor acrescentado (17% IVA), incididos sobre os bens essenciais de consumo dos plebeus com o foguetório prolongando-se pela noite adiante, pois a próxima segunda-feira seria dia de pica-boi, dia de se falar éne vezes na crise e dia de os queixarmos que isto está mau! 
Vá lá que os pórticos de portagem não têm direito a tais festanças de arromba... 
Regressando à temática do artelho mal achado, acontece que a plebe de Tubucci jamais poderá olhar o Céu com natural devoção e outra tanta insistência nem descurar os relevos do terreno que pisa ou correrá o risco de amandar um tralho do camandro semelhante ao do desafortunado Cidadão abt... senão vejamos a coisa no seguinte prisma...
Teve este servo da gleba económica a necessidade de trepar ao cabeço tubuco com o intuito de usufruir as usurárias atenções da Caixa Geral dos Depósitos.
Emborcado um escaldante cimbalino no Tónho Paulos e como clima escaldava cum’ó camandro por mor do esburacado ozono...
...o regresso fez-se na companhia de bué da contas de cabeça despejadas na calçada da passagem pedonal sobrelevada bem à sombra das empenas do património edificado do Largo Dr. Ramiro Guedes cujo muro contém diversas cenas kurtidas da reinadia história tubuca e afins, culminando abrutamente em meia escadaria de quatro degraus vencedores de setenta gloriosos centímetros...
Azar dos azares!
Trazendo precisamente as ideias nos Céus, em vez de se meter pela direita e supondo-se no Reino Unido, este praça enveredou erradamente pela esquerda, se bem quando...
-Tr uc la s !
Deu-se o tralho!
Estatelou-se no precipício ali existente mas, porque há sempre um “mas”, os úricos ácidos ainda lho permitiram que, contorcendo-se no ar como os gatos, caísse de pé, imitando a triste figura das matrioshkas que são diversas bonequinhas monocolores sempre em pé, cultivadas no folclore Russo e importadas do Império dos Tanakas, que se vão encaixando umas dentro das outras!
Ná!
Infelizmente não se trata disto, meus senhores!
A Ka saindo da Oshka, a Oshka parida pela Trioska, a Trioska concebida pela Matrioshka e a Matrioshka, filhota da vóvó Matri!  
São ôcas, exceptuando a mais piquêna que é maciça e habita no seio das ascendentes, concebendo-lhes o centro da gravidade!
Nem todos terão a honra de dar um elevado tralho deste desnível, arriscando-se os incautos plebeus a cair de cabeça abaixo caso a tenham mais pesada que o corpo, tal qual sucede com os humanóides recém nascidos quando se baldeiam na banheira, concluindo que para além do elevado número de barreiras arquitectónicas patenteadas em Tubucci também nela há um precipício arquitectónico que se fosse balizado por um obstáculo em cantaria, um murete, uma ameia, um alegrete fixo, ou por um discreto gradeamento, bem poderia evitar danos físicos nos poucos plebeus que insistem em contribuir activamente para a parca viabilidade da grandessíssima máquina financeira do Portucalense Reino.
Trocando as ideias dos pedestrantes, no lugar do artefacto fixo, de quando em vez de lá desaparece e reaparece um enorme vaso evocativo das gregas cerâmicas!
Cenas da vida quotidiana associadas às forças da gravidade!
Arrefecido da tal manobra de diversão, um dos artelhos desatou a inchar à brava conseguindo-se a bota menor que a perdigota e uma luminescente canadiana por companhia!!!
Bem sabeis que este praça toma as dores por relativas mas que um gajo não se livra de mancar que nem um tordo desnubente, lá isso é que não!
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Venham cá, minhas pombinhas... que vos dou o arroz...

sábado, 1 de outubro de 2011

A VILA


A VILA
Nos últimos tempos cá o Cidadão abt anda bastante apreensivo com o facto de após instalados pórticos de portagem no IC3 e o Senhor Ministro Adjunto e dos Assuntos Pr'alamentares, Dr. Miguel Relvas vir a terreiro filosofar que dentro do “princípio utilizador – pagador,” quem utiliza as Estradas de Portugal tem que as pagar... 
E desde aí este praça tem vivido os seus dias em constante sobressalto pois sempre que na rua pressente movimentações camarárias ou cada vez que acorda para nova jornada, bem receia que da noite para o dia lhe seja instalado um pórtico de portagem junto à saída da garagem, levando a que este desgraçado tenha de adquirir o respectivo identificador a instalar no frontal do conta-quilómetros da Famel Zundapp... razão mais do que suficiente para se drunfar com drageias de ansiolíticos... não acham?!
Subindo ao sótão, o Cidadão arredou o manto negro que cobria a magnífica Bola de Cristal... esperançado que esta lhe fornecesse algumas pistas sobre as evoluções que o people tem sofrido nestas últimas semanas pós Estado de graça... e ainda meditando que se dantes já se pagavam as estradas, num futuro próximo se irão pagar as ditas estradas... a dobrar!
Por exemplo o Imposto Municipal Sobre Veículos e o Imposto de Camionagem que deram lugar ao IUC (Imposto Único de Circulação) adicionado à sobretaxa de 7,5 cêntimos por litro de combustível que revertem a favor do pagamento dos encargos com as Scut’s e introduzidas as reportagens, caberá ao cidadão repagar a utilização das mesmíssimas artérias... 
Estando a Lua trincada na sua face e as estações baralhadas, os tempos deparavam-se da tal modo confusos que em nada coincidiam com o crescimento das cartilagens, dos cabelos peitorais e das unhas dos pés, nem somenos inspiravam a que se dessem cinco voltas na encruzilhada ou se percorressem sete castelos numa só noite.
Por exemplo, de agora em diante uma alma penada que se queira deslocar entre o Castelo de Tubucci e o Castelo de Nabanthus perderá toda a vontade de dar uma volta pelo Castelo do Almourol e ir espreitar as saias do fradinho Capucho na Igreja da Atalaia!
Com tanto pórtico desumanizado de belas portageiras, o mais certo será o viajante tubuco descobrir que rumando a Nabanthus achará um atalho mais curtinho que atravessa outro magnânimo castelo!
O Castelo de Bode!
A não ser que...
Instalem um pórtico portageiro a meio do paredão da barragem... e aí a coisa mudará de figura...
Que Belzebuth, príncipe de todos os males, senhor das moscas e tenente dos exércitos infernais, seja cego, surdo e mudo!
Perante os mistérios a que houvera assistido nos últimos dias, este praça necessitava desabafar com as forças ocultas, buscando em suas energias esotéricas algumas explicações e outras tantas revelações para os desígnios que o futuro nos reservará...  
-Olá, magnificente Bola... Coitadita... Estás bem carregadinha de pó!...
Cof! Cof!  Aaaatchimmm!
Ouvi-me só esta historieta com bastante atenção... e depois... maravilhosa Bola de Cristal, vomitai-me qualquer coisita desde as vossas profundas entranhas...
Cá vai...
Alcolóbriga é uma Vila do feudo tubuco cujos senhores feudais têm por seu hábito inaugurar bué da ideias...
...projectos, visões e antevisões... para as televisões...
...sendo que já nela há éne tempos habitava um vermelho mensageiro tocando interminavelmente sua trombeta até chegado o solarengo dia em que sem passar parte às plebes, o real cavaleiro resolveu “dar às da Vila, seu alforge”...
...demitindo-se das suas funções e responsabilidades de utilidade pública, passando sua mala a particulares e vai daí, as plebeias gentes que eram seres atentos, unidos nos propósitos e ciosos dos seus direitos, resolveram reunir-se na estrada nacional que ainda não possui um único pórtico de portagem.
No termo daquela cálida tarde, a sudeste da Vila formara-se um airoso arco-íris ensombrado por baixos stratus esboçando as cores da bandeira nacional, enquanto discretos jipões traziam reforços humanos para lotarem o posto da Guarda Republicana, enquanto os habitués delatores estrategicamente se pavoneavam tranquilamente pelas ruelas da vizinha carina, aguardando a chegada do cavalo branco transportado pelo correio concorrente...
Entretanto, de distintas direcções e em cúmplices silêncios a ordeira população da Vila reuniu-se frente à tal estalagem das mensagens, contingentada pelos paisanos agentes que menos confiavam na populaça do que na delinquência dos chavalos da Vila.
A plebe ousara abandonar o conforto do Facebook e saíra à rua num dia assim... instigando o trombeteiro que a trote abalara, desta feita regressasse em marcha picada com sua montada na ponta dos cascos, comprometendo-se o chavalo de utilidade pública a tão depressa não vir a dar com a boca no trombone.
Dizei-me agora vós ó Bola de Cristal, o que nos revelais sobre o futuro desta Vila?...
-Este parte, aquele parte e todos, todos se irão...
Se o povo dessa Vila a pestana não abrir e ao feudo for submisso, em breve a escola secundária lhe resgatará...
...o posto médico desaparecerá...
 ...o quartel da guarda se sumirá...
...o estádio do mapa se apagará...
...e tudo o mais... ao alto do Cabeço trepará!
Essa Vila nem da biblioteca côr dará e só plátanos lhe restarão, idosos aos magotes lhe sobrarão e pelas ruelas partidas, esburacadas e esventradas, um pequeno e submisso feiticeiro cavalgando seu negro e brilhante alazão adornado de cromados ferros, percorrerá... pois nelas escassos plebeus buscará e outros tantos se abrigarão do abrasador calor que por lá se sentirá...
E o povo dessa Vila jamais serenará e tantas outras lutas travará até chegado o dia da grande bailação em que a celestial Matri-Harka por lá ressurgirá e prometendo o garantirá que uma enorme ponte suas tágides margens unirá...

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

O PIRATA DOS CARUNCHOS



O PIRATA DOS CARUNCHOS
Durante muitos e largos anos... ele escondeu um tesouro nacional de 1.113 milhões de €uros... num buraco profundo!

terça-feira, 6 de setembro de 2011

OS DE.VOTOS


OS DE.VOTOS


Eram onze horas e uma parga de minutos do lindo feriado15 de Agosto, dia da Assunção de Nossa Senhora ao Céu quando o impensável sucedeu na aldeia de Casais de Revelhos e este, um post que desde há alguns tempitos estava prestes a entrar no forno! 
Aqui vai!
Talvez pelo espaço no templo ser restrito ou por assim o entender melhor, o certo é que o padre-cura resolvera celebrar missa no átrio da Igreja Cristã...
Já os fiéis se imbuíam em suas preces quando inusitadamente, um trio de derradeiros devotos acrescentaram-se à cena, nos comandos de quão bela carripana recolectora de resíduos sólidos...
Eram os almeidas da sagrada pegada ecológica, digníssimos candidatos a paleolíticas ferraduras!
Entre Ave Marias, améns e Pai Nossos, a indiferente tríade resolveu recolher os lixos depositados nos cinco verdes contentores sitiados junto ao adro onde se praticava quão religioso culto!
Local da ocorrência
Abafando a homilia junto ao púlpito improvisado, o roncar do motor, as compassadas batidas das tampas nos garfos condutores e os putrefactos aromas emanados das genunflectóricas básculas induziram inovadoras crenças nos fiéis de Casais...

“Senhor, tende piedade de Nós...”

Valha-nos Nossa Senhora da Conceição!
Não havia nexexidade!

“Senhor, tende piedade de nós,
Jesus Cristo, tende piedade de nós,
Senhor, tende piedade de nós...”

O motor roncava, os contentores batiam castanholas, os cheiros difundiam-se no espaço e os fiéis por’li prostrados, deveras reforçando suas aflitivas preces...

“Creio em Deus Pai Todo-Poderoso, Creio que estes gajos vieram zombar connosco, Creio na divina paciência do padre-cura, Creio no Espírito Santo para me conter, Creio que a presidenta deveras ensurdeceu...”

De credo na boca, foi mais ou menos assim que prosseguiu a oração dos fiéis a Santo Expedito...
“Meu Santo Expedito das causas justas e urgentes intercede por mim junto a Nosso Senhor Jesus Cristo, socorre-me nesta hora de aflição e desespero, meu Santo Expedito Vós que sois um Santo guerreiro, Vós que sois o Santo dos aflitos, Vós que sois o Santo dos desesperados, Vós que sois o Santo das causas urgentes, protege-me.
Ajuda-me, Dá-me força, paciência, coragem, firmeza, contenção e serenidade. Atende ao meu pedido de levar daqui para fora este trio de almeidas inoportunos.
Meu Santo Expedito! Ajuda-me a superar estes minutos difíceis, protege-me de todos que me possam prejudicar a concentração, protege-me as narinas e protege-me a famelga de algum resíduo sólido que se possa soltar. Por favor, atende ao meu pedido com urgência. Devolve-me a paz, a tranquilidade, a concentração e o ar puro destas paragens.
Meu Santo Expedito! Serei grato pelo resto de minha vida e levarei o teu nome a todos quantos têm fé... se me atenderes estas preces, claro está!”
Tudo isto presenciado pela passividade das edilidades da terra e arredores que por'li perfilavam em cerimoniosa primeira linha!
“A carga pronta e metida nos contentores, adeus aos meus amores que me vou p'ra outro mundo. É uma escolha que se faz e o passado foi lá atrás. A carga pronta metida nos contentores e adeus aos meus amores que me vou p'ra outro mundo. Num voo nocturno dum cargueiro espacial, não voa nada mal isto onde vou p'lo espaço fundo. Mudaram todas as cores, rugem baixinho os motores e numa força invencível deixo a cidade natal Não voa nada mal pela certeza dum bocado de treva e de novo Adão e Eva a renascer no outro mundo Voltar ao zero num planeta distante com memória de elefante talvez... O outro mundo é uma escolha que se faz e o passado foi lá atrás. Nasce de novo o dia nesta nave de Noé com um pouco de fé.

-Ah! Pois!...

Esta foi a oração dos Xutos & Pontapés!

Graças a Deus poderemos ser ateus, agnósticos, descrentes, professarmos outras fezes, convicções politicas ou quiçá pretendermos manifestar os nossos desalentos por nos fazerem laborar no dia de Nossa Senhora da Conceição mas afigura-se-nos de mau tom, de falta de civismo e de falta de respeito, não nos dando o direito de atropelarmos o normal decorrer dum culto de fé que envolve parte considerável da população da aldeia.
Mais valia os almeidas terem ido dar uma curva ao bilhar grande ou rolar até Vila Lobos enveredando pelo caminho do Vale da Vinha onde encontrariam a pegada da burra de Nossa Senhora que para estes esmerados senhores seria um ícone na realização das suas vidas podendo decalcarem a figura da rocha, para seu logótipo!
Quanto ao condutor do veículo,  merece nota negativa em Exame de Psicologia do Tráfego,  nomeadamente nas áreas do cognitivo e do afectivo, especificamente em termos de saúde mental,  avaliação de valores e interesses,  responsabilidades, estabilidade emocional,  capacidade de resistência à frustração e espírito de cooperação!

sábado, 27 de agosto de 2011

O CROCODILO VII



O CROCODILO VII
Sétimo episódio

  
A situação derrancava-se em lágrimas com a Senhora para um lado e o Cidadão abt para o outro. Quem com uma vela acesa dali se aprochegasse, bem cedo a recolhia... Aquele pranto de modo algum terminava até a aparição ter lançado a seguinte questão...
-Criatura de Deus, que santo é esse, tão feio e verde que trazes no peito?

-Não é um santo. Senhora... é o Hulk...

-O jogador de futebol?...

-Não, Senhora do Pranto... É um ícone da animação! Começou por aparecer nos livrinhos de histórias aos quadradinhos como o alter ego do Doutor Robert Bruce Banner...

-Eiiia ca ganda seca! Criatura de Deus, por ventura nunca passastes por situação mais grave do que este teu sentimento de frustração em busca de um mero crocodilo?

Irra que a bonequinha hologramanizada tornava-se chata com tanta pergunta formulada... depois de pensar um bom bocadito, este praça recordou-se que de facto há bastante tempo... se tinha livrado de boa...

-Sim, Senhora do Pranto! Há bastantes anos estive metido numa situação que ainda hoje não me sai da memória...

-Confessa-me, criatura de Deus, o que foi que te aconteceu assim de tão complicado... há muitos anos...pode ser que a tua alma ainda tenha salvação...

Afogado em soluços e lágrimas que escorriam pelo rosto causando fortes ardores nos arranhões provocados pelos espinhos do balseiro, este praça foi contando o sucedido...


-Há muito, muito tempo, viajava eu de mota... à minha frente seguia um auto-tanque dos bombeiros... à retaguarda vinha uma locomotiva... perseguida por um cacilheiro... Do lado esquerdo... atalhando-me a escapatória, um carro da polícia ia no encalço dum cavalo enorme... mais acima... efectuando voos rasantes à direita da minha nuca, um helicóptero ameaçador oscilava vezes sem conta... o grande problema residia em que todos avançávamos à mesma velocidade...

-Sim... E depois?

-Tentei travar mas tive medo de ser abalroado pela locomotiva e pelo cacilheiro... Se aumentasse a velocidade... enfiava-me debaixo do auto-tanque dos bombeiros... desviando-me pela esquerda batia contra o carro da polícia e se me chegasse mais para a direita... está a ver a desgraça que não seria... de certeza mesmo que levaria com os patins de aterragem do helicóptero pela carola!!!

-Isso sim, foi uma situação bastante complicada... Como te saíste dela... criatura de Deus? Para agora estares aqui, só um grande milagre te terá salvo...

-Sabe Senhora do Pranto... Ainda aguentei aquilo durante uns intermináveis cinco minutos!

-Ai, valha-nos eu, que sou a Virgem Santíssima! Imploraste a São Cristóvão que é o padroeiro dos viajantes!

-Ná!...

-Evocaste São Marçal que é padroeiro dos bombeiros!

-Também não!

-Não sei o que te diga, filho... Deixa-me cá ver...

-A Senhora do Pranto nem calculará como cá o Cidadão abt se saiu desta... mas que saiu, lá isso saiu!!!

-Oh criatura de Deus... Ás páginas tantas... Evocaste Santa Dinfna...

-Quem é essa?!

-Deixa estar... Numa aflição dessas... evocaste um Deus pagão... Por exemplo... Neptuno,Deus dos mares!

-Nhã, nhã, nhã! Também não! Cada vez mais frio...

-Prontos! Já sei! Evocaste a Senhora do Loreto que é protectora dos aviadores!

-Falhou outra vez...

-Então criatura de Deus!!! Descose-te e não me moas mais a paciência!!!

-Reparai, Senhora do Pranto... deixei parar o carrossel... e apeei-me!!!
-Olha! Desapareceu sem sequer se despedir!!!

Exorcizada a bola que lhe ascendia pela  traqueia, este Cidadão saiu bastante mais aliviado e intrigado daquela caixinha das lamentações sem arranjar explicação plausível para a aparição do holograma.
Dando uma voltita pelo outro lado do templo outras facetas da paisagem se lhe foram revelando...
Aquela chaminé tradicional... fazia-lhe confusão ao juízo...
Como seria previsto que o ocaso se daria rente às vinte horas e quarenta minutos, sobravam-lhe três horas e tal de claridade e meio depósito de gasosa... para chegar a caselas...
Acedendo à inseparável Coty deu-se conta que a coitada já não tinha a companhia dos maquinões motorizados que tanto as valorizavam, dando lugar a uns quantos pingos de óleo no empedrado chão...
Ninguém lhe houvera cobiçado o capacete amarelo nem a mochila cor-de-rosa desmaiado com o ursinho Pooh... menos mal...
Colocado o equipamento num corpo sofrido de arranhadelas de balseiros, era tempo de embalar a máquina pela calçada abaixo até entrar em funcionamento, galgando metros sem conta sob a aragem fresca das sombras do casario e descarregada a frustração, nova esperança se lhe foi formando nos neurónios... Deixando a península para trás e seguindo uma estrada asfaltada esta alma rumou à direita até apanhar um caminho que tomava as águas do rio Zêzere. Parou a maquineta, sentando-se numas rochas de onde conseguia outra magnifica contemplação sobre Águas Altas. À distância, este praça ia perscrutando o motor de um barco vogando na massa de água... Uma espécie de zebro cinzento... Um pequeno semi-rígido com dois tripulantes a bordo...que na retaguarda tinha incorporado um arco encimado por pirilampos azuis... pareciam ser dos bombeiros... ná... eram os géninhos... A embarcação foi vogando pelas águas adiante... O de binóculos observava as margens rodando a cabeça até dar com a presença cá do Cidadão junto à sua Coty... Descrevendo um U sobre a esteira de espuma, o bote aproximara-se rápidamente das rochas que este praça pisava... Com o motor desligado a embarcação deslizou suavemente sobre as pequenas ondulações até se vir imobilizar juntinho às havaianas...
-Boa tarde!

Saudou o géninho com divisas verdes formando dois V.

-Boas!

-O senhor... o que faz por aqui?

-Procuro um crocodilo!

-Não brinque com a autoridade!

-Volto a perguntar-lhe... o que faz por aqui a uma hora destas?

-Volto a responder-lhe... ando na busca de um crocodilo!

-Hum... O senhor encontra-se num estado lastimoso... o que foi isso? Caiu da mota?

-Não! Cai num balsêro.

-Hum... está bem... E ainda não se tratou?

-De quê?!

-Desses lenhos na pele... ou do que é que devia ser?

-Ah! não!

-Hum... onde foi que caiu?

-Numa descida de um caminho junto à ponte que une os concelhos de Vila de Rei e Ferreira do Zêzere...

-Hum...Pois... Está bem... e o que ia fazer para esse sítio?

-Fui precisamente atrás do crocodilo, senhor guarda!

-Ena pá! O homem viu o crocodilo!!! Onde? Onde?

Atalhou o agente que se mantinha ao volante da embarcação.

-Não era um crocodilo de verdade... era um crocodilo insuflável que se confundia à distância!

-Estás a ver, Humberto! Bem te disse que o outro avistamento era uma bóia dos cachopos... perdida!

-E os senhores guardas, o que fazem por aqui de barco?

-O senhor não tem nada a ver com isso! Como se chama?

-Cidadão!

-Só Cidadão?! E os apelidos?

-Abt!

-Abt? Cidadão abt?!?

-Yess!!

Parecia que os géninhos tinham visto o Berzebú!

-Você é o famoso Cidadão abt... de Abrantes?!!

-Óh,  messa!

-Eh! Home! Dê cá um abraço!

Foi num piscar de olhos enquanto o inquiridor abandonou a embarcação seguido do outro agente, tendo aquelas duplas palmadas nas costas doído cum’ó carais, não só devido à força imprimida mas também inerente às chagas ocultas pela negra t’shirt com o Hulk impresso no peito e que se faziam sentir a todo o momento...

-Veja bem que até costumo ler as suas crónicas na Internet!

Carregou o agente Humberto...

-Porra! Não fazia idéia que fosse assim tão famoso, carais!

-O que o pessoal se diverte lá em casa! Vai escrever sobre isto?

-Vou, sim senhor!

-Que espectáculo! E nós vamos entrar nessa crónica?

Questionou o agente Timoneiro...

-Vão pois, se aceitarem, claro!

-Está a ler o meu nome aqui na farda?

Retorquiu o agente Humberto...

-Estou sim senhor!

-Peço-lhe o favor que evite pronunciar os nossos nomes na sua crónica...

-Está bem, amigo agente... vou-me referir a si como sendo o agente Humberto... pode ser?

-Muito bom!

-E eu? E eu?

-Pode ser o agente Timoneiro?

-Come-se...

-Vamos ao que interessa... Olha! Olha! O bote está a desandar pela àgua! Vocês não o ancoraram!?

-Eia Humberto! E agora??? Estamos fritos! Temos que despir a farda, pá!!!

-Deixem-se estar que já volto!

E desta feita cá o Cidadão abt não foi em busca do crocodilo mas do bote perdido! Um mergulho e umas quantas braçadas em crawl foi quanto bastou para alcançar o vogante semi-rígido... Tomando a pega por suporte, num impulso este praça descortinara dois remos no chão da embarcação, sendo um instante enquanto a devolveu aos agentes... entretanto reparou que presa ao interior do bote estava uma carabina municiada com anestesiantes, dois rádios transmissores, uma rede de pesca... os potentes binóculos e um chalavar estendido a todo o comprimento do estrado...
A concorrência era forte... Perante um equipamento tão sofisticado... o que poderia fazer o Cidadão abt com o seu capa-grilos? Encharcado mas realizado, este praça foi descortinando conversa...

-Ora onde é que íamos... Ah! Pois! Vocês andam à procura dum crocodilo?

-Somos do SEPNA... e desenvolvemos acções de vigilância em toda a região compreendida a jusante da foz da ribeira do Alge.

-Ah bom... E tiveram sucesso nas vossas buscas?

-Nem por isso...

-Vocês acreditam mesmo que ande por aqui um crocodilo?

-Quer dizer... há várias pessoas a denunciarem a situação das daí até ao ponto daquilo que viram ter sido um crocodilo...

-Afinal são buscas sem fundamento... passear... gastar gasolina... tudo à custa dos contribuintes. Uma boa vida...

 -Repare... o fundamento para essa história dos crocodilos é muito antigo e passa por um casal de holandeses que dizem ter vivido há bastantes anos nesta região... os mais antigos contam que os sujeitos faziam uma vida perversa e tinham uns crocodilos amestrados que até respondiam ao toque de palmas... dizem que há muitos, muitos anos, em certa ocasião foram visitados por um camarada ex-combatente na guerra de libertação da Sumatra que eclodira lá para as bandas da Indonésia. Quando no ano de1949 os holandeses procederam à retirada das tropas, houve dois camaradas militares que trouxeram crias de crocodilo numas caixinhas escondidas nos fundos da bagagem...
Ficando esses bicharocos na posse de um deles, o mais endinheirado e consequentemente reunia melhores condições de vida para sustentar os bichanos... e sendo por cá as leis frouxas no que dizia respeito ao ambiente, o fulano veio habitar para região... como ia contando, o holandês que tinha uma grande pancada ensinou os crocodilos a fazerem umas habilidades... umas porcarias...e assim... bom... como lhe hei-de explicar... badalhoquices... está a perceber? 

Um dia mais tarde quando o outro holandês veio até cá visitar o antigo camarada de armas, logo lhe indagou pelos crocodilos... ao que o holandês perverso lhe explicou que estavam abrigados debaixo da vegetação e o à vontade era tal que até partilhavam a piscina com os humanos... Curioso e emocionado, o visitante pediu ao amigo para lhos mostrar... Vai daí, o holandês de cá bateu as palmas uma vez e de imediato apareceram dois majestosos sáurios exibindo as suas enormes dentições... Bastante assustado e presumindo que corria risco de vida, o visitante recuou uns passos... Nessa altura o anfitrião tranquilizou-o explicando-lhe que os animais era mais mansos do que dois cachorrinhos... para demonstrar a veracidade e a confiança que depositava nos lagartos, logo desafivelou o cinto, arreando as calças... Ao bater das palmas por duas vezes sucessivas, um dos majestoso crocodilos avançou para o residente erguendo-se nas patas dianteiras e abocanhando o membro do seu dono, deixou o visitante horripilado na expectativa de que estaria uma tragédia para acontecer! 
-Olhó meu!

-Shhiuu!Cale-se homem! Ele bem sabia que o ex-camarada era meio maluco e se ainda estava vivo naquele momento, bem o devia ao arrojo temerário com que o camarada de armas o resgatara das catanadas dos guerrilheiros indonésios revoltosos! Pelos vistos, desde esses gloriosos tempos nada mudara nele. Embasbacado de todo, reparou que o anfitrião tirava imenso prazer do tratamento que sáurio lhe estava a aplicar no sexo! Dez minutos depois, o holandês maluco arrumou com dois punhões no toutiço do animal fazendo com que o bicho com extrema delicadeza lhe soltasse o “coiso”. Seguidamente o dono dos crocodilos convidou o ex-camarada de armas a desfrutar das mesmas sensações... ao o visitante lhe respondeu que, experimentar até experimentava mas não sabia se no fim daquilo ainda aguentaria com os dois murros na cabeça!

-Gaita! Isso foi mesmo verdade?!

-São histórias que se contam por aí...

-E os holandeses... Vocês já os averiguaram?!

-Averiguámos sim senhor, mas não detectámos indícios de que qualquer holandês tivesse habitado nesta região nem que eventualmente deixasse escapar algum crocodilo para a albufeira...

-Sendo assim... seguindo o raciocínio... uma vez que não há por aqui vestígios de holandeses... é lógico que também não existem crocodilos!

-Correcto e afirmativo!

-Sabem amigos... o Sol está a descer cada vez mais e tenho que ver se chego ainda de dia a casa...

-Ouça cá, ó Cidadão! Você vai colocar essa dos holandeses na Internet?

-Vou pois... É uma estória fixe!

-Eh! Eh! Vai ser uma risada!!!

-Adeus amigos! Cá o Cidadão sai daqui bastante mais enriquecido!

Assim foi... Este praça voltou a colocar o capacete amarelo e a mochila cor-de-rosa, deu ao pedal de arranque e num  abalo sem embalo, desapareceu na íngreme subida, deixando dois géninhos acenando despedidas suspensas num bote!
Depois foi mais uma questão de rebobinar o filme... Subir a enorme estrada sinuosa... voltar á direita... passar por Águas Belas...
Entrar em Ferreira do Zêzere e dar uma voltinha em torno acagaçado cidadão ferreirense...
Descer as curvas em direcção à enorme ponte que cruza o Zêzere... subir a pique e em Vila de Rei voltar à direita na direcção de Abrantes... evitar o teste de travões porque da ultima vez ia dando um tralho... isto e o motor da Coty a falhar... gaita... entrara na reserva... mudar a posição da torneira, acelerar na subida... e rezar para que a gasosa desse até casa... As trevas invadiam a paisagem... À entrada de Abrantes já a iluminação pública se fazia valer...
Pensando na Companheira, recordava-se de como ela se mostrara furibunda ao microfone do tijolo falante...
Felizmente a gasosa deu para chegar ao lar, doce lar...
Enquanto arrumava a máquina no alpendre já a gata Cristie rondava os artelhos deste praça com a cauda espetada na vertical e o pelo do lombo eriçado... aquilo era mau presságio...
Executando sinuosidades entre os artelhos e emitindo tímidos e piedosos miares, o felíno ia atrapalhando as passadas cá do rapaz... sinal inequívoco de que a coisa não estava de feição...
Coragem... foi preciso bastante determinação para meter a chave à fechadura quando por artes e manhas a porta se abriu automaticamente... não! Foi ela que num acto sincronizado a abriu pelo lado de dentro...
Aquela expressão severa... talhada em redondinho rosto marcado por dois olhinhos negros e arregalados... enregelava cá o coração... agora é que ia ser o delas!
Atrás da Companheira, no corredor repousavam duas malas inchadas de roupa... e a gata Cristie ronronando-se nelas... como querendo dizer... “são tuas, meu lorpa"...
De súbito... exclamou a Companheira erguendo as mãos na direcção desta desafortunada cara...

-Já estava para te ligar, meu vadi...?! Ahh! A minha alma está parva!!! Coitadinho! O que te fizeram? Foi o crocodilo? Estás num estado lastimoso! Vem cá meu querido, para te poder curar essas feridas! Meu Deus! Isso aí precisa de Bétadine! Também tens umas chagas enormes nos braços e por todo o corpo!! Ai minha Virgem Santíssima! Isso pode infectar! Eu bem te avisei para regressares a casa ontem mas tú não quisestes saber e agora apareces assim todo ferido! Deves ter tido uma grande briga com o crocodilo! Ao menos conseguiste apanhá-lo? Conta-me cá meu filho como fizeste isto!!!

Há males que vêm por bem... Se não fossem as feridas provocadas pelos espinhos das silvas, o caldo estaria entornado... aquelas chagas impressionavam qualquer agnóstico...
Após tomada uma retemperadora banhoca, a paciente Companheira gastou um bom quarto de hora de volta do saco de discos de algodão embebidos em meio frasco de tintura, absorta na gloriosa missão de desinfectar as chagas deste rapaz.
Quando foi para o computador já a cara-metade lhe trouxera uma chávena de chazinho bem quente...
O aroma a um tacho de caldo verde em ebulição encaminhava-se a partirda cozinha...
Este Cidadão sentou-se à escrivaninha ligando a máquina q1ue após emitir aquela melodia... lhe foi digitando o seguinte:
“Como a vida não está fácil, este praça resolveu trocar duas semanas de férias nas Caraíbas por um dia bem passado nas margens da albufeira do Castelo do Bode...
Subjugando o selim da máquina vermelho Ferrari atestada de véspera e elevando o piston ao red-line, fez-se à estrada na sua Famel Coty de duas velocidades, devorando o alcatrão a uma velocidade de sessenta quilómetros por hora, ressalvando as subidas, claro! O trânsito era escasso à exeção de uma coluna de viaturas militarizadas que o ousaram ultrapassar na rampa entre a Amoreira e Martinchel (...)”
Vai daí, a Companheira apresentou um prato em barro salpicado a arroz, emanado um idílico aroma de fervilhante guisado condimentado a cravinho...


-O que é isto?

-Coelho guisado...

-São fígados de coelho?!

-Não...São moelas...

-Moelas de coelho?...

-Sim... moelas de coelho...

-Ainda bem... sabes que detesto guisado de fígado de coelho... Causa-me náuseas...

-Então?! O que achas? Está bom?

-Um acepipe, Companheira... Sabes cozinhar, Companheira!...


E... se quiserdes saber o resto desta interminável, intrépida e maravilhosa aventura do Cidadão abt em busca do crocodilo perdido, viajai até aqui!